Além das mortes, houve relatos de moradores sobre tortura e execução; governador Tarcísio defendeu a operação
Palácio dos Bandeirantes e Tarcísio de Freitas (Foto: GOV-SP)
247 – Desde o início da megaoperação das forças de
segurança na Baixada Santista, na última sexta-feira (28), a cidade de
Guarujá, no litoral paulista, registrou ao menos dez mortes em
decorrência de intervenção policial, de acordo com informações da
Ouvidoria das Polícias, segundo informa o jornalista Tulio Kruse,
da Folha de S. Paulo. Essa ação foi uma resposta ao assassinato de um
soldado da Rota, ocorrido na mesma cidade na última quinta-feira (27), o
qual gerou comoção entre os policiais. O responsável pelo disparo que
resultou na morte do soldado foi detido no domingo, em São Paulo,
conforme anunciado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em
seu perfil no Twitter, que defendeu a operação.
As vítimas fatais ainda não tiveram seus nomes oficialmente
divulgados, mas o ouvidor Cláudio Aparecido da Silva ressaltou que o
número de mortos pode chegar a 12. Além das mortes, houve relatos de
moradores sobre tortura e execução de, pelo menos, um homem pelas mãos
de policiais militares, bem como uma ameaça de que 60 pessoas seriam
mortas em comunidades da cidade. A Secretaria da Segurança Pública (SSP)
afirmou que todas as denúncias serão investigadas, mas até o momento
não foram constatados abusos policiais.
A megaoperação, denominada Operação Escudo, tem duração prevista de
um mês e mobiliza agentes de todos os 15 batalhões de operações
especiais do estado, totalizando cerca de 3.000 policiais militares,
além de pelotões do Choque e efetivo local. Entre as vítimas está um
vendedor ambulante, Felipe Vieira Nunes, de 30 anos, morto com nove
tiros na última sexta-feira. Relatos de moradores apontaram indícios de
tortura antes de sua morte. A família de Nunes informou que ele tinha
sido alertado pela polícia sobre a possibilidade de ser morto devido a
passagens criminais anteriores.
Órgãos de direitos humanos, como a Ouvidoria das Polícias, a
Defensoria Pública estadual, a comissão de direitos humanos da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil), a comissão de direitos humanos da
Assembleia Legislativa e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania,
estão investigando as denúncias de abusos cometidos pela PM em Guarujá.
Denúncias incluem relatos de moradores aterrorizados, favelas sitiadas
pela polícia e invasões de casas com o uso de máscaras por parte dos
policiais. A SSP ressaltou que a operação segue os protocolos da
corporação e destacou que quatro suspeitos envolvidos no assassinato de
um policial já foram detidos.
Eduardo Bolsonaro pagou funcionário argentino que mentiu sobre urnas
Funcionário do Derecha Diario acompanhou Eduardo em visita à Argentina “patrocinada” pelo dono do site durante campanha
Por Alice Maciel, Juliana Dal Piva e Laura Scofield, Agência Pública -O
deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contratou um funcionário do
consultor político Fernando Cerimedo para sua campanha de reeleição à
Câmara dos Deputados, segundo a prestação de contas à Justiça Eleitoral.
O funcionário também o acompanhou quando este esteve em Buenos Aires no
dia 12 de outubro de 2022, em meio ao disputado segundo turno das
eleições presidenciais, em viagem “patrocinada” por Cerimedo, segundo
seu site, La Derecha Diario.
Menos de três semanas depois, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL),
Cerimedo fez um vídeo no YouTube com informações falsas sobre as urnas
eletrônicas, que ajudou a inflamar o clima pós-eleitoral no Brasil. O
argentino diz que sua atitude foi independente e que não recebeu nada
por isso.
Eduardo escondeu que foi ao país vizinho em missão oficial, mas, em
vez de exercer funções parlamentares, usou seu tempo para fazer campanha
para o pai, o que, na avaliação de advogados ouvidos pela reportagem,
pode configurar abuso de poder político.
É o que revela a investigação “Mercenários Digitais”, que busca
rastrear o negócio da desinformação na América Latina. O projeto, feito
em uma aliança entre a Agência Pública, o UOL e outros 22 veículos
latino-americanos, além de quatro organizações especializadas em
investigação digital sob a liderança do Centro Latino-Americano de
Investigação Jornalística (Clip), detalha o papel de Fernando Cerimedo
na disseminação de notícias falsas em campanhas da ultradireita no
continente.
Eduardo Bolsonaro viajou a Buenos Aires acompanhado de Giovanni
Larosa, que pouco antes havia atuado na sua campanha de reeleição.
Segundo a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele
recebeu R$ 3.900 pelo serviço.
Larosa é correspondente no Brasil do site de Cerimedo, o La Derecha
Diario, ao menos desde 2021. O portal, inclusive, fez a cobertura da
viagem de Eduardo à Argentina. Além disso, de acordo com matéria do
site, Larosa é “assessor do deputado para assuntos internacionais”.
Vinte dias depois, Cerimedo usou o canal do YouTube do La Derecha
Diario para fazer uma live na qual divulgou um dossiê com dados
mentirosos sobre as eleições. A live foi acompanhada por mais de 400 mil
pessoas. O vídeo, desmentido pelo TSE e por agências de checagem,
reforçava o discurso golpista de Jair Bolsonaro, que ao longo de todo o
seu mandato tentou descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro.
“Sou um herói para metade do país. Eles me chamam de argentino mais
querido do Brasil”, afirmou Cerimedo orgulhosamente durante entrevista
de duas horas concedida ao Clip por videochamada. O consultor político
negou aos jornalistas do consórcio que tenha sido contratado pela
campanha de Bolsonaro para fazer a live.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contratou um funcionário
do consultor político Fernando Cerimedo para sua campanha de reeleição à
Câmara dos Deputados, segundo a prestação de contas à Justiça
Eleitoral. O funcionário também o acompanhou quando este esteve em
Buenos Aires no dia 12 de outubro de 2022, em meio ao disputado segundo
turno das eleições presidenciais, em viagem “patrocinada” por Cerimedo,
segundo seu site, La Derecha Diario.
Menos de três semanas depois, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL),
Cerimedo fez um vídeo no YouTube com informações falsas sobre as urnas
eletrônicas, que ajudou a inflamar o clima pós-eleitoral no Brasil. O
argentino diz que sua atitude foi independente e que não recebeu nada
por isso.
Eduardo escondeu que foi ao país vizinho em missão oficial, mas, em
vez de exercer funções parlamentares, usou seu tempo para fazer campanha
para o pai, o que, na avaliação de advogados ouvidos pela reportagem,
pode configurar abuso de poder político.
É o que revela a investigação “Mercenários Digitais”, que busca
rastrear o negócio da desinformação na América Latina. O projeto, feito
em uma aliança entre a Agência Pública, o UOL e outros 22 veículos
latino-americanos, além de quatro organizações especializadas em
investigação digital sob a liderança do Centro Latino-Americano de
Investigação Jornalística (Clip), detalha o papel de Fernando Cerimedo
na disseminação de notícias falsas em campanhas da ultradireita no
continente.
Eduardo Bolsonaro viajou a Buenos Aires acompanhado de Giovanni
Larosa, que pouco antes havia atuado na sua campanha de reeleição.
Segundo a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele
recebeu R$ 3.900 pelo serviço.
Larosa é correspondente no Brasil do site de Cerimedo, o La Derecha
Diario, ao menos desde 2021. O portal, inclusive, fez a cobertura da
viagem de Eduardo à Argentina. Além disso, de acordo com matéria do
site, Larosa é “assessor do deputado para assuntos internacionais”.
Vinte dias depois, Cerimedo usou o canal do YouTube do La Derecha
Diario para fazer uma live na qual divulgou um dossiê com dados
mentirosos sobre as eleições. A live foi acompanhada por mais de 400 mil
pessoas. O vídeo, desmentido pelo TSE e por agências de checagem,
reforçava o discurso golpista de Jair Bolsonaro, que ao longo de todo o
seu mandato tentou descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro.
“Sou um herói para metade do país. Eles me chamam de argentino mais
querido do Brasil”, afirmou Cerimedo orgulhosamente durante entrevista
de duas horas concedida ao Clip por videochamada. O consultor político
negou aos jornalistas do consórcio que tenha sido contratado pela
campanha de Bolsonaro para fazer a live.
Ele disse que foi procurado por um amigo “que é um estudioso do
Brasil e fanático por Bolsonaro”, que teria desconfiado de erros na
contagem da votação. “Nem os militares nem ninguém do partido entrou em
contato comigo antes da live. Eu não conseguia nem falar com Eduardo”,
ressaltou, mesmo que semanas antes eles estivessem juntos.
De acordo com documentos obtidos pela Pública por meio da Lei de
Acesso à Informação (LAI), a ida de Eduardo Bolsonaro para a Argentina
contou com apoio institucional do Itamaraty e da Câmara dos Deputados.
