terça-feira, 11 de julho de 2023

EUA preparam sociedade para aprovar qualquer decisão contra a Rússia em Vilnius, diz embaixador

 José Reinaldo

Anatoly Antonov explicou que a situação continua a deslizar para o resultado mais desfavorável no confronto entre a Federação Russa e a Otan

Anatoly Antonov Anatoly Antonov (Foto: Anton Novoderezhkin/TASS)

TASS - Os Estados Unidos estão fazendo todo o possível para preparar a opinião pública para a aprovação de quaisquer decisões contrárias à Rússia que possam ser tomadas na cúpula da Otan em Vilnius de 11 a 12 de julho, segundo o embaixador russo em Washington, Anatoly Antonov.

"Na véspera da Cúpula da Otan, a atmosfera no cenário de informações dos EUA esquentou ao máximo. Todo esforço possível está sendo feito para preparar a opinião pública local para a aceitação de quaisquer decisões anti-russas que serão tomadas em Vilnius em nos próximos dias. A situação continua a degradar-se para o desfecho mais desfavorável do confronto entre a Rússia e os países da Otan. As decisões do Ocidente colocam obstáculos cada vez mais intransponíveis à saída da mais aguda crise política e militar, repleta das mais sérias consequências para a segurança internacional", afirmou.

Antonov também chamou a atenção para os padrões duplos e o cinismo da abordagem do governo dos EUA ao conflito na Ucrânia.

"O governo continua surpreendendo o mundo com novos exemplos de padrões duplos diariamente. Eles são abundantes. Quanto mais os americanos se envolvem no conflito na Ucrânia, mais cínicas suas ações parecem e mais dilapidados os princípios morais. Por muitos anos, os Estados Unidos demonstraram indiferença ao que estava acontecendo em Donbass. Fecharam os olhos para os assassinatos de pessoas na Casa dos Sindicatos em Odessa. Impuseram sanções pelas transgressões inexistentes da Rússia. Defenderam publicamente altos padrões de direitos humanos e vociferaram sobre a proibição de armas desumanas. Agora os próprios Estados Unidos estão jogando munições de fragmentação no abismo da crise ucraniana. Ao mesmo tempo, não se preocupam em dar desculpas. A única tese que os EUA defendem é que é necessário derrotar os russos," ele adicionou.

Em 7 de julho, o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse que os Estados Unidos decidiram enviar munições de fragmentação para a Ucrânia, apesar do fato de as Nações Unidas se oporem ao uso de tais munições. Ele também disse que Kiev emitiu garantias por escrito a Washington de que essas armas seriam usadas de forma a minimizar os riscos para os civis. O porta-voz do Pentágono, Patrick Ryder, disse na quinta-feira que os Estados Unidos estão prontos para fornecer à Ucrânia munições de fragmentação que representam o menor risco para os civis.

O vice-porta-voz do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, disse anteriormente, comentando sobre relatos da mídia sobre os planos dos EUA de fornecer tais munições à Ucrânia, que o secretário-geral da ONU, António Guterres, apoia a Convenção sobre Munições de Dispersão e é contra o uso de tais armas na campo de batalha.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/eua-preparam-sociedade-para-aprovar-qualquer-decisao-contra-a-russia-em-vilnius-diz-embaixador

Lituânia insta Otan a abandonar tratado com a Rússia

José Reinaldo

Presidente da Lituânia defende implantação permanente de tropas próximas à fronteira russa

Vladimir Putin, guerra na Ucrânia, Planeta e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA Vladimir Putin, guerra na Ucrânia, Planeta e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA (Foto: Reuters)

247 - No contexto da cúpula da Otan liderada pelos Estados Unidos, o presidente da Lituânia defendeu que os países membros do bloco implantem tropas nos seus territórios conforme considerem adequado, informa o site RT. Gitanas Nauseda acredita que os países membros da Otan deveriam estar menos preocupados com a capacidade nuclear da Rússia e posicionar tropas perto de sua fronteira de forma permanente, em vez de forma rotativa. "Com a Rússia tomando medidas ativas para implantar armas nucleares táticas na Bielorrússia... devemos finalmente declarar o Tratado  Otan-Rússia como morto", disse Gitanas Nauseda.

Ele estava se referindo ao tratado de 1997 entre a aliança atlântica e a Rússia, que inclui uma proibição de implantar contingentes militares permanentes próximos ao território russo. Moscou argumenta que a Otan vem violando há muito tempo o espírito do acordo, ao instalar rotativamente missões militares no leste europeu e ignorar as reclamações russas sobre esses desdobramentos.

A Lituânia busca receber 4.000 soldados alemães de forma permanente. Nauseda afirmou que o Tratado "ainda contamina o pensamento em algumas capitais da Otan" e mantém a aliança "na zona cinzenta da ambivalência estratégica".

Fote: https://www.brasil247.com/mundo/lituania-insta-otan-a-abandonar-tratado-com-a-russia

Gilmar manda reabrir investigação sobre omissão do governo Bolsonaro na pandemia

Ministro do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá reexaminar todo o caso com base em um relatório da Polícia Federal

Gilmar Mendes e Jair Bolsonaro Gilmar Mendes e Jair Bolsonaro (Foto: Nelson Jr./SCO/STF | REUTERS/Adriano Machado)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes revogou uma decisão da Justiça Federal de Brasília que havia encerrado parcialmente uma investigação sobre supostas irregularidades e omissões do governo de Jair Bolsonaro (PL) durante a crise sanitária da Covid-19, diz a Carta Capital , citando a TV Globo.

Na decisão, mantida em segredo,Gilmar determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá reexaminar, com base em um relatório da Polícia Federal (PF), se existem indícios de crimes nas condutas de Jair Bolsonaro; do ex-ministro da Saúde e atualmente deputado federal Eduardo Pazuello; do coronel Elcio Franco, ex-braço direito de Pazuello na pasta; e de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência.

Ainda de acordo com a reportagem, também serão alvo de investigação Mayra Isabel Correia Pinheiro, ex-secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, e Mauro Luiz Ribeiro, do Conselho Federal de Medicina.

A investigação examina, entre outros aspectos, possíveis crimes de epidemia com resultado de morte, má utilização de recursos públicos e prevaricação. Segundo Gilmar, o arquivamento da ação pela Justiça do Distrito Federal foi inadequado, pois um dos envolvidos é Pazuello, atualmente deputado federal e, portanto, uma figura com foro privilegiado.

Na primeira instância, a procuradora da República Marcia Brandão Zollinger solicitou o arquivamento parcial e afirmou que não havia elementos contra Pazuello, Elcio Franco, Mayra Pinheiro e Mauro Ribeiro. O pedido foi acatado pela Justiça do Distrito Federal. Agora, de acordo com a decisão do STF, a PGR deverá reavaliar todo o caso.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/gilmar-manda-reabrir-investigacao-sobre-omissao-do-governo-bolsonaro-na-pandemia

 

China alerta que bombas de fragmentação dos EUA na Ucrânia desencadearão questões humanitárias

José Reinaldo

A utilização destes explosivos pode levar à morte indiscriminada de civis, diz chancelaria chinesa

Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China (Foto: REUTERS/Thomas Peter)

247 - A China expressou preocupação com o plano dos EUA de enviar bombas de fragmentação para a Ucrânia na segunda-feira, dizendo que a transferência irresponsável de bombas de fragmentação  provavelmente causará problemas humanitários.

É necessário equilibrar as preocupações humanitárias com as legítimas necessidades militares e de segurança, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante uma coletiva de imprensa regular.

Ela exortou as partes relevantes a exercerem restrições em relação à transferência de bombas de fragmentação e a pararem de adicionar lenha à fogueira e intensificar o conflito, o que piorará ainda mais a crise na Ucrânia.

Mao reiterou que a China acredita que o diálogo e a negociação são as únicas formas viáveis ​​de resolver a crise na Ucrânia.

Os EUA anunciaram em 7 de julho que enviariam munições de fragmentação à Ucrânia como parte de um pacote de segurança de 800 milhões de dólares, atraindo a oposição de vários países e organizações internacionais.

As bombas de fragmentação foram proibidas por mais de 100 países devido ao perigo que representam para os civis. Eles normalmente espalham dezenas de pequenas bombas que podem matar indiscriminadamente em uma ampla área.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/china-alerta-que-bombas-de-fragmentacao-dos-eua-na-ucrania-desencadearao-questoes-humanitarias

segunda-feira, 10 de julho de 2023

PF faz operação contra financiadores do garimpo ilegal em Roraima

Operação “Frutos do Ouro” é a oitava operação deflagrada em 2023 com o objetivo de identificar origem e destino de recursos destinados ao garimpo ilegal na terra indígena ianômami

(Foto: Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil)

247 - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (10) a Operação Frutos do Ouro, com o objetivo de investigar um grupo que estaria relacionado à apreensão de mais de 5kg de ouro no Aeroporto de Boa Vista, em Roraima, em 2019, e que teria movimentado aproximadamente R$ 80 milhões.

Mais de 30 policiais cumprem cinco mandados de busca e apreensão em Boa Vista e em São Paulo (SP), expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal em Roraima.

As investigações tiveram início a partir da identificação de um suspeito que tentava embarcar com mais de 5kg de ouro no Aeroporto de Boa Vista, com destino à Campinas (SP).

O inquérito policial identificou uma rede dedicada à exploração de ouro extraído da Terra Indígena Yanomami e à lavagem de dinheiro.

Uma joalheria de São Paulo, com mais de R$ 50 milhões movimentados, teria enviado valores ao suspeito de ser o responsável pelo ouro apreendido em 2019. Já um outro suspeito receberia salários que somam aproximadamente R$ 5 mil e teria mais de R$ 15 milhões em movimentações financeiras.

O grupo ainda utilizaria uma empresa de comércio de frutos do mar, localizada em Boa Vista/RR, para movimentar parte do dinheiro que seria utilizado na aquisição do ouro.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/pf-faz-operacao-contra-financiadores-do-garimpo-ilegal-em-roraima

 

Com Lula, bancada da bala perde força e pauta armamentista trava no Congresso

Embora o número de policiais e militares tenha aumentado em 36% na atual legislatura, projetos que tratam do acesso a armas de fogo estão paralisados

(Foto: Reuters/Diego Vara)

247 - Uma das principais bases de apoio do bolsonarismo, a chamada bancada perdeu relevância no Congresso após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e enfrenta dificuldades para fazer avançar os projetos armamentistas que marcaram a gestão de Jair Bolsonaro (PL) à frente do Executivo. Embora o número de policiais e militares tenha aumentado em 36% na atual legislatura, com 38 deputados, projetos que tratam de acesso a armas ou endurecimento do sistema prisional estão paralisados.

“Agora, sob Lula, a relação com o governo esfriou e houve apenas uma reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. O encontro, de acordo com o coordenador da bancada da bala, deputado Alberto Fraga (PL-DF), foi uma tentativa de “contenção de danos” diante do “revogaço” dos decretos de armas promovido pelo atual presidente no início do mandato.A conversa que eu tive com Flávio Dino foi sobre a questão do decreto das armas. Não tenho falado sobre a pauta — afirmou Fraga

Segundo o jornal O Globo, a relação com o atual governo esfriou e houve apenas uma reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. O encontro, segundo o coordenador da bancada pró-segurança, deputado Alberto Fraga (PL-DF), foi uma tentativa de "contenção de danos" diante da revogação dos decretos de armas promovida pelo atual presidente no início do mandato. “A conversa que eu tive com Flávio Dino foi sobre a questão do decreto das armas. Não tenho falado sobre a pauta”, disse Fraga à reportagem.

Apesar disso, Fraga acredita que o grupo poderá avançar com seus projetos no segundo semestre. Entre as prioridades destacadas pela bancada estão, além da Lei Orgânica das PMs e bombeiros, um projeto semelhante voltado para os policiais civis e a proposta que acaba com as saídas temporárias de presos. Duas dessas demandas já foram aprovadas na Câmara, mas ainda estão paralisadas no Senado, onde o grupo tem menos articulação política.

O projeto que põe fim às saídas temporárias dos presos é de autoria do Capitão Derrite (PP-SP). O parlamentar atualmente exerce o cargo de secretário de Segurança Pública do governo de São Paulo. O texto foi aprovado pela Câmara no ano passado, com oposição do PT, e ainda não teve nenhum encaminhamento por parte dos senadores.

O governo, por sua vez, tem suas próprias prioridades na área de Segurança Pública. Em resposta aos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, o ministro Flávio Dino anunciou um pacote de iniciativas que estabelecem uma guarda nacional, dificultam o financiamento de atos antidemocráticos e agilizam o processo de confisco de bens daqueles que atentam contra o Estado Democrático de Direito.

A proposta de criar uma guarda nacional enfrenta resistência da oposição, que lidera a bancada pró-segurança. Apesar do anúncio nos dias seguintes aos atos de 8 de janeiro, quando as sedes dos três Poderes foram vandalizadas em Brasília, as iniciativas nunca chegaram a ser apresentadas ao Congresso.

No entanto, Dino nega que tenha desistido delas. Durante uma palestra realizada em Portugal há duas semanas, o ministro da Justiça afirmou que as propostas serão apresentadas no segundo semestre deste ano.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/com-lula-bancada-da-bala-perde-forca-e-pauta-armamentista-trava-no-congresso

domingo, 9 de julho de 2023

Governo Lula demitiu 103 servidores por corrupção em seis meses

 Os processos são acompanhados pela Controladoria-Geral da União (CGU)

Lula e Esplanada dos Ministérios Lula e Esplanada dos Ministérios (Foto: Reuters/Rodrigo Antunes | Marcos Oliveira/Agência Senado)

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu, nos primeiros seis meses de gestão, 103 servidores públicos envolvidos em casos de corrupção, e ainda há um grande número de pessoas na fila para enfrentar as consequências, informa a revista Veja. Os processos são acompanhados pela Controladoria-Geral da União (CGU), que já removeu milhares de servidores públicos flagrados cometendo crimes no serviço público.

Durante o seu governo, Jair Bolsonaro expulsou 1.934 servidores públicos da máquina administrativa, sendo a maioria dos casos relacionados a irregularidades, de acordo com dados da CGU. No entanto, um estudo realizado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e pela Universidade de Brasília (UnB) revela que Bolsonaro aumentou o uso de medidas formais de repressão contra os funcionários públicos e testou estratégias em determinadas organizações para replicá-las em outras, em caso de sucesso.