Mas o parlamentar nunca informou publicamente o caráter oficial da
viagem nem quem foi encontrar no país vizinho.
Esses dados não constam também em sua prestação de contas no portal
da transparência da Câmara. Segundo a assessoria de imprensa, a viagem
não foi paga pela Casa e teria como objetivo “fortalecer os laços para
alcançar um crescimento econômico sustentado na Região”.
De acordo com as regras do Legislativo federal, os deputados viajam
em missão oficial “para o cumprimento de deveres inerentes ao mandato”.
No entanto, a agenda de Eduardo Bolsonaro na capital argentina,
organizada pela equipe de Fernando Cerimedo, cumpriu objetivos
estritamente eleitoreiros, tendo se reunido com figuras da extrema
direita argentina e produzido vídeos a favor do seu pai para postar nas
redes.
Para a presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MG, Isabela
Damasceno, o episódio pode configurar abuso de poder político, “tendo
em vista que o cargo eletivo fora utilizado, inclusive com comunicado
oficial que o deputado/agente público estava em missão institucional”,
ressaltou. “Quando manifestamente não são localizados o evento e os atos
a serviço do país que o deputado deveria ter realizado, se mostra
ficcional a missão institucional, sendo nítido o desvio de finalidade”,
acrescentou.
De acordo com o advogado Marcelo Weick, membro da Academia Brasileira
de Direito Eleitoral e Político (Abradep), além de abuso de poder
político, o caso pode configurar improbidade administrativa, uma vez que
houve uso da máquina pública.
Disseminador de fake news
Disseminar fake news faz parte do trabalho de Fernando Cerimedo,
segundo apurou o consórcio de veículos. E, para tal, o site de notícias
La Derecha Diario, seu principal canal, é um caminho.
Além do La Derecha Diario, Cerimedo diz possuir outros 35 pequenos
meios digitais. Em quatro anos, ele teve uma carreira meteórica: montou
um grupo empresarial com sede em Buenos Aires, integrado por uma empresa
de segurança privada, uma academia que oferece cursos sobre marketing
digital – que diz ter parcerias com TikTok, Google, Meta e Twitter – e
uma agência de publicidade, a Numen Publicidad.
Porém, em retorno, o Tiktok afirmou que “não existe parceria com essa
empresa” e o Google disse que não encontrou “registro da empresa
mencionada em nosso diretório de Google Partners”. Twitter e Meta não
responderam.
Em seu site, a Numen Publicidad informa que utiliza “recursos
tecnológicos exclusivos para posicionamento e comunicação de candidatos e
governos, gestão e leitura da opinião pública”, e Cerimedo admitiu em
entrevista ao consórcio que possui “um monte de trolls”. De acordo com
ele, as contas falsas nas redes sociais não são utilizadas para atacar
adversários, mas para enganar algoritmos e, assim, dar um melhor
posicionamento às mensagens de seus clientes.
Porém, isso também é proibido pelas redes. Tanto os termos de uso do
Twitter quanto os do Facebook banem “comportamento coordenado
inautêntico” para amplificar ou suprimir informações artificialmente.
Ainda de acordo com o site da Numen Publicidad, a empresa já prestou
consultoria política para 50 campanhas eleitorais na América Latina e
Estados Unidos e possui escritórios em Buenos Aires, Santiago (Chile) e
São Paulo. Entretanto, Cerimedo disse em entrevista que não possui
escritório nem clientes no Brasil e que sua relação com Eduardo
Bolsonaro é apenas de amizade.
investigação transnacional identificou que o consultor político
utilizou na Argentina e no Chile estratégias semelhantes às usadas no
Brasil.
No Chile, por exemplo, Cerimedo atuou pela rejeição da nova
Constituição proposta pelo governo de Gabriel Boric. Sua agência de
publicidade publicou dados apontando uma menor diferença entre as
pessoas que aprovavam e rejeitavam a realização de um plebiscito do que
outros estudos – que se mostraram corretos.
Após a derrota da consulta sobre o novo texto constitucional dois
anos depois, o La Derecha Diario divulgou uma reportagem alegando que
Boric teve um “colapso nervoso”. Uma análise das redes sociais detectou
que a hashtag #Boricinternado já estava em movimento minutos antes de a
notícia ter sido publicada no site, o que pode ser um indício do uso de
trolls.
O veículo de Cerimedo espalhou também informações falsas sobre o
atentado ocorrido em 1o de setembro do ano passado contra a
vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner.
Apesar de as mentiras publicadas no La Derecha Diario terem sido
desbancadas por diversos sites de checagem, o consultor nega ser um
produtor de fake news. “Chamar-nos de desinformadores em série por duas
ou três bobagens é a única maneira que eles têm de nos atingir. Sou
contra as fake news”, afirmou. “La Derecha Diario é o único dos meus
veículos que faz travessuras”, ameniza.
Viagem “patrocinada” por Cerimedo
O consultor político argentino foi o anfitrião de Eduardo Bolsonaro
em Buenos Aires, às vésperas do segundo turno das eleições
presidenciais.
O deputado desembarcou na capital argentina em 12 de outubro, onde
ficou até o dia 15, duas semanas antes do pleito. Durante esse período,
Eduardo se encontrou com lideranças da extrema direita do país, deu
entrevistas para veículos locais e gravou quatro vídeos para a campanha
do pai. Tudo foi registrado pelo La Derecha Diario.
As imagens gravadas em Buenos Aires mostram Eduardo Bolsonaro
entrevistando pessoas nas ruas da cidade, que reclamam da inflação e
mandam mensagens a favor da reeleição de Jair Bolsonaro. O objetivo era
convencer eleitores indecisos de que, se Lula fosse eleito, o Brasil
entraria numa crise econômica semelhante à da Argentina, país que fechou
2022 com 94,8% de inflação. O presidente do país vizinho, Alberto
Fernández, é aliado do petista.
“Como seria no Brasil se o presidente fosse do PT? Seria semelhante à
Argentina”, escreveu o deputado na legenda de um dos registros da
viagem, compartilhado em seu Instagram em 27 de outubro. Outros vídeos
com teor semelhante já haviam sido compartilhados pelo parlamentar em
suas redes sociais nos dias 13, 15 e 16, assim como nas redes do La
Derecha Diario.
A viagem de Eduardo Bolsonaro foi comunicada em um ofício enviado em
10 de outubro pela Secretaria de Estado das Relações Exteriores (Sere) à
embaixada do Brasil na Argentina. Ainda de acordo com a Sere, a viagem
havia sido informada pela Secretaria de Relações Internacionais da
Câmara. Publicamente, porém, a informação sobre a “missão oficial” foi
omitida. Classificado como “urgentíssimo”, o documento informava a
missão oficial do filho do então presidente Jair Bolsonaro a Buenos
Aires “para participar do evento Ciclo de Atividades para Difusão das
Ideias de Liberdade”, no período de 12 a 15 de outubro.
A agenda do parlamentar na cidade foi amplamente divulgada no La
Derecha Diario. O portal noticiou que Eduardo Bolsonaro se reuniu na
noite de 13 de outubro com lideranças de direita argentina, “com o
objetivo de consolidar os diferentes espaços da direita e conseguir
apoio comum para o líder máximo da direita na região: Jair Bolsonaro”. O
encontro foi organizado por Fernando Cerimedo e sua esposa, Natalia
Basil, diretora do Madero Media, segundo o portal.
Em seu último dia na Argentina, o parlamentar tomou um café da manhã
privado com o deputado e atual candidato à presidência do país, Javier
Milei, a deputada Victoria Villarruel e com Giovanni Larosa. Segundo o
La Derecha Diario, “eles falaram sobre a importância de a direita estar
conectada a nível regional e como é vital que Bolsonaro seja reeleito”.
Ainda de acordo com a notícia titulada “La Derecha Diario e Agencia
Numen trouxeram Eduardo Bolsonaro à Argentina: os motivos e a agenda do
filho do presidente”, foi Cerimedo quem “patrocinou” a ida de Eduardo ao
país vizinho. Mas, em entrevista ao consórcio, ele negou: “Ninguém nos
pagou nem nós pagamos nada”, disse.
O editor do portal e diretor executivo da Numen Publicidad, Ezequiel
Acuña, ficou encarregado de acompanhar e coordenar a agenda do político
brasileiro, segundo o portal. Em seu currículo, Acuña diz que é
especialista em marketing político digital com experiência na Argentina,
Chile e Brasil.
Acuña e Cerimedo aparecem em um dos vídeos publicados por Eduardo
Bolsonaro em Buenos Aires a favor da campanha de seu pai. A imagem,
compartilhada em 13 de outubro nas redes do parlamentar, mostra os três
andando pelas ruas de Buenos Aires acompanhados de uma equipe de
filmagem.
Na ocasião, Eduardo cumprimenta apoiadores de Jair Bolsonaro e em
dado momento abre uma geladeira vazia em um supermercado e diz: “É o que
faz o socialismo”.
Dois dias depois, Eduardo Bolsonaro postou outro vídeo da Argentina,
em que ele aparece contando várias notas de dinheiro em um restaurante.
Na legenda, escreveu: “Pagando almoço na Argentina. Se você não quer
isso para o Brasil, vote Bolsonaro 22 e peça mais votos”.
Em todas as postagens que fez em Buenos Aires, ele marcou os perfis de Giovanni Larosa e do La Derecha Diario.
Marqueteiro “imparcial”
Os perfis do La Derecha Diario Brasil no Twitter, Instagram e
Telegram foram suspensos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por
disseminar mentiras sobre a segurança das eleições brasileiras.
A live “Brazil Was Stolen” (O Brasil foi roubado, em português), de 4
de novembro, foi repercutida por políticos e influenciadores
bolsonaristas para inflamar o clima pós-eleitoral no Brasil, que
resultou nos ataques golpistas de 8 de janeiro. Nela, Cerimedo apresenta
a tese de que houve uma diferença de votos favorecendo Lula entre as
urnas que teriam sido auditadas e as mais antigas, que, segundo ele, não
passaram pela auditoria. Mas isso não é verdade: todas as urnas
eletrônicas usadas nas eleições de 2022 passaram por auditoria e
fiscalização.
Fernando Cerimedo fez ainda outras três transmissões com o mesmo teor
nos dias 6 e 8 de novembro e 11 de dezembro. As gravações continuam
disponíveis na plataforma Rumble, seja no canal de Cerimedo ou no de
outros usuários. Uma das lives continua acessível no Facebook.
“Foi comprovado judicialmente que não espalhei desinformação. Minhas
contas foram suspensas em novembro e eles me desbloquearam quando
aconteceu o que aconteceu em 8 de janeiro, porque eles descobriram que
eu não era o responsável”, disse Cerimedo em entrevista ao Clip. “Eu
nunca disse que houve fraude no Brasil, mas que tinha que ser
investigada”, argumentou, embora seus vídeos e postagens repitam que
houve fraude. Além disso, as contas do La Derecha Diario continuam
suspensas no Brasil por decisão do TSE.
A Justiça Eleitoral publicou duas notas desmentindo o consultor
político, nos dias 9 de novembro e 20 de dezembro. A primeira resposta
se refere à live de Cerimedo, em 4 de novembro. O TSE afirma que “todos
os equipamentos utilizados nas Eleições Gerais de 2022 passaram por
auditoria”. Já a segunda nota foi feita em resposta à live de 11 de
dezembro: “Todas as alegações feitas pelo apresentador da transmissão
são mentirosas ou estão gravemente distorcidas”, responde o tribunal.
Quando a live foi ao ar, o Brasil registrava dezenas de pontos de
bloqueios nas estradas, iniciados após o resultado do pleito, em 31 de
outubro. A fake news ajudou a manter os militantes bolsonaristas nas
ruas e incentivou mais pessoas a se juntarem aos atos antidemocráticos
que pediam intervenção federal, como foi o caso da dona de casa Luísa*,
que conversou com a reportagem da Pública em 5 de novembro, sob a
condição de anonimato.
Após assistir à live do consultor político argentino, ela vestiu sua
camisa da seleção brasileira e foi para a beira da estrada, em Barra
Velha, Santa Catarina, protestar contra o resultado das eleições.
“Não acredito em tudo que chega em meu WhatsApp. Eu e meus vizinhos
nos reunimos e ficamos ontem até tarde da noite analisando os dados que
ele [Fernando Cerimedo] apresentou”, justificou.
Motivada pela fake news, Luísa saiu de casa com suas três filhas
quando o sol ainda despontava no céu, levou cadeiras, comida e água
suficientes para passar o dia no ato.
Diante das câmeras, Fernando Cerimedo se apresentou como um sujeito
imparcial, omitindo sua relação com Eduardo Bolsonaro e com a campanha
do ex-presidente. Ele disse que havia recebido as informações que
embasaram as mentiras “de entidades privadas”. “É importante esclarecer
que esta informação não tem nada a ver com a campanha de Bolsonaro nem
do governo. Essa informação chegou às nossas mãos por parte de entidades
privadas”, ressaltou.
As mesmas mentiras foram repetidas em sua fala durante uma audiência
pública no Senado, convocada pelo senador aliado do ex-presidente
Eduardo Girão (Podemos), em 30 de novembro de 2022.
No evento, Cerimedo disse que o resultado eleitoral que deu a vitória
a Lula era “matematicamente impossível de acontecer” e que “a paz do
Brasil só acontecerá com uma auditoria e um voto de papel” – proposta
que fora rejeitada em votação na Câmara dos Deputados.
Ao fim de sua apresentação, o consultor político defendeu o
ex-presidente Jair Bolsonaro e pediu que a população brasileira fosse às
ruas para “salvar o país”.
“Você pode até ter votado na esquerda ou se omitido por estar magoado
com o presidente Bolsonaro, mas ele luta pela sua liberdade e pelo seu
direito de se expressar”, disse. “Façam algo, agora, nesse momento,
levantem de seus sofás, saiam para as ruas, lutem pelo futuro das
próximas gerações e entrem para história. O Brasil é lindo e merece um
povo que o mereça de verdade. Lembrem-se: o único supremo é o povo”,
finalizou, repetindo o lema de protestos bolsonaristas.
Um dos funcionários de Fernando Cerimedo que atua no Brasil é o
brasileiro Giovanni Larosa, que recebeu ao menos R$ 3.900 para coordenar
a campanha de reeleição de Eduardo Bolsonaro nas cidades do oeste de
São Paulo, sob a rubrica “divulgação de propaganda eleitoral e apoio à
campanha”, no período de 12 a 30 de setembro, de acordo com dados da
Justiça Eleitoral.
Além de correspondente do La Derecha Diario Brasil, ele é apresentado
no portal como assessor de Eduardo para assuntos internacionais. Em
entrevista ao Cip, no entanto, Cerimedo diz: “[Esses serviços] não foram
prestados nem para La Derecha Diario nem para Eduardo. É o brasileiro
que viaja muito e faz vídeos. Ficou amigo de Eduardo e o leva para todo
lado. De nossa parte, só pagamos diárias para ele fazer notas sobre a
campanha”.
Em um vídeo postado por Eduardo Bolsonaro no dia 7 de outubro, Larosa
aparece acompanhando o parlamentar em uma viagem a São Paulo. Eles
entram no avião presidencial da Força Aérea Brasileira (FAB), onde
também estavam Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A relação da família Bolsonaro com Larosa é anterior ao período
eleitoral. Em 2021, ele divulgou sua visita ao Palácio da Alvorada
quando levou o típico doce argentino, alfajor, para o então presidente.
No mesmo ano, Larosa cobriu pelo La Derecha Diario o CPAC –
autointitulado o “maior evento conservador do país”. Na ocasião, ele fez
uma entrevista exclusiva com Jair Bolsonaro.
Com 77,5 mil seguidores no Instagram, 26 mil no Twitter e 39 mil no
TikTok, Larosa gravou vários vídeos com os Bolsonaros durante a campanha
e reproduziu ataques a Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também ajudou a
espalhar fake news sobre as urnas. Em 10 de novembro do ano passado, por
exemplo, escreveu no Twitter: “Se não é possível garantir que as
eleições no Brasil foram limpas, deve haver outra com maior
transparência”.
Larosa compartilhou imagens da invasão de 8 de janeiro aos prédios
dos três poderes em Brasília e escreveu notícias favoráveis ao
ex-presidente para o La Derecha Diario ao longo de 2022.
Em 2021, Giovanni Larosa fez parte da equipe de Cerimedo contratada
para a campanha da argentina Patricia Bullrich, presidente do partido de
direita Proposta Republicana. A mesma equipe hoje trabalha para Javier
Milei, candidato da ultradireita à presidência na Argentina e aliado
político da família Bolsonaro. Repetindo a estratégia bolsonarista,
Cerimedo solicitou informações ao governo argentino sobre o sistema
eleitoral, para supostamente evitar irregularidades nas eleições.
Paralelamente, o consultor flerta com a campanha de Donald Trump. Em
22 de março, ele postou uma foto no Twitter tomando café da manhã com
pessoas ligadas a Trump: “Grande café da manhã de trabalho esta manhã
com Carlos Diaz Rosillo, principal assessor do Secretário de Defesa em
Assuntos de Segurança Internacional do governo de @realDonaldTrump”,
escreveu em espanhol.
Ao ser questionado se vai trabalhar com Trump nas próximas eleições,
ele deixou o mistério no ar: “não posso compartilhar essa informação”.