A CGU é responsável pelo controle interno do governo federal. Suas atribuições incluem a defesa do patrimônio público, a prevenção e o combate à corrupção, bem como o aprimoramento da transparência na gestão. Sua recém-criada Secretaria de Integridade Privada incentiva boas práticas no setor privado para prevenir irregularidades.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/governo-lula-demitiu-103-servidores-por-corrupcao-em-seis-meses

Perseguição dos EUA a Assange abre margem para criminalização do jornalismo no mundo todo, diz Glenn Greenwald

 Guilherme Paladino

Em artigo, repórter estadunidense alertou que autoridades podem tentar censurar jornalistas utilizando o embasamento teórico legal criado pelos EUA na perseguição contra Assange

Glenn Greenwald e Julian Assange Glenn Greenwald e Julian Assange (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado | HANNAH MCKAY/REUTERS)

247 - Em artigo publicado na Folha de S. Paulo neste sábado (8), o jornalista Glenn Greenwald afirmou que a perseguição do governo dos EUA a Julian Assange representa "uma ameaça grave à imprensa livre".

Em seu texto, Greenwald destacou que o governo republicano de Donald Trump acusou Assange formalmente de vários crimes com base em uma lei antiespionagem de mais de 100 anos atrás e explicou que tal lei, de 1917, "nunca havia sido utilizada para punir aqueles que publicam informações secretas: historicamente, era usada contra agentes do governo que enviam informações secretas a jornalistas".

"Quando o Departamento de Justiça do governo Trump revelou o indiciamento de Assange em 2019, escrevi um artigo no Washington Post alertando que a teoria legal por trás daquela acusação permitiria a criminalização do jornalismo investigativo no mundo todo. Oito meses depois, procuradores brasileiros tentaram me acusar criminalmente pelo meu próprio trabalho jornalístico na Vaza Jato. A acusação usava exatamente o mesmo embasamento teórico dos EUA contra Assange: se um jornalista tenta ajudar sua fonte a permanecer anônima ou a incentiva a obter mais informações, então esse jornalista se torna um cúmplice da fonte", relatou o jornalista.

Glenn ressaltou que, apesar de reprovada pelas autoridades acusadas, a postura adotada por ele e por Assange representa "o que todos os jornalistas investigativos têm não só o direito, mas a obrigação de fazer: proteger a sua fonte. Criminalizar isso é criminalizar o jornalismo".

O jornalista afirmou que o governo de Joe Biden, do Partido Democrata, "parece compartilhar com Trump o desprezo pela liberdade de imprensa e vem se recusando veementemente a retirar as acusações contra Assange". Isso porque, segundo ele, Assange "publicou documentos que incriminavam Hillary Clinton em meio a sua campanha presidencial contra Trump em 2016".

No entanto, Glenn pondera que "nada disso deveria justificar mandar para prisão alguém que publicou material de interesse público. E tampouco muda a realidade de que Biden está efetivando uma acusação criminal que, se bem-sucedida, servirá de inspiração para governos no mundo todo criminalizarem o jornalismo que os incomoda".

Fonte: https://www.brasil247.com/midia/perseguicao-dos-eua-a-assange-abre-margem-para-criminalizacao-do-jornalismo-no-mundo-todo-diz-glenn-greenwald

sábado, 8 de julho de 2023

"Mais um exemplo do mal que a turma lavajatista fez ao país", diz Gleisi após TCU inocentar Cancellier

 

Guilherme Paladino

Deputada destacou que, antes de cometer suicídio, o reitor da UFSC foi "preso, acorrentado, algemado e humilhado por uma operação nos moldes da Lava Jato"

Gleisi Hoffmann e o reitor Luiz Carlos Cancellier Gleisi Hoffmann e o reitor Luiz Carlos Cancellier (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados | Pipo Quint/Agecom/UFSC)

247 - A deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, comentou o informe do Tribunal de Contas da União (TCU) que concluiu que não houve irregularidades na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e que, portanto, o reitor Luiz Carlos Cancellier era inocente.

Cancellier cometeu suicídio 18 dias após ser injustamente preso no âmbito da Operação Ouvidos Moucos - um desdobramento da Lava Jato - que investigava um suposto superfaturamento no aluguel de veículos para a execução do programa Universidade Aberta do Brasil (UBA). O reitor da UFSC passou por um processo de humilhação pública no decorrer da operação. Sobre o caso, Gleisi afirmou em suas redes sociais neste sábado (8) que foi "mais um exemplo do mal que a turma lavajatista fez ao país" e desejou conforto à família de Cancellier.

"Preso, acorrentado, algemado e humilhado por uma operação nos moldes da Lava Jato, o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, foi inocentado pelo TCU. Não houve irregularidades na universidade, Cancellier sempre foi inocente. O reitor, que se suicidou, teve sua prisão decretada pela delegada da PF, Erika Marena, endeusada no filme da Lava Jato, e foi alvo da juíza Janaina Cassol, que teve a sua suspeição apontada pelo STF. Esse é mais um exemplo do mal que a turma lavajatista fez ao país, que a justiça feita dê algum conforto pra família de Cancellier.

Gleisi Hoffmann

@gleisi

Preso, acorrentado, algemado e humilhado por uma operação nos moldes da lava jato, o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, foi inocentado pelo TCU. Não houve irregularidades na universidade, Cancellier sempre foi inocente. O reitor, que se suicidou, teve sua prisão decretada… Mostrar mais

4:08 PM · 8 de jul de 2023

Em janeiro deste ano, o presidente Lula (PT) homenageou Cancellier durante um encontro com reitores de universidades, afirmando que o caso envolvendo sua morte foi uma "aberração" e que apenas ocorreu "pela pressão de uma polícia de ignorantes, de um promotor ignorante, de pessoas insensatas que condenaram as pessoas antes de investigar e julgar". 

"Quero dizer para você, meu caro Luiz Carlos Cancellier, que pode ter morrido a sua carne, mas as suas ideias continuarão no meio de nós a cada momento que a gente pensar em educação, na formação profissional e intelectual do povo brasileiro. Esteja onde você estiver, pode ficar certo que aqui tem muita gente disposta a dar sequência ao trabalho que você fazia e às ideias que você acreditava. Você morreu, mas as suas ideias continuam vivas, e nós haveremos de recuperá-las e trabalhar para que a gente nunca mais permita que aconteça o que aconteceu com aquele reitor em Santa Catarina”, disse Lula na ocasião.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sul/mais-um-exemplo-do-mal-que-a-turma-lavajatista-fez-ao-pais-diz-gleisi-apos-tcu-inocentar-cancellier

Tony Garcia vira um dos assuntos mais comentados no Twitter depois que 247 divulgou grampos; saiba como ele gravou Moro

 

Joaquim de Carvalho

Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

Joaquim de Carvalho

O empresário foi agente infiltrado do então juiz e gravações divulgadas agora foram feitas em 2005

Tony Garcia volta ao local onde grampeou Moro Tony Garcia volta ao local onde grampeou Moro (Foto: Eduardo Matysiak)

Tony Garcia está na lista dos assuntos mais comentados do Twitter desde a madrugada deste sábado.