Apesar de tentar culpar Lula, relatório aponta para militares do GSI
remanescentes do governo Bolsonaro, indicados pelo general Augusto
Heleno
Lula, militares e os atos terroristas bolsonaristas de 8 de janeiro (Foto: ABR)
247 - A conclusão do inquérito policial militar instaurado
para investigar a conduta dos militares do Exército durante os
atentados terroristas bolsonaristas de 8 de janeiro tenta livrar as
tropas de culpa pelas invasões e atribui "indícios de responsabilidade"
ao governo Lula, informa
a Folha de S. Paulo. Inquérito militar culpa generais aliados de Jair
Bolsonaro (PL) e do ex-minisrto do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI) Augusto Heleno, mantidos no Planalto no início administração
petista.
A investigação foi conduzida pelo coronel Roberto Jullian da Silva
Graça, hoje chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Planalto (CMP). O
inquérito cita supostas falhas da Secretaria de Segurança e Coordenação
Presidencial e do Departamento de Segurança Presidencial, ambos
subordinados ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Os chefes de
ambas as pastas, contudo, haviam sido nomeados durante o governo
Bolsonaro, pelo ex-ministro da pasta, general Augusto Heleno, e mantidos
pelo general Gonçalves Dias, que pediu demissão da liderança do
ministério em abril após filmagens o mostrarem circulando entre os
terroristas no dia das invasões.
"É possível concluir que, sendo realizado um planejamento das ações
de segurança adequado, com o acionamento de valor de tropa suficiente, a
execução das ações de segurança por parte das tropas do CMP teria
melhores condições de êxito [...] Nesse sentido, a invasão ao Palácio do
Planalto poderia ter sido evitada ou minimizado os danos patrimoniais
sofridos", diz um trecho da conclusão do relatório.
A tentativa de atribuir ao governo Lula a responsabilidade pelas
invasões oculta, no entanto, a conivência de autoridades do Exército com
os acampamentos golpistas montados em frente ao QG de Brasília meses
antes dos ataques golpistas, após Jair Bolsonaro ser derrotado nas
urnas. As investigações da CPMI do 8 de janeiro apontam os acampamentos como o centro de planejamento para as invasões
e também revelam uma série de crimes que ocorriam nos espaços
protegidos pelo Exército. Os acampamentos, inclusive, contavam com a
presença de familiares de militares.
247 - Um levantamento realizado pelo Poder360 apontou
que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram alvos de
hostilizações em pelo menos 74 ocasiões no período de 2017 a 2023. A
pesquisa levou em consideração a composição mais recente da Corte. O
último incidente registrado aconteceu em 14 de julho, quando o ministro
Alexandre de Moraes e seu filho foram insultados no aeroporto de Roma,
na Itália. Os responsáveis pelas ofensas estão sob investigação.
Dentre os 74 episódios de hostilização, em 53 deles não houve ação
judicial. Moraes foi o mais frequente alvo de ofensas, totalizando 30
casos neste período. No entanto, todos os ministros do STF foram
atingidos por pelo menos uma ocorrência de insulto ou acusação.
O ano de 2021 se destacou com o maior número de casos, totalizando 24
ofensas dirigidas aos magistrados. Alexandre de Moraes e Roberto
Barroso foram os ministros mais visados, com 11 e 8 episódios de
hostilização, respectivamente. O ano de 2022 também apresentou uma alta
incidência, com 21 casos registrados.
Jair Bolsonaro (PL) se destacou como um dos principais responsáveis
pelas hostilizações aos ministros, tendo dirigido insultos aos
magistrados em pelo menos 23 ocasiões durante o seu mandato. Alguns
casos geraram pedidos de investigação, mas até o momento, poucos foram
judicializados.
Pelo Twitter, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino
(PSB), reagiu aos números: "isso é péssimo para o Brasil, na medida em
que são tentativas de impedir o livre exercício do Poder Judiciário. Não
são 'hostilidades' pessoais, são agressões contra a Constituição".
Míriam
Leitão era contra o pré sal, depois dizia que o Brasil não tinha como
explorar esse petróleo em águas profundas, agora diz que a PETROBRAS tem
que aumentar o preço dos combustíveis. Quem será que paga ela para ser
contra nosso desenvolvimento? Ela sempre tenta pautar ou dar pitaco no
governo Lula, até tenta desqualificar o economista e professor Marcio
Pochmann, indicado pelo Presidente para dirigir o IBGE
Salles ocupou o cargo de ministro do Meio Ambiente entre janeiro de
2019 e junho de 2021, período em que efetuou mais de 130 viagens pelo
país, 90 delas com destino a São Paulo
(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
247 - A Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da
República tomou uma decisão sancionatória contra o deputado federal
Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair
Bolsonaro, em decorrência de uma série de deslocamentos realizados a São
Paulo, seu reduto eleitoral, utilizando recursos públicos. Salles
ocupou o cargo de ministro do Meio Ambiente entre janeiro de 2019 e
junho de 2021, período em que efetuou mais de 130 viagens dentro do
país, sendo 90 delas com destino a São Paulo.
“De acordo com a Comissão de Ética, as idas de Salles à São Paulo,
sobretudo aos fins de semana, ocorriam sem os devidos registros dos
compromissos públicos em sua agenda oficial, o que contraria o princípio
da transparência. O colegiado identificou a ocorrência de infração
ética pelo ex-ministro”, destaca o jornal O Estado de S. Paulo. As viagens teriam custado R$ 230,4 mil aos cofres públicos.
Ainda conforme a reportagem, o colegiado entendeu que Salles teria
violado o artigo 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal
(CCAAF), o qual estabelece que autoridades públicas devem pautar-se
pelos padrões da ética, "principalmente no que diz respeito à
integridade, moralidade, clareza de posições e decoro".
“A votação foi acirrada. Três conselheiros indicados por Bolsonaro
entenderam não haver irregularidade na conduta do ex-ministro do Meio
Ambiente. Outros três membros do colegiado, indicados por Lula num ato
sem precedentes, votaram a favor da punição. Foi necessário o voto de
minerva do presidente da Comissão de Ética, Edson Leonardo, para punir
Salles”, ressalta a reportagem. A sanção aplicada se caracteriza como
uma censura ética, o que, na prática, configura uma mancha no currículo
do ex-ministro.
Procurado para comentar a decisão, Salles afirmou, inicialmente, que
não tinha conhecimento da punição. Em seguida, ele explicou que foram
fornecidas informações à CEP alegando que, durante a pandemia, com a
escassez de voos diretos, "quase todos os voos para diferentes regiões
do Brasil partiam de SP, o que foi ignorado na decisão".
Em junho, a Comissão de Ética Pública instaurou um procedimento
contra Ricardo Salles por suspeita de interferência na atuação da
Polícia Federal. Salles foi alvo da operação Akuanduba em maio de 2021,
com suspeitas de ter atuado em favor de madeireiros ilegais. Um mês
antes, o delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva foi afastado da
chefia da Superintendência do Amazonas após acusar o então ministro do
Meio Ambiente de obstruir uma investigação que resultou em uma apreensão
recorde de madeira ilegal.
César Lira, superintendente do Incra em Alagoas, responde a uma ação
do MPF por desvio de dinheiro de diárias de funcionários terceirizados
MPF acusa chefe do Incra em Alagoas, primo de Arthur Lira, de desvio de dinheiro (Foto: Divulgação/Câmara de Maceió)
247 - O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação
contra o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) em Alagoas, César Lira, sob a acusação de desviar
diárias “fictícias” de viagem, pagas pelo governo a funcionários
terceirizados. César é primo do atual presidente da Câmara dos
Deputados, Arthur Lira (PP).
“César Lira foi nomeado por indicação de seu primo Arthur Lira — hoje
presidente da Câmara dos Deputados — ainda em 2017, no governo Michel
Temer. Foi quando começou a ter atritos com uma empresa com a qual a
superintendência tinha contrato, a Mega Service”, diz o jornalista Guilherme Amado em sua coluna no Metrópoles.
Ainda de acordo com a reportagem, a investigação conduzida pela
Polícia Federal (PF) aponta que César Lira pressionou a demissão de oito
funcionários da Mega Service, substituindo-os por indicados pessoais.
Esses aliados receberam diárias que, posteriormente, eram desviadas em
um esquema fraudulento. O inquérito também revelou indícios de um
possível crime eleitoral, cujos detalhes permanecem sob sigilo.
Segundo relatos, os funcionários supostamente viajavam a serviço,
mas, na realidade, permaneciam em outras localidades. Por exemplo, um
servidor chamado Cristiano Dorta, próximo ao superintendente, recebia
diárias para viagens a Branquinha e Japaratinga, mas foram encontradas
fotos suas em Boa Viagem (Recife) e Maceió, durante os mesmos períodos
de tempo.