O empresário foi para o top trendings depois que o 247 divulgou, com exclusividade, três trechos das gravações que ele realizou em 2005.

Tony Garcia era um empresário e político influente no Paraná até novembro de 2004, quando, no dia 9, foi preso por ordem de Sergio Moro.

Tony Garcia foi levado em um camburão até a superintendência da Polícia Federal no Paraná, que na época funcionava na rua Ubaldino do Amaral, Alto da Glória, Curitiba.

Não havia necessidade, mas Tony Garcia foi algemado e jogado na parte de trás no camburão. Quando chegou à Superintendência, havia repórteres de rádio, jornal e TV na frente do prédio.

Normalmente, o carro da Polícia entrava pela garagem, mas, neste dia, parou em frente, para que a imprensa fizesse o registro. Tony Garcia não tem dúvida de que foi Moro quem avisou a imprensa.

"Era o modus operandi dele", afirmou. Ali começava o escracho. Mas não só. Tony Garcia foi jogado em uma cela no porão do prédio, onde uma janelinha com grade,  de 50 centímetros por 30, era a única entrada de sol.

Havia mais duas pessoas presas com ele. Ele era rico, tinha sido casado com a filha do ex-governador Ney Braga e participado de jantares com chefes de estado, inclusive o papa João Paulo II, que era também líder religioso.

Moro avisou a imprensa para humilhar Tony: pressão para ele colaborarMoro avisou a imprensa para humilhar Tony: pressão para ele colaborar(Photo: Reprodução)Reprodução

"Eu vivia em palácios e Moro me mandou para o calabouço", afirmou. Na prisão, o advogado lhe levou cópia das principais partes do processo, que ele leu e, cinco dias depois, ao ouvir a proposta de se tornar réu-colaborador, aceitou na hora.

Chegou à Justiça Federal no carro da Polícia e saiu de lá no veículo do advogado. Em vez de voltar para o calabouço, foi levado para uma casa da Secretaria de Segurança Pública do Estado, onde passou a ocupar uma suíte.

Em outra suíte do mesmo prédio, no andar de cima, estava Alberto Youssef, que também era colaborador de Moro. "Pude mobiliar o meu quarto, com a minha cama, colchão, frigobar, televisão, e receber visitas na hora que eu quisesse. Andava pelo quintal. Já era outra vida", contou.

O 247 gravou mais de doze horas de entrevista com Tony Garcia, na casa dele e em outros locais de Curitiba, como seu escritório e a frente do prédio da Justiça Federal. A entrevista será usada no documentário "Um juiz fora da lei - Os crimes de Moro e a Máfia de Curitiba".

O próprio Moro foi se encontrar com Tony Garcia dois dias depois de ele se instalar no prédio da Secretaria de Segurança Pública. Tony se recorda de que eram 7 da manhã, ele estava acordando.

Segundo ele, Moro perguntou se estava tudo em ordem e o orientou a comprar um gravador, para começar a registrar conversas com alvos pré-determinados. Muitos tinham foro por prerrogativa de função e o um juiz de primeira instância não poderia nem sequer autorizar investigá-los, muito menos conduzir pessoalmente a investigação.

No entanto, autorizado pelo então juiz, Tony Garcia aceitou ser esse agente infiltrado. Há muitos detalhes sobre como agia. Neste momento, registre-se que, alguns meses depois, Tony começou a usar o gravador nas próprias conversas com o juiz. Os detalhes serão mostrados no documentário.

A conversa em que Moro combina a sentença com ele foi feita através desse gravador, que ele usava preso à cintura, por dentro da calça. Não foi, portanto, uma conversa por telefone, ao contrário do que tem sido divulgado na rede social.

Até porque Moro tinha autorizado a interceptação de todas as linhas de Tony Garcia, e o então jui sabia que, se falasse por telefone com o empresário, a conversa seria gravada pela Polícia Federal.

"Quando ele me chamava para conversar, me recebia sozinho em seu gabinete. Quando eu pedia para falar com ele, Moro colocava na sala uma assessora, de nome Flávia (que hoje está lotada no gabinete de Rosângela Moro, na Câmara dos Deputados)", lembra.

Nesse dia da conversa sobre a sentença, Tony Garcia ligou o gravador antes e só o desligou depois que saiu da sala. Tanto que, quando o aparelho for periciado, haverá conversa com outras pessoas, como os funcionários da secretaria da 2a. Vara Federal, cujo titular era Moro.

Quando eu fui com Tony Garcia revisitar os endereços referenciais de sua ação como agente infiltrado, perguntei se ele achava que o dia da caça tinha chegado. Ele respondeu: "Sim, chegou o dia da caça. Mas não só. Chegou o dia de mostrar ao mundo quem é Sergio Moro. Eu fui o laboratório dele, o laboratório da Lava Jato".

Tony gravou também conversas com procuradores da república, principalmente Januário Paludo e Carlos Fernando dos Santos Lima.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/tony-garcia-vira-um-dos-assuntos-mais-comentados-no-twitter-depois-que-247-divulgou-grampos-saiba-como-ele-gravou-moro

Tarcísio cobra multa de R$ 43 mil a Bolsonaro por não usar máscara na pandemia

Pedido vem após juíza autorizar redução da multa para apenas R$ 524,59

Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

247 - Através da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) entrou com um pedido na Justiça para que Jair Bolsonaro (PL) seja obrigado a pagar uma multa de R$ 43 mil devido à falta de uso de máscara durante a pandemia da Covid-19. As informações são da IstoÉ

O pedido foi apresentado por meio de um recurso no dia 23 de junho, como parte de uma ação iniciada por Bolsonaro. Em agosto de 2022, o ex-mandatário recorreu à Justiça para solicitar a anulação da multa de R$ 43 mil imposta a ele. O valor foi determinado pelo estado após um processo administrativo que constatou três reincidências de Bolsonaro na infração de não usar máscara. >>> Tarcísio tem "nojinho" de bolsonaristas, dizem aliados do ex-mandatário

Dois meses após o início da ação, que está em tramitação no 4º Juizado da Fazenda Pública de São Paulo, Bolsonaro recorreu ao Tribunal de Justiça solicitando a suspensão da multa até o final do processo. Em 31 de maio deste ano, a sentença foi proferida. A juíza Nandra Martins da Silva Machado concedeu parte do pedido do ex-presidente, reduzindo a multa para R$ 524,59.

"Ainda que a ré (governo de São Paulo) tente justificar e fundamentar a aplicação da penalidade em grau máximo no Código Sanitário do Estado de São Paulo, está claro que o caso da infração sanitária cometida pelo autor está relacionado a um período excepcional vivenciado pela humanidade", argumentou a juíza na sentença.

O recurso apresentado pela PGE alega que "a persistência em reincidir na mesma conduta, mesmo depois de ter sido penalizado várias vezes, combinada com a conhecida oposição do recorrido à adoção de medidas preventivas contra a COVID-19, evidencia a existência de dolo". A PGE solicita que o valor da multa do processo administrativo, de R$ 43 mil, seja restabelecido.