As investigações apontam que Dorta recebia, em média, R$ 2,9 mil
adicionais por mês em diárias pagas pelo governo federal através do
Incra, mesmo não cumprindo com as tarefas previstas nas ordens de
serviço. Além disso, depoimentos afirmam que ele consumia álcool durante
o horário de trabalho.
Outra denúncia grave mencionada durante o processo é que a empresa
Mega Service foi pressionada a contribuir financeiramente para manter o
contrato com o Incra. Ocorreram demissões de funcionários e
substituições de acordo com as indicações do superintendente César Lira,
e quando a empresa negou o repasse de dinheiro, os pagamentos começaram
a atrasar até que o contrato fosse finalmente encerrado
César Lira também está associado a outro escândalo de corrupção, pois
seu nome figurava na lista de funcionários fantasmas da Assembleia
Legislativa de Alagoas, descoberta durante a Operação Taturana,
conduzida pela PF, que revelou desvios de recursos públicos, totalizando
R$ 300 milhões.
A reportagem ressalta ainda, que “o governo quer substituir César
Lira na direção do Incra, mas espera um aval do presidente da Câmara dos
Deputados”.
TSE multa Bolsonaro e Braga Netto em R$ 110 mil por propaganda do 7 de setembro
Além disso, Benedito Gonçalves determinou que Bolsonaro e Braga Netto
expliquem a origem de recursos utilizados em atos de campanha
realizados no 7 de setembro
Braga Netto e Jair Bolsonaro (Foto: Agência Brasil)
247 - O ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior
Eleitoral, determinou nesta sexta-feira (28) uma multa de R$ 110 mil
para o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Walter Braga Netto,
devido ao descumprimento de uma decisão judicial.
Ambos são alvos de ações no TSE por abuso de poder político e uso
indevido de comunicação. Segundo a determinação de Gonçalves, Bolsonaro e
Braga Netto não cumpriram a ordem para remover de seus perfis em redes
sociais a propaganda eleitoral contendo imagens do ex-presidente
capturadas durante os eventos oficiais de comemoração do Bicentenário da
Independência. Cada um deverá pagar R$ 55 mil.
O ministro destacou que as postagens irregulares foram mantidas entre
12/09/2022 e 22/09/2022, mesmo após a campanha ter se comprometido a
retirar o conteúdo. Dos 40 links que deveriam ter sido excluídos, 17
permaneceram em desacordo com a decisão.
Além disso, Benedito Gonçalves determinou que Bolsonaro e Braga Netto
expliquem a origem de recursos utilizados em atos de campanha
realizados no 7 de setembro.
As solenidades ocorreram tanto no Rio de Janeiro quanto em Brasília e
foram transmitidas pela TV Brasil. Em sua passagem pela capital
federal, o ex-presidente dirigiu críticas a ministros do Supremo
Tribunal Federal, comemorou a redução do preço da gasolina e a expansão
do Auxílio Brasil, ao mesmo tempo que afirmou que as eleições daquele
ano se configurariam como uma "batalha entre o bem e o mal", fazendo
alusão a Lula.
Em quatro decisões distintas, o ministro Benedito Gonçalves também
agendou audiências com as seguintes autoridades: o governador do
Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); o governador do Rio de Janeiro,
Cláudio Castro (PL); o senador Ciro Nogueira (PP), que na época era
ministro-chefe da Casa Civil e atualmente é senador; e o ex-ministro da
Defesa Paulo Sérgio Nogueira.
Movimentação foi considerada incompatível com o porte, o patrimônio, a atividade e a capacidade financeira da empresa
Michelle Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)
247 - O Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf) anunciou ter encontrado movimentação financeira "incompatível"
nas contas da empresa investigada por supostamente financiar despesas
pessoais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo,
a Cedro do Líbano Comércio de Madeira e Materiais para Construção, alvo
das investigações, “a empresa recebeu R$ 16,6 milhões e desembolsou R$
16,6 milhões entre o começo de janeiro de 2020 e o fim de abril deste
ano. A movimentação de R$ 32,2 milhões foi considerada incompatível com o
porte, o patrimônio, a atividade e a capacidade financeira da empresa”.
"Chama atenção a aparente incompatibilidade entre o porte /
estrutura, vis à vis o volume transacionado a crédito no período
analisado, o que supostamente pode demonstrar que cliente esteja
utilizando a conta para transacionar recursos provenientes de atividades
não declaradas", diz um trecho do documento do documento do Coaf sobre a
Cedro do Líbano, que também está sob investigação do Tribunal de Contas
da União (TCU).
Ainda segundo a reportagem, o relatório do Coaf aponta duas
transferências bancárias de R$ 8.330,00 cada para o sargento Luís Marcos
Dos Reis, um dos militares da equipe de Mauro Cesar Barbosa Cid,
ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Cid e Reis foram
presos em maio sob suspeita de envolvimento em um esquema de fraude nos
cartões de vacinação de Bolsonaro. Antes de ser preso, Reis havia
participado pessoalmente dos ataques golpistas ocorridos em 8 de janeiro
em Brasília.
A Cedro do Líbano entrou na mira da CPI e da PF não apenas por suas
transações com o militar que trabalhou com o ex-presidente, mas também
por ter fechado contratos com a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento
dos Vales do São Francisco e Parnaíba) durante o governo Bolsonaro.
Mais de mil relatórios da Abin e do GSI apontavam para milhares de
mortes e para colapso da rede de saúde e funerária. Documentos também
desaconselhavam o uso da cloroquina
Jair Bolsonaro e covas para mortos por coronavírus (Foto: Agência Brasil | Reuters)
247 - Agentes de inteligência vinculados ao governo de
Jair Bolsonaro (PL) produziram mais de mil relatórios sobre a pandemia,
projetando um aumento nos números de casos e mortes no Brasil, enquanto o
então mandatário ignorava as medidas de combate à Covid-19 e a
distribuição de vacinas. Esses documentos foram mantidos em sigilo
durante o período entre março de 2020 e julho de 2021. Os relatórios,
que contêm carimbos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), GSI
(Gabinete de Segurança Institucional) e algumas vezes não são
identificados por autor, reforçam o fato de que Bolsonaro ignorou tanto
as recomendações do Ministério da Saúde quanto as informações coletadas
pelos agentes de inteligência dentro do próprio Palácio do Planalto,
informa a Folha de S. Paulo.
Os documentos elaborados por agentes da Abin e do GSI destacavam a
importância do distanciamento social e da vacinação como formas eficazes
de controlar a doença. Além disso, os relatórios alertavam sobre a
possibilidade de colapso da rede de saúde e funerária no Brasil e
desaconselhavam o uso da cloroquina, mostrando estudos que apontavam
seus potenciais riscos. Eles também reconheciam a falta de transparência
do governo Bolsonaro na divulgação dos dados da pandemia e a lentidão
do Ministério da Saúde em definir estratégias de testagem e combate à
doença.
A maior parte dos relatórios projetava três cenários de avanço de
casos e mortes por Covid-19 no Brasil, classificando-os do mais grave ao
menos grave, para um período de aproximadamente duas semanas seguintes.
No entanto, Bolsonaro contrariou repetidamente as recomendações dos
técnicos de saúde e dos agentes de inteligência, ao promover
aglomerações e menosprezar as medidas para evitar a propagação do vírus.
Em diversas ocasiões, ele chegou a minimizar a gravidade da doença,
referindo-se à Covid-19 como "mimimi".
Os dados efetivamente registrados durante a pandemia se aproximaram
das estimativas feitas pela Abin, e em alguns casos, a disseminação do
vírus ultrapassou as expectativas dos agentes de inteligência. Em abril
de 2021, por exemplo, o número de mortos no Brasil chegou a 341.097,
enquanto a projeção feita em março apontava entre 330.216 e 338.558
mortes, nos cenários mais otimista e pessimista, respectivamente.
Os relatórios foram produzidos principalmente para discussões no
comitê liderado pela Casa Civil sobre as ações do governo durante a
pandemia, mas não eram compartilhados com todos os membros do comitê e
apenas chegavam às mãos de assessores de poucos ministros. Integrantes
da cúpula do Ministério da Saúde afirmaram desconhecer a existência
desses relatórios.
Esses relatórios de inteligência também alertavam sobre os riscos do
desgaste político resultante de uma má gestão federal da pandemia. Eles
mencionavam que problemas no sistema funerário poderiam impactar
negativamente a percepção da população sobre as ações estatais no
enfrentamento da pandemia e minar a confiança no governo. Além disso,
apontavam o risco de boicotes internacionais ao Brasil devido à falta de
transparência nos dados sobre a Covid-19.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid não recebeu os
documentos da Abin, apesar de ter solicitado previsões do governo sobre a
pandemia. O governo Bolsonaro justificou a negativa de acesso aos
documentos alegando que eles eram apenas instrumentos de estudo e,
portanto, não deveriam ser divulgados.
Desde o início da pandemia até agora, o Brasil registrou 704.659
mortes por Covid-19 e 37.717.062 casos, de acordo com o Ministério da
Saúde.