Bolsonaro teve um prazo de dez dias para apresentar uma resposta ao recurso, mas não o fez. O processo será encaminhado para a Turma Recursal do Tribunal de Justiça de São Paulo. A ausência de contrarrazões por parte do ex-ocupante do Palácio do Planalto pode influenciar na decisão da Corte, mas não implica automaticamente na concordância com o pedido da PGE.

O BOLSONARISMO RACHA - A revelação vem em meio ao rompimento de Bolsonaro com Tarcísio, que ficou evidente na última reunião do PL que discutia a posição do partido sobre a reforma tributária. Durante a reunião, Bolsonaro sugeriu aos presentes que poderia buscar atrasar a votação para tentar incluir no corpo da proposta às mudanças propostas pelo PL, e não buscar fazê-las por meio de destaques. Em outro momento, Bolsonaro citou uma série de políticos que venceram eleições passadas no embalo da sua força política, como os ex-ministros e agora senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Jorge Seif (PL-SC). Mencionou também o caso do ex-ministro e atual governador paulista. "Quem era o Tarcísio? O Tarcísio não queria ser candidato", disse ele, citando que foi ele quem o convenceu. Apesar dos esforços de Bolsonaro, 20 deputados do PL votaram a favor da aprovação da reforma, enquanto 75 se posicionaram contra.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/tarcisio-cobra-multa-de-r-43-mil-a-bolsonaro-por-nao-usar-mascara-na-pandemia

 

Bruno Dantas reage a plano de ataque de Deltan e chama Lava Jato de 'bando de pistoleiros de aluguel'

 Guilherme Paladino

Mensagens obtidas pela Operação Spoofing revelam que ministro foi alvo de um plano de ataque de Deltan Dallagnol, que articulava uma entrevista "dura" e "agressiva" para criticá-lo

Bruno Dantas e Deltan Dallagnol Bruno Dantas e Deltan Dallagnol (Foto: TCU | ABr)

247 - Após tomar conhecimento das mensagens obtidas pela Operação Spoofing e divulgadas pelo Jornal GGN, que dão conta de que o procurador Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato, planejou um ataque ao ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), Dantas reagiu e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) as cópias de todos diálogos na íntegra.

O ministro do TCU afirmou que averiguará a veracidade dos diálogos e já avalia processar o ex-juiz suspeito Sergio Moro e Deltan devido ao conteúdo revelado pelas mensagens. Dantas ainda chamou os envolvidos na Lava Jato de "bando de pistoleiros de aluguel".

“Pedirei ao STF cópia de todos os diálogos para avaliar providências legais. Se forem verdadeiros, comprovam o incesto havido na Lava Jato e revelam um bando de pistoleiros de aluguel recebendo uma encomenda de assassinato de reputação”, declarou o ministro, informa o GGN. 

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/bruno-dantas-reage-a-plano-de-ataque-de-deltan-e-chama-lava-jato-de-bando-de-pistoleiros-de-aluguel

TSE envia provas contra Bolsonaro ao STF, TCU e MPE

 O TSE enviou o material para dois inquéritos em andamento no STF: um relacionado aos atos antidemocráticos e outro sobre a atuação de uma milícia digital contra a democracia

TSE e Jair Bolsonaro TSE e Jair Bolsonaro (Foto: ABr | Reprodução)

247 - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminhou nesta sexta-feira, dia 7, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE) as provas coletadas na ação que resultou na condenação de Jair Bolsonaro a oito anos de inelegibilidade. As informações são da CartaCapital.

A ação em questão tinha como alvo a reunião realizada com embaixadores em julho de 2022. Durante a transmissão pela TV Brasil, o então ocupante do Palácio do Planalto repetiu informações falsas sobre o sistema eleitoral e fez ataques às instituições. >>> Bolsonaro pode também ficar fora das eleições de 2030 e 2032 em razão de investigações criminais

O TSE enviou o material para dois inquéritos em andamento no STF: um relacionado aos atos antidemocráticos e outro sobre a atuação de uma milícia digital contra a democracia. Por sua vez, o TCU analisará os documentos e poderá iniciar novas investigações contra Bolsonaro.

Já existe uma representação contra o ex-mandatário no TCU, apresentada pelo Ministério Público junto ao tribunal e relatada pelo ministro Jhonatan de Jesus. A petição, assinada pelo subprocurador-geral do órgão, Lucas Rocha Furtado, solicita que o TCU calcule os custos gerados pela reunião com embaixadores para a União. Esse seria o primeiro passo para que Bolsonaro seja obrigado a restituir aos cofres públicos o dinheiro gasto com o evento.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/tse-envia-provas-contra-bolsonaro-ao-stf-tcu-e-mpe

Lava Jato planejava atingir Toffoli através de investigações sobre seu irmão

 Deltan Dallagnol contou a Eduardo Pelella que a "estratégia de investigação" sobre uma empresa de José Ticiano era "aumentar a pressão"

Deltan Dallagnol e Dias Toffoli Deltan Dallagnol e Dias Toffoli (Foto: Abr)

Conjur - Diálogos entre procuradores da extinta "lava jato" de Curitiba apontam que os investigadores queriam atingir o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, por meio de uma devassa na vida de José Ticiano, seu irmão.

As conversas são de 7 de julho de 2016 — portanto, há exatos sete anos. Nelas, o então coordenador da "lava jato" de Curitiba, Deltan Dallanol, enviou arquivos envolvendo Ticiano a Eduardo Pelella, chefe do gabinete do procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot.

Dallagnol contou a Pelella que a "estratégia de investigação" sobre uma empresa de Ticiano era "aumentar a pressão", e que o irmão de Toffoli passou a ser "alvo prioritário" dos procuradores. 

"Vamos aumentar a pressão na empresa como estratégia. Acabou de se tornar alvo prioritário", disse Dallagnol — os diálogos são reproduzidos na sua grafia original. O procurador também afirmou que o ministro do Supremo seria sócio de familiares em um resort. Pelella respondeu: "Opa!!!". 

Dallagnol pediu para que outros integrantes da "lava jato" buscassem informações sobre o resort, mas acabou desanimando no dia seguinte: ficou sabendo que nada de relevante foi encontrado na pesquisa. 

Procuradores de primeira instância não podem investigar ministros do Supremo. Por isso, a "lava jato" tentava emparedar integrantes da corte e do Superior Tribunal de Justiça por meio de seus familiares, em devassas que nunca foram bem-sucedidas, ou de outras maneiras igualmente condenáveis.

Reportagem publicada pelo jornal El País, em parceria com o The Intercept Brasil, já havia contado, por exemplo, que os procuradores planejaram buscar na Suíça provas contra o ministro Gilmar Mendes, do STF. Segundo a notícia, os membros do MPF pretendiam usar o caso de Paulo Preto, operador do PSDB preso em um desdobramento da "lava jato", para reunir munição contra o magistrado.

Em conversas com colegas, Dallagnol nunca escondeu sua vontade de emparedar o Supremo. Em 13 de julho de 2016, ele afirmou que "Toffoli e Gilmar todo mundo quer pegar".

O procurador também tentou usar "movimentos" parceiros da autodenominada força-tarefa para atacar o ministro Alexandre de Moraes. Os "movimentos" parceiros eram jornais. 