Mais de 1.100 desses documentos foram disponibilizados ao jornal após
várias solicitações baseadas na LAI (Lei de Acesso à Informação).
Enquanto a gestão passada de Bolsonaro negou o acesso aos documentos da
Abin e do GSI, a gestão do presidente Lula (PT) mudou a postura e passou
a apresentar esses papéis a partir de maio. Bolsonaro, bem como os
ex-ministros Braga Netto (Casa Civil) e Eduardo Pazuello (Saúde), não
quiseram comentar sobre os relatórios.
A imprensa ocidental controlada pelo
imperialismo liderado pelos EUA continua batendo na Rússia pela invasão
na Ucrânia, mas ninguém fala na invasão de Israel no território
palestino e nem da ocupação de grande parte do território sírio pelos
EUA, inclusive roubando o petróleo do território ocupado.
A
Imprensa comandada pelo império americano continua chamando a Venezuela e
Cuba de ditaduras e pressionando os países da região a ficarem do seu
lado contra essas nações que são sancionadas pelos EUA a mais de meio
século, no entanto apoiam a ditadura na Arábia Saudita sem nunca ter
sancionado o país árabe por desrespeito aos Direitos Humanos ou qualquer
outra coisa.
Virou moda agora a vinda de autoridades americanas
dar pitaco no Governo Lula, seja para apoiar os EUA em sua guerra contra
a Rússia, seja para pressionar o Brasil para derrubar o Maduro e
colocar um capacho dos interesses econômicos dos EUA, seja para Brasil
cuidar só da questão ambiental e esquecer política de desenvolvimento
industrial e científico, seja oferecendo satélites de vigilância para a
Amazônia onde as informações seriam controlados por eles ou para Brasil
se afastar da China e da Rússia.
Ainda não há pedido para quebra de sigilo das contas pessoais dos
procuradores da Lava Jato ou do ex-juiz parcial Sergio Moro, mas essa
possibilidade não está descartada
Sergio Moro e Deltan Dallagnol (Foto: Marcos Corrêa/PR | Pedro de Oliveira/ALEP
247 - A Polícia Federal iniciará uma investigação
detalhada sobre todas as transações realizadas através de contas
associadas à Operação Lava Jato, informa Jamil Chade, do UOL.
O objetivo principal é rastrear a origem, o destino e os procedimentos
utilizados pelos procuradores em transferências que envolvem valores
milionários. A iniciativa foi encaminhada pelo gabinete do ministro da
Justiça, Flávio Dino (PSB), para a 13ª Vara Federal, em Curitiba, onde
já está em andamento um procedimento estabelecido pelo Conselho Nacional
de Justiça para apurar a atuação dos procuradores da Lava Jato. >>> Dallagnol é acionado no TCU após diálogos secretos com os EUA sobre divisão de dinheiro da Petrobrás
Fontes ouvidas pelo jornalista relatam que contas judiciais ainda
permanecem ativas, com recursos também aguardando definição na Suíça. O
objetivo da investigação é determinar se havia critérios e parâmetros
adequados para as transferências de recursos realizadas pelos
procuradores. A Polícia Federal foi instruída a intensificar a apuração
após a revelação de que o ex-coordenador da Lava Jato, o ex-procurador
Deltan Dallagnol, negociou em sigilo com os Estados Unidos a divisão do dinheiro cobrado da Petrobrás. Suspeita-se que o grupo em Curitiba detinha uma situação de acúmulo de poder.
Nesta fase inicial, a investigação se concentrará na análise da
origem, destino e procedimentos das contas sob a gestão do poder
judicial e da 13ª Vara. Por ora, não há solicitação para a quebra de
sigilo das contas pessoais dos procuradores ou do ex-juiz parcial e
atual senador Sergio Moro (União Brasil-PR), mas essa possibilidade não
está descartada caso os resultados apontem qualquer tipo de
irregularidade.
Quando os distúrbios eclodiram na França, no final de junho,
a polícia levou pouco menos de uma semana para fazer mais de 3 mil
prisões.
Os confrontos nas ruas de Paris e Marselha evocaram outros
confrontos recentes com as forças de repressão estatal: pense nas 22 mil
prisões feitas pela polícia iraniana no outono passado, ou nas dez mil
detidas nos Estados Unidos durante o verão do Black Lives Matter.
O que essas três revoltas, em três continentes diferentes, têm em comum?
Para começar, a idade e a classe social dos manifestantes.
As pessoas detidas tinham quase na totalidade menos de 30 anos e uma
parte desproporcionada eram NEET (pessoas que não estudavam, trabalhavam
ou não tinham formação).
Na França e nos EUA, isso estava ligado à sua condição de minorias racializadas: 26% da população jovem nas zonas “urbaines sensible”
são NEET, em comparação com a média nacional de 13%, e os
afro-americanos compreendem quase 14% da população geral, mas 20,5% dos
NEETs.
No Irã, por sua vez, o fator decisivo foi a idade: os jovens viveram a vida inteira sob as sanções dos EUA.
Dados recentes mostram que cerca de 77% dos iranianos entre
15 e 24 anos se enquadram nessa categoria – contra cerca de 31% em 2020.
O segundo fator comum é ainda mais marcante. Nos três casos,
os protestos eclodiram após um assassinato cometido pela polícia:
George Floyd, um afro-americano, foi morto em Minneapolis em 25 de maio
de 2020; a curda Mahsa Amini, de 22 anos, em Teerã, em 16 de setembro de
2022; e Nahel Merzouk, de 17 anos, de ascendência argelina, em
Nanterre, em 27 de junho.
No rescaldo destas mortes, os holofotes mediáticos foram
postos nos “vândalos”, “bandidos”, “hooligans” e “criminosos” que saíram
à rua, mas raramente na própria aplicação da lei.
No Irã, a identidade do policial que causou a morte de Amini
sequer é conhecida. Em França, o porta-voz de Éric Zemmour lançou uma
campanha para angariar fundos online com o objetivo de apoiar o policial
que matou Nahel; ele arrecadou mais de 1,6 milhões de euros antes de
ser retirado.
Uma terceira característica conecta tais protestos e sua repressão à agitação em outros países: a repetição monótona.
Há sempre a mesma cena recorrente: vitrines quebradas,
carros incendiados, alguns supermercados saqueados, gás lacrimogêneo e
disparos de bala ocasionais da polícia.
No Ocidente, a mesma fórmula existe há décadas: a polícia
mata um jovem de uma comunidade marginalizada; os jovens desta
comunidade se levantam; destroem algumas coisas e entram em confronto
com a polícia; eles estão presos.
O clima volta a uma espécie de tranquilidade precária, até que a polícia decide assassinar alguém novamente.
(Os protestos do Irã no ano passado foram o primeiro grande
levante contra a violência policial no país – um sinal de que até mesmo a
terra dos aiatolás está abrindo caminho para a “modernidade
ocidental”.)
A França tem uma longa história de incidentes desse tipo. Para dar apenas alguns exemplos indicativos:
–em 1990, um jovem paralisado chamado Thomas Claudio é morto nos subúrbios de Lyon por um carro da polícia;
— em 1991, um policial atira e mata Djamel Chettouh, de 18 anos, em um “banlieue” de Paris;
— em 1992, novamente em Lyon, a gendarmaria atirou e matou
Mohamed Bahri, de 18 anos, por tentar fugir de uma parada de trânsito;
— no mesmo ano, na mesma cidade, Mourad Tchier, de 20 anos, é morto por um brigadeiro-comandante da gendarmaria;
— em Toulon, em 1994, Faouzi Benraïs sai para comprar um hambúrguer e é morto pela polícia;
— em 1995, Djamel Benakka é espancado até a morte por um policial na delegacia de Laval.
Avançando: os motins de 2005 foram uma resposta à morte de
dois adolescentes, Zyed Benna (17) e Bouna Traoré (15); os de 2007
buscaram reparação pela morte de mais dois, Moushin Sehhouli (15) e
Laramy Samoura (16), cuja motocicleta colidiu com um carro da polícia.
A ladainha é insuportável: bastaria lembrar a morte de
Aboubacar Fofana (22) em 2018, morto pela polícia em Nantes durante uma
checagem de identidade.
Observe como os nomes das vítimas são impressionantemente
gauleses: Aboubakar, Bouna, Djamel, Fauzi, Larami, Mahaed, Mourad,
Moushin, Zyed…
A mesma dinâmica pode ser encontrada do outro lado do Atlântico.
Miami, 1980: quatro policiais brancos são acusados de
espancar até a morte um motociclista negro, Arthur McDuffie, depois que
ele passou um sinal vermelho.
Eles são absolvidos, precipitando uma onda de tumulto que abala Liberty City, resultando em 18 mortes e mais de 300 feridos.
Los Angeles, 1991: quatro policiais brancos espancam outro motociclista negro, Rodney King.