"Acho que podemos alimentar os movimentos para direcionarem atenção para Alexandre de Moraes. Se pegar sem a nossa cara, melhor, pq fico penando (pensando) em possível efeito contrário em nós querermos colcoar (colocar) o STF contra a parede. Até postei hj sobre o Alexandre de Moraes, e se quiser postar o que quiser manda ver, mas acho que a estratégia de usarmos os movimentos será melhor, se funcionar", disse ele a colegas. 

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/lava-jato-planejava-atingir-toffoli-atraves-de-investigacoes-sobre-seu-irmao

Moraes nega pedido de liberdade e mantém prisão do coronel Naime

 Guilherme Paladino

PGR se manifestou pela manutenção da prisão, alegando ainda haver diligências em andamento na cúpula da PMDF e o comandante, coronel Klepter Rosa, teria "relação próxima" com Naime

Jorge Naime Jorge Naime (Foto: Lula Marques - Agência Brasil)

247 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido de liberdade feito pela defesa do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Jorge Eduardo Naime, preso em fevereiro no âmbito das investigações sobre os atos terroristas bolsonaristas de 8 de janeiro em Brasília. A informação é da coluna Grande Angular do portal Metrópoles.

A decisão é desta quinta-feira (6). Na sexta (7), Naime completou cinco meses preso. Em sua decisão, Moraes avaliou que é “evidente a necessidade da manutenção da custódia para resguardar a ordem pública e por conveniência da instrução criminal”. O ministro entende que, em liberdade, Naime pode atuar para interferir nas investigações, dado o “alto posto que ocupou e a liderança na corporação”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pela manutenção da prisão do coronel, alegando que ainda há diligências em andamento na cúpula da PMDF e o atual comandante, coronel Klepter Rosa, teria "relação próxima" com Naime.

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/moraes-nega-pedido-de-liberdade-e-mantem-prisao-do-coronel-naime

sexta-feira, 7 de julho de 2023

9 pontos fundamentais para entender a Reforma Tributária aprovada nesta quinta

 A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, postou 9 pontos essenciais para entender a nova configuração tributária

Plenário da Câmara aprova Reforma Tributária Plenário da Câmara aprova Reforma Tributária (Foto: Agência Câmara de Notícias)

247 - Com a aprovação da reforma tributária nesta quinta-feira, na Câmara dos Deputados, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, postou 9 pontos essenciais para entender a nova configuração tributária que será implementada no Brasil.

A ação é importante num momento em que a extrema-direita divulga diversas fake news sobre a proposta, envolvendo até a inclusão da “ideologia de gênero” na reforma. 

>>> Gustavo Gayer usa tribuna para espalhar mentira sórdida sobre a reforma tributária: “vão incluir ideologia de gênero”

Veja os pontos: 

RESUMÃO da Reforma Tributária aprovada no plenário da Câmara por 382 x 118   

1 - jatinhos, jetski e iates vão pagar IPVA como você que tem carro 

2 - criação da cesta básica nacional com imposto zero  

3 - cashback pra população de menor renda 

4 - simplificação do imposto pra micro e pequenas empresas 5 - fim das isenções fiscais que beneficiam os grandes lobbies  6 - imposto menor pra insumos pra pessoas com deficiência  

7- imposto menor para absorventes 

8 - transparência, imposto detalhado na nota fiscal 9 - menos imposto pra saúde/medicamentos, educação e transporte público  E sem aumentar a carga tributária!

Gleisi Hoffmann

@gleisi


RESUMÃO da Reforma Tributária aprovada no plenário da Câmara por 382 x 118 1 - jatinhos, jetski e iates vão pagar IPVA como você que tem carro 2 - criação da cesta básica nacional com imposto zero 3 - cashback pra população de menor renda 4 - simplificação do imposto pra micro… Mostrar mais

9:52 PM · 6 de jul de 2023

Fonte:https://www.brasil247.com/economia/9-pontos-fundamentais-para-entender-a-reforma-tributaria-aprovada-nesta-quinta

PF investiga mais de R$ 80 milhões em movimentações de ouro ilegal em Roraima

 As investigações tiveram início após o recebimento de informações que vinculariam um empresário guianense a atividades suspeitas no Brasil

Polícia Federal Polícia Federal (Foto: Polícia Federal)

247 - A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (7) a operação Vanglória, que tem por objetivo investigar suspeitos de utilizarem empresas de fachada pra movimentar mais de R$ 80 milhões. O valor teria origem na compra e venda de ouro ilegal, informou a corporação. Três mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal em Roraima.

As investigações tiveram início após o recebimento de informações que vinculariam um empresário guianense, que atuaria no ramo de exploração de garimpos em seu país natal, a atividades suspeitas no Brasil. O inquérito policial indica que o suspeito seria o proprietário de uma empresa que, no papel, comercializaria gêneros alimentícios. Porém, no endereço, em Manaus/AM, há apenas uma loja de veículos com outro CNPJ.

O empresário guianense ainda se valeria de um sócio brasileiro, também alvos das investigações, para movimentar valores por meio de outras empresas de fachada. Apenas uma delas, que teria como atividade o comércio de insumos hospitalares mas não tem atividade no endereço cadastrado, teria movimentado mais de R$ 60 milhões.

A operação busca esclarecer se os valores movimentados tem origem em apenas em atividades de contrabando de ouro oriundo da Guiana ou se o empresário estaria explorando ilegalmente minas em áreas indígenas no estado de Roraima.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/pf-investiga-mais-de-r-80-milhoes-em-movimentacoes-de-ouro-ilegal-em-roraima

Bolsonaro e Tarcísio se 'estranham' em reunião do PL sobre votação da reforma tributária

Enquanto o governador de São Paulo defende a reforma tributária, Jair Bolsonaro diz que o PL deve votar 'contra tudo' que vier do governo Lula

Tarcísio Freitas e Bolsonaro Tarcísio Freitas e Bolsonaro (Foto: Clauber Cleber Caetano/PR)

247 - governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Jair Bolsonaro (PL) se "estranharam" durante a reunião da bancada do PL que discutiu fechar os votos de forma contrária à aprovação do projeto de reforma tributária, que deverá ser votado nesta quinta-feira (6) pela Câmara dos Deputados.

Na reunião, Tarcísio defendeu que a bancada vote pela aprovação do projeto alegando que a "direita não pode perder a narrativa de ser favorável à reforma tributária". "Porque senão a reforma tributária acaba sendo aprovada e quem aprovou?", completou.

Pouco depois, Tarcísio foi interrompido por Jair Bolsonaro, que vem defendendo que a bancada do PL vote "contra tudo" que for apresentado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Pessoal, se o PL estiver unido, não aprovam nada. Vai depender de nós", disparou o ex-mandatário.

>>> Inelegível e sem compromisso com o Brasil, Bolsonaro manda PL votar "contra tudo" que vier do PT

Tarcísio tentou se justificar: "vou deixar uma coisa clara aqui: eu não estou defendendo a votação no dia de hoje, não. O que eu estou querendo explicar e estou vindo aqui explicar, com a maior humildade do mundo, é que eu acho arriscado para a direita abrir mão da reforma tributária".

A ira de Bolsonaro, que na semana passada foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se deve ao fato de Tarcísio ter defendido na segunda-feira, com poucas ressalvas, o projeto da reforma tributária do governo Lula.