Os distúrbios subsequentes causam pelo menos 59 mortes e mais de 2.300 feridos. O “rioting” se espalha para Atlanta, Las Vegas, Nova York, São Francisco e San Jose.
Cincinnati, 2001: um policial branco mata um homem negro,
Timothy Thomas, de 19 anos, e 70 pessoas ficam feridas nos protestos que
se seguiram.
Ferguson, 2014: um policial branco mata Michael Brown, um jovem negro de 18 anos; motins, 61 presos, 14 feridos.
Baltimore, 2015: um homem negro de 25 anos morre de vários
ferimentos sofridos enquanto é detido em uma van da polícia; confrontos
deixam 113 policiais feridos; duas pessoas são baleadas, 485 presas, e
um toque de recolher é imposto com a Guarda Nacional intervindo.
Charlotte, 2016: polícia atira no afro-americano Keith
Lamont Scott, de 43 anos; motins, toque de recolher, mobilização da
Guarda Nacional.
Um manifestante é morto durante manifestações, Justin Carr,
de 26 anos; 31 estão feridos. Finalmente chegamos a George Floyd; o
cenário se repete.
A polícia britânica não tem razões para se sentir inferior
aos seus homólogos transatlânticos, nem aos seus vizinhos do outro lado
do Canal da Mancha.
Aqui alguns exemplos entre muitos: Brixton, 1981:
brutalidade policial constante e questões de assédio em protestos e
motins entre a comunidade negra; 279 polícias e 45 civis estão feridos
(os manifestantes evitam hospitais por medo), 82 detenções, mais de cem
veículos queimados, 150 edifícios danificados, um terço dos quais
incendiados.
A reviravolta se estende a Liverpool, Birmingham e Leeds.
Brixton, 1985: a polícia vasculha a casa de um suspeito e atira em sua mãe, Cherry Groce.
Um fotojornalista é morto, 43 civis e 10 policiais ficam
feridos, 55 carros são incendiados e um prédio é completamente destruído
após três dias de tumultos (Cherry Groce sobrevive aos ferimentos, mas
permanece paralisada).
Tottenham, 1985: uma mulher negra, Cynthia Jarrett, morre de
parada cardíaca durante uma busca domiciliar realizada pela polícia, e
um policial é morto por multidões nos distúrbios resultantes.
Brixton, 1995: protestos após um homem negro de 26 anos morrer sob custódia; 22 prisões.
Tottenham, 2011: polícia atira e mata Mark Duggan; tumultos
eclodem, estendendo-se a outras áreas de Londres e depois a outras
cidades.
Nos seis dias seguintes, cinco pessoas morreram, 189 policiais ficaram feridos e 2.185 prédios foram danificados.
Beckton, 2017: um português negro de 25 anos, Edson da
Costa, morre asfixiado após ser parado pela polícia. Nos protestos
subsequentes em frente à delegacia, quatro são presos e 14 policiais
ficam feridos.
Imagino que essa lista foi tão exasperante de ler quanto enfurecedora de escrever.
Nesse ponto, a violência policial não pode ser considerada uma “bavure”, como dizem os franceses, mas uma característica persistente e transnacional do capitalismo contemporâneo.
(Aqui pode-se lembrar de Bertolt Brecht, que, diante da
reação do governo da Alemanha Oriental ao protesto popular em 1953,
perguntou: “Não seria mais simples se o governo dissolvesse o povo para eleger um novo?“).
O que é espantoso é que, depois de cada uma dessas
reviravoltas, milhares de urbanistas, sociólogos, criminologistas,
profissionais de saúde, instituições de caridade e ONGs se voltem, em
sua contrição, para as profundas causas sociais, culturais e
comportamentais de tais “violências”, “excessos”, “explosões” e
“vandalismos”.
A polícia, no entanto, não é considerada digna da mesma
atenção. A violência policial é frequentemente descrita, mas raramente
escrutinada.
Nem mesmo Foucault aguçou nossa compreensão sobre isso,
concentrando-se em locais específicos onde a aplicação da lei é
organizada e institucionalizada.
O policiamento evoluiu claramente ao longo dos séculos:
subdividiu-se em corpos especializados (trânsito, polícias urbanas, de
fronteira, militares e internacionais) e suas ferramentas foram
aperfeiçoadas (escutas telefônicas, rastreamento, vigilância
eletrônica).
Mas manteve-se idêntico tanto na sua opacidade como na sua
irreformabilidade. Os Estados mencionados acima nunca colocaram uma
reforma policial significativa na agenda.
Nenhum de seus governos jamais pressionou por uma
alternativa – por que um regime gostaria de mexer em seu mecanismo
disciplinar mais eficaz? Nem tumultos, tumultos e agitações conseguiram
provocar mudanças.
Parece, inversamente, que a raiva popular é um fator
estabilizador, uma válvula de segurança para a panela de pressão social.
Enfim, solidifica a imagem que os poderosos têm da população.
Nas Histórias de Heródoto, escritas no século 5 a.C., o nobre persa Megabyzus afirma:
“Não há nada tão vazio de entendimento, nada tão cheio de
desfaçatez, como a ralé. Eis que era loucura não suportar a dominação.
Os homens, quando procuravam escapar da devassidão de um tirano,
entregavam-se à mesquinhez de uma turba rude e desenfreada. O tirano, em
todos os seus feitos, pelo menos sabe do que se trata, mas uma turba é
completamente desprovida de conhecimento; pois como pode haver
conhecimento em uma ralé, que não foi ensinada e que não possui um senso
natural do que é certo e adequado? Corre descontroladamente contra as
instituições do Estado com toda a fúria de um riacho inchado no inverno –
e confunde tudo”.
Do ponto de vista do regime, é bem possível que os motins
sejam bem-vindos, pois garantem a renormalização, permitem que os
“bantustões” sociais permaneçam assim e esvaziam os descontentamentos
que, de outra forma, poderiam ser perigosos.
Naturalmente, para que desempenhem essa função
estabilizadora, devem estar sujeitos à condenação externa: o vandalismo
deve ser denunciado, a violência deve provocar indignação, os saques
devem causar nojo.
Tais reações justificam a crueldade da repressão, que se
torna o único meio de vencer a maré da barbárie. É nessas condições que
os motins servem para ossificar a hierarquia social.
Não podemos deixar de recordar as revoltas populares que periodicamente abalavam o “ancien régime”
e eram regular e impiedosamente reprimidas: a Grande Jacquerie de 1358
(que deu origem ao nome comum para todas as revoltas camponesas
subsequentes), a Revolta de Tuchin em Languedoc (1363-84), a Revolta de
Ciompi em Florença (1378), a Rebelião de Wat Tyler (1381), a Guerra
Camponesa na Alemanha (1524-6), o Carnaval em Romanos (1580) e a Revolta
de Masianello em Nápoles (1647).
O historiador Samuel Cohn contou mais de 200 desses casos na França, Flandres e Itália de 1245 a 1424.
Mas foi o grande historiador Marc Bloch quem observou como o sistema feudal precisava dessas revoltas para se sustentar:
“Um sistema social não se caracteriza apenas pela sua
estrutura interna, mas também pelas reações que provoca: um sistema
fundado em mandamentos pode, em certos momentos, implicar deveres
recíprocos de ajuda realizados honestamente, como também pode levar a
explosões brutais de hostilidade. Aos olhos do historiador, que deve
apenas observar e explicar as relações entre os fenômenos, a revolta
agrária aparece como inseparável do regime senhorial como, por exemplo, a
greve está para a grande empresa capitalista”.
A reflexão de Bloch nos leva à seguinte questão: se a “jacquerie”
é inseparável do feudalismo e a greve do capitalismo fordista, então a
que sistema de dominação corresponde o tumulto dos NEETs?
Só há uma resposta: um sistema – o neoliberalismo – em que a plebe foi reconstituída.
Quem são esses novos plebeus? São os NEETs dos arranha-céus
dos EUA e os bairros do sul de Teerã, os subproletários das zonas
sensíveis.
Eles são a classe que muitos dos chamados “progressistas” de hoje desprezam, temem ou, na melhor das hipóteses, ignoram.
*Marco D’Eramo é jornalista. Autor, entre outros livros, de The Pig and the Skyscraper (Verso).
"Com sigilo bancário quebrado, só vai piorando a situação dele, do chefe e da ex-primeira dama", afirmou o parlamentar
Mauro Cid e Rogério Correia (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil | Reprodução)
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro está em apuros.
"Pressão de setores das Forças Armadas para o STF liberar da prisão
do ex ajudante de ordem de Bolsonaro, não vai funcionar", escreveu o
parlamentar em suas redes sociais. Correia integra a Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os atos golpistas de 8 de
janeiro.