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/bolsonaro-e-tarcisio-se-estranham-em-reuniao-do-pl-sobre-votacao-da-reforma-tributaria-f9gn4zuc

Com Bolsonaro inelegível, cinco governadores rejeitam orientação do ex-mandatário e se manifestam a favor da reforma tributária

 Posicionamento de Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro, Ratinho Jr, Romeu Zema e Ibaneis Rocha, eleitos na esteira do bolsonarismo, revela enfraquecimento político do ex-mandatário

(Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou Jair Bolsonaro (PL) inelegível pelos próximos oito anos, cinco governadores que se elegeram apoiados pelo bolsonarismo no ano passado estão se opondo à orientação do ex-mandatário de não apoiar a reforma tributária e agora se manifestam a favor do texto que será votado nesta quinta-feira (6) na Câmara.

Segundo o jornal O Globo, a votação do projeto revela uma divisão entre Bolsonaro e os líderes do seu partido. Diante do enfraquecimento político de Bolsonaro devido à sua inelegibilidade, o partido ainda não decidiu se irá impor sanções aos parlamentares que votarem favoravelmente à Reforma. Em resposta às resistências, Bolsonaro adotou um tom mais moderado e pediu "atenção" aos membros do partido.

>>> "Muitos ficaram chateados com Tarcísio, até eu", diz Bolsonaro em reunião do PL onde governador de SP foi hostilizado (vídeo)

Enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera as negociações para fazer alterações no texto da Reforma, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) já afirmou que solicitará votos favoráveis da bancada fluminense, tendo informado essa decisão ao seu partido.

O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), também declarou que os governadores reconhecem a "necessidade de uma reforma tributária". Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, que assim como Tarcísio também é apontado como possível sucessor de Bolsonaro, questiona a participação dos estados na formação do Conselho Federativo, mas vem reiterando a importância da reforma.

>>> Lira diz que ligará a Bolsonaro para pedir que PL não feche questão contra reforma tributária

Outro governador que manifestou apoio a Bolsonaro nas últimas eleições, mas que atualmente se posiciona a favor, é Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal. Até mesmo o silêncio de alguns governadores tem sido interpretado como uma forma de resistência em obedecer a Bolsonaro. Jorginho Mello (PL), governador de Santa Catarina, não se posicionou contra o projeto da reforma tributária, apesar das pressões dos parlamentares alinhados ao bolsonarismo.

O PL deverá orientar seus parlamentares a votarem contra a Reforma Tributária, mas ainda não fechou questão em relação a possíveis penalidades para aqueles que votarem favoravelmente, como alguns governadores do partido estão recomendando.

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/com-bolsonaro-inelegivel-cinco-governadores-rejeitam-orientacao-do-ex-mandatario-e-se-manifestam-a-favor-da-reforma-tributaria

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Há quase 30 mil gravações ilegais da Lava Jato arquivadas no CNMP, 341 foram acessadas por integrantes da finada “força-tarefa”

 Em julho de 2020, na pandemia, a PGR descobriu a existência do sistema de gravações “Vocale R3” em Curitiba. Inquérito interno concluiu por potencial crime de procuradores

Por Luís Costa Pinto, da sucursal do 247 em Brasília – Em agosto, vencido o recesso judiciário do mês de julho, o Conselho Superior do Ministério Público Federal reúne-se em Brasília para encerrar o julgamento do Inquérito Administrativo Disciplinar nº 1.00.002.000044/2020-16. O procedimento investigou:

  1. se os procuradores da extinta “força-tarefa” da “Operação Lava Jato”, que pontificava na Procuradoria da República em Curitiba (PR), atuavam com inépcia e atrasaram irresponsavelmente o andamento e a resolutividade de processos - havia ali, então, um acervo de mais de 1.400 processos sem resposta;
  2. a hipótese de haver a presença de “autoridades com prerrogativa de foro” nos bancos de dados da “força tarefa”; e
  3. a existência e a indevida utilização de equipamento para a execução e a escuta de gravações de conversas telefônicas.

A conclusão do relatório do inquérito é positiva para os três pontos investigados: sim, sim, e sim. Sim, senhoras e senhores… quanto ao item nº 3, são positivas as provas levantadas de que os procuradores lavajatistas do Paraná compraram um aparelho de gravação telefônica, configuraram-no com o auxílio de servidores terceirizados do MP para efetuar ligações à distância e deixaram-no promovendo interceptações ininterruptas por quatro anos e acessaram comprovadamente 361 dessas gravações contidas num acervo que pode chegar a 30.000 interceptações efetuadas. 

“...era um equipamento para autogravação e a autogravação é algo lícito, legítimo, correto. Quando você compra uma faca na Procuradoria da República, faca para as cozinhas, você não baixa uma regulamentação dizendo que é proibido matar alguém. Por que? Porque já está na lei, tá na cara, é proibido, todo mundo sabe. Do mesmo modo, um aparelho de autogravação, ele tem o seu uso, comprado, a sua finalidade é fazer autogravação ali dos terminais das pessoas que estavam utilizando. Se alguém fizesse um uso disso fora disso seria algo absurdo, ilegal, criminoso, do mesmo modo que alguém pegar a faca comprada pela Procuradoria e matar alguém.” Este raciocínio tortuoso, tosco e inacreditável foi verbalizado por Deltan Dallagnol, à guisa de razões lógicas e de motivos, para se defender no curso do Inquérito Administrativo. A íntegra do que ele disse está mais adiante.

Apesar de tudo, em que pesem todas as conspirações da lógica forjadas com os fatos reais com os quais os subprocuradores-sindicantes se depararam em Curitiba, o subprocurador Mario Bonsaglia, conselheiro-relator do caso no Conselho Superior, estruturou um voto que admite as ilegalidades e não pune ninguém. Outros conselheiros já o seguiram. Aguarda-se com ansiedade o voto do procurador-geral da República, Augusto Aras. Ele só irá pronunciá-lo no dia da sessão, provavelmente na primeira semana do mês que vem. 

Foi Aras quem pediu a instauração do inquérito. A determinação se deu depois que a subprocuradora-geral Lindôra Araújo viajou a Curitiba, entre 23 e 25 de julho de 2020, no auge da pandemia por coronavírus Covid-19, a fim de verificar o porquê de tanta lerdeza no andamento processual nas ações pertinentes à Procuradoria no Paraná. A agenda era despretensiosa e não tinha o cunho de endurecer procedimentos contra a “força tarefa” da Lava Jato liderada pelo então procurador Deltan Dallagnol. Tanto era assim que Dallagnol trocou palavras amenas com Lindôra, por whatsapp, um mês antes da viagem da subprocuradora. 