"Com sigilo bancário quebrado, só vai piorando a situação dele, do
chefe e da ex-primeira dama. Dizem que a conta parece uma lavanderia!",
completou.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente
Jair Bolsonaro, ficou em silêncio durante o depoimento à CPMI. Ele está
preso desde maio por conta da fraude em cartões de vacina.
Mauro
Cid em apuros!
Pressão de setores das Forças Armadas para o STF liberar da prisão o ex
ajudante de ordem de Bolsonaro, não vai funcionar. Com sigilo bancário
quebrado, só vai piorando a situação dele, do chefe e da ex primeira
dama.
Dizem q a conta parece uma lavanderia!
Há
dois anos e quase sete meses, o mundo assistiu, estarrecido, ao vivo e a
cores como se dizia antigamente, a invasão do prédio do Congresso dos
Estados Unidos, incentivada pelo então presidente republicano Donald
Trump, derrotado pelo democrata Joe Biden.
Fazia muito frio em Washington naquele 6 de janeiro
de 2021. Os católicos celebravam o Dia de Reis, data em que, segundo a
tradição cristã, os Três Reis Magos visitaram o recém-nascido Jesus de
Nazaré. Trump disse que a eleição lhe fora roubada.
Dali a 14 dias. Biden, o segundo presidente católico do país (o
primeiro foi John Kennedy), tomaria posse, e era isso que Trump e seus
seguidores brancos da extrema-direita queriam impedir. Fracassaram. Nem
por isso a democracia por lá está segura.
O país de 2021 quase rachado ao meio está da mesma forma. E Trump,
apesar de responder na justiça a 37 acusações por sete crimes, é o nome
dos republicanos com mais chances de disputar as eleições presidenciais
do próximo ano, outra vez contra Biden.
O governo Biden está perto do fim sem que ele tenha conseguido
pacificar os Estados Unidos. Tentou e continua tentando, mas não depende
só dele. O país segue aos pedaços, sem dar sinais de paz. E pela lei,
Trump poderá ser eleito e governar mesmo preso.
Aqui, Bolsonaro ficou inelegível até 2030. O prazo poderá se estender
se for condenado em mais um dos 15 processos que ainda responde. É
provável que seja. Não é que acabe preso. Mesmo depostos, Fernando
Collor de Mello e Dilma não foram presos.
Michel Temer foi por poucos dias. Lula, por 580 dias. Prender
Bolsonaro por alguns meses ou mais de um ano seria transformá-lo em
mártir da extrema-direita, e de parte da direita que, por vergonha do
que de fato é, apresenta-se como direita civilizada.
O golpe do 8 de janeiro, em breve, completará sete meses, apenas.
Ainda não foi desvendado de todo. Demorará a ser. Nos Estados Unidos,
alguns golpistas foram condenados e presos, mas restam muitos a ser
julgados. Aqui, restam quase todos.
O ideal de pacificação do país deve ser perseguido como ideal, mesmo
contra todas as evidências de que não será alcançado tão cedo – se é que
um dia será. A extrema-direita avança em quase todas as partes do
mundo, especialmente na Europa.
Na Espanha, o Partido Popular, de direita, tem tudo para vencer a
eleição deste domingo, mas para que governe vai depender do Vox, partido
da extrema-direita. Os dois, juntos, já governam regiões autônomas da
Espanha onde a liberdade está sendo minada.
É irrealista cobrar de Lula que suavize ou mude seu discurso sobre o
perigo que a democracia correu nos últimos quatro anos e, especialmente,
no 8 de janeiro; e da justiça, que encerre logo os inquéritos abertos
para apurar e punir os golpistas.
A justiça é lenta, como se sabe, mas sempre foi assim. Não é
necessariamente ruim que seja. Uma justiça apressada produz muitas
vítimas inocentes.
O levantamento foi feito com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação
(Foto: Pexels)
247 - “Pelo menos 36 milhões de vacinas compradas pelo
governo Bolsonaro foram herdadas pela gestão Lula já vencidas ou prestes
a perder a validade, sem prazo suficiente para o uso. Como resultado, o
Ministério da Saúde incinerou essas doses no primeiro semestre deste
ano, numa média de 200 mil doses descartadas ao dia”, informa o
jornalista Guilherme Amado, em sua coluna no portal Metrópoles.
“O levantamento, feito pela coluna com base em dados obtidos por meio
da Lei de Acesso à Informação, mostra que, de janeiro a junho, o
ministério incinerou 36,6 milhões de doses de imunizantes. A cada 10
doses de vacina descartadas, nove venceram ainda em 2022 ou até março
deste ano”, acrescenta.
Até o dia 18 de julho, foram contabilizados 12 desligamentos provocados por atos de vandalismo
Linhas de transmissão de energia elétrica (Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil)
247 - De acordo com relatório produzido pela Agência
Nacional de Energia Elétrica e entregue à CPMI do 8 de janeiro, o Brasil
registrou, este ano, o maior número de ataque a torres de energia em
seis anos.
Até o dia 18 de julho, foram contabilizados 12 desligamentos
provocados por atos de vandalismo. O número é o maior registrado desde
2017.
O documento foi produzido a pedido da senadora relatora da CPMI, Eliziane Gama (PSD-MA).
Os atos de vandalismo contra torres de energia foram instigados por
apoiadores bolsonaristas, principalmente pelas redes sociais, sob a
justificativa de que, a partir da desordem, seria faria necessária uma
intervenção militar para restauração da ordem.
Somente em oito dias de janeiro, mês dos atos golpistas em Brasília, o
número de ataques de vandalismo contra torres foi quatro vezes maior do
que em todo o ano de 2019, que contabilizou dois registros.
Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, anuncia programa para retirar armas de uso restrito de circulação
Flávio Dino e Lula 21/7/23 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
247 — O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio
Dino (PSB), revelou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (21) que o
governo planeja implementar um programa de recompra de armas com um
orçamento estimado em R$ 100 milhões de reais. A iniciativa visa
recomprar armas que eram de uso permitido e passaram a ser de uso
restrito devido às recentes mudanças nas regulamentações. O programa faz
parte de um conjunto de medidas estabelecidas por meio de um decreto
assinado pelo presidente Lula, que redefine as regras para a circulação
de armas no país.
Entre as principais mudanças anunciadas no decreto, está a limitação
do porte de armas de fogo para caçadores, atiradores e colecionadores
(CACs), uma categoria que havia sido amplamente beneficiada durante o
governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A nova regulamentação permitirá
o uso exclusivo das pistolas de calibre 9 milímetros, .40 e .45 ACP
pelas forças de segurança, proibindo sua aquisição por parte dos civis.
O objetivo do programa de recompra é retirar de circulação o estoque
de armas de fogo que agora são consideradas de uso restrito. No entanto,
aqueles que já adquiriram essas armas antes das mudanças poderão
mantê-las legalmente. O programa será implementado ao longo deste
semestre e funcionará no formato de adesão voluntária, ou seja, não será
obrigatório para os proprietários de armas consideradas restritas.
Flávio Dino enfatizou que o governo está considerando diferentes
abordagens para lidar com o arsenal já disponível. Atualmente, a
estratégia será baseada no incentivo econômico para persuadir os
proprietários a aderirem ao programa de recompra. O ministro afirmou que
estão empenhados em convencer os detentores dessas armas a participarem
voluntariamente do programa, mas também ressaltou a possibilidade de
adotar medidas mais coercitivas caso necessário. Essas ações seriam
determinadas com base nos indicadores de violência e nos resultados
iniciais do programa.
Com essa iniciativa, o governo busca reduzir o número de armas de uso
restrito em posse da população civil e, assim, potencialmente diminuir a
incidência de crimes violentos e acidentes envolvendo armas de fogo. O
programa de recompra representa uma das medidas mais significativas no
campo da segurança pública desde a chegada do novo governo, e promete
ser um ponto importante de debate político nos próximos meses.
Carlos possui uma pistola Glock 9mm e apresentou o requerimento à PF do Rio de Janeiro em 4 de julho.
Carlos Bolsonaro (Foto: Câmara Municipal do Rio de Janeiro)
247 - A Polícia Federal (PF) rejeitou o pedido de
renovação do porte de armas do vereador Carlos Bolsonaro
(Republicanos-RJ). Ele possui uma pistola Glock 9mm e apresentou o
requerimento à PF do Rio de Janeiro em 4 de julho.
De acordo com informações foram divulgadas pela TV Globo, no
requerimento, Carlos solicitou a "renovação da autorização para portar
arma de fogo", com validade de cinco anos e alcance nacional. Ele alegou
"necessidade efetiva" devido ao seu cargo de vereador e afirmou que sua
segurança estava em risco, com "sua vida sendo alvo".
Ao negar o pedido de renovação, a PF declarou que não foram
confirmadas ameaças ou perigos associados ao exercício de suas funções
como vereador. A corporação também afirmou que a documentação fornecida
por Carlos, solicitando a renovação, não era suficiente para comprovar
riscos individuais.