No começo de tudo, um papo amigável entre Dallagnol e Lindôra Araújo – No dia 25 de maio de 2020, a subprocuradora-geral Lindôra Araújo enviou uma mensagem ao Deltan Dallagnol, conforme consta nos autos do Inquérito Administrativo, informando sobre sua ida a Curitiba para conversar acerca dos procedimentos de levantamento de acervo. “Vou aí conversar contigo sobre aqueles ing, proc, que me falastes (1450) para resolvermos tudo. Bjs”, disse ela por whatsapp ao então poderoso coordenador da Lava Jato. A resposta de Dallagnol: “Oi Lindôra, venha sim, é super bem vinda! Estávamos aliás com a reunião marcada quando começaram os cancelamentos de vôos por conta do COVID né? Me fala como está a sua agenda pra nos programarmos. Não entendi bem a questão de "1450". Vc se refere ao nosso acervo acumulado né? Como veio a COVID e não pudemos fazer buscas e apreensões, planejamos focar no acervo até o fim de maio. Até semana que vem, provavelmente o acervo estará sob controle”.

Como se depreende da troca de mensagens, era uma conversa amena entre dois colegas de trabalho - sendo a subprocuradora hierarquicamente superior ao procurador paranaense. Ouvido no curso da sindicância administrativa, Deltan Dallagnol mudou a versão do diálogo e afirmou que tal número (1.450) consistiria em "provável engano”, como registrou o relatório do Inquérito citado no voto do subprocurador Mario Bonsaglia. “No começo do ano antes da pandemia eu liguei para a doutora Lindôra e também comuniquei para alguma outra pessoa na Administração superior, talvez para a doutora Elizeta, até, e mencionei que nós tínhamos um dilema à nossa frente, nós tínhamos grandes casos, casos que demandavam buscas e apreensões, casos que poderiam gerar resultados maiores para a sociedade, e nós tínhamos um volume de coisas atrasadas, nós tínhamos por exemplo, uma lista de inquéritos atrasados”, disse ele aos responsáveis pelas sindicâncias. E prosseguiu, na versão que não bate com o diálogo por whatsapp: “além disso, nós tínhamos expedientes atrasados, nós já chegamos a ter mais de 1.000 expedientes atrasados (...) nós tínhamos também procedimentos investigatórios, que volta e meia estouravam o prazo, e mencionei que nós eståvamos diante dessa dificuldade de escolher qual…”

O excesso de esperteza que comeu o gato, matando-o pela boca pretensiosa – Entre o diálogo tranquilo por whatsapp e a oitiva para os sindicantes que apuravam as histórias mal contadas da Lava Jato em Curitiba, o coordenador da “força tarefa” mudou de postura porque, uma vez no Paraná, Lindôra Araújo deparou-se com as evidências irrefutáveis de que na Procuradoria da República paranaenses, conversas telefônicas eram gravadas irregularmente por meio de um software que se tentava ocultar dela e que ao menos duas “autoridades com prerrogativas de foro” - ou seja, duas pessoas que tinham foro privilegiado e não podiam ser investigadas por procuradores da base da cadeia alimentar do Ministério Público, como Dallagnol - estavam sendo mantidos sob monitoramento e investigação: Davi Alcolumbre, então presidente do Senado, e Rodrigo Maia, à época presidente da Câmara dos Deputados.

“Impende salientar, inicialmente, que não se trata aqui de um juízo amplo e definitivo sobre a realização ou não pela Força-Tarefa de investigações, que passaria inclusive pela necessidade de colheita de provas que, pelo caráter peremptório exigido, seriam impossíveis. O crivo a ser realizado, no presente inquérito, diz respeito aos elementos indiciários nele colhidos”, diz o texto do Inquérito Administrativo Disciplinar. E segue: “Nesses moldes, no presente inquérito o fato em questão diz respeito, especificamente, à inclusão dos nomes dos Presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, suprimindo os sobrenomes pelos quais são conhecidos, em planilha apresentada em denúncia formulada pelos Procuradores da Lava Jato em Curitiba, referente a doações eleitorais realizadas por empresas do Grupo Petrópolis a pedido da Odebrecht, em 2014 (Ação Penal n' 5077792-78.2019.4.04.7000).” A partir daí, a constatação de que os procuradores lavajatistas se consideravam mais espertos do que todos - só que não eram… Nas palavras do Inquérito que serviu de base para o voto de Bonsaglia, que admite as irregularidades, porém, libera de punição quem as cometeu, eis a peça: “Constou na referida planilha: "Davi Samuel" e "Rodrigo Felinto". O nome completo das referidas autoridades é: Davi Samuel Alcolumbre Tobelem e Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia. Como sabido, o Presidente do Senado é conhecido como Davi Alcolumbre e o Presidente da Câmara dos Deputados como Rodrigo Maia.”

O Inquérito foi além, colhendo uma tergiversação ruborizante de Dallagnol. Ele, porém, tergiversou sem enrubescer: “Os indiciados em seus interrogatórios afirmaram que a denúncia apresentada não fez nenhum juízo de valor sobre as doações eleitorais feitas, mas apenas relacionou os pagamentos feitos pelo Grupo Petrópolis, a pedido da Odebrecht, para contextualizar os crimes de lavagem de dinheiro imputados aos então denunciados”, lê-se no relatório. E continua o texto oficial: “A esse respeito, assim se manifestou o então Coordenador da FTLJ Procurador Deltan Dallagnol: ‘Eu não participei da elaboração da denúncia ou da revisão da denúncia. Eu tomei conhecimento quando surgiram as notícias no site Poder 360. A meu ver, notícias bem enviesadas. Claro que o colega que tratou desse caso específico, o colega Antonio, salvo engano o Jabur também que participava do grupo com ele, vai poder dar detalhes sobre a preparação, mas eu conheço o caso, porque eu fui me inteirar depois e vi, revisei o procedimento adotado e, ao meu ver, na minha compreensão, com todas as possibilidades, o procedimento foi corretissimo’.”

O ‘Vocale R3’, as ‘quase 30 mil gravações’ e o ‘play’ dado em 341 delas – O relatório do Inquérito Administrativo Disciplinar levado a cabo na Procuradoria da República no Paraná é tão forte e contundente em suas próprias palavras que a partir deste ponto vale lê-lo num trecho íntegro para compreender o que se passou nos porões da “força tarefa” da Lava Jato:

“Na hipótese dos autos, vê-se que a pretexto de proteção, diante das supostas ameaças recebidas por ligações telefônicas, a autogravação realizada foi de larga amplitude e careceu de parâmetros claros e formais de início e encerramento. Foram apontados vestígios de quase 30 mil gravações ao longo de mais de quatro anos. Ademais, do relatório completo de atividades do equipamento VOCALE R3, apresentado pela Procuradoria do Paraná, constam 341 ocorrências de ‘play recording’ ou escuta áudio, de ramais da informática - que conforme depoimento dos servidores de TI, foram incluídos para testes frequentes no equipamento -, e dos ramais da servidora Maria Mairia (8767) e do Procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima (8988). Observa-se que, em alguns dias, os acessos às gravações eram constantes no ramal da Secretária da Força Tarefa, como se vê, por exemplo, nas ocorrências 138 a 151 e 158 a 182, referentes ao dia 09/11/2016, e nas ocorrências 205, 206, 208, 210 a 248, no dia 02/12/2016. Transparece que o Coordenador tinha ciência das gravações principalmente do ramal que era o principal do gabinete da Força-Tarefa, e sabia como se dava o funcionamento do aparelho, até porque, como afirmou em seu depoimento, fez o teste no equipamento: ‘Eu lembro que, em algum momento, algum servidor; ou Jeysonn ou o Leandro ou alguma pessoa da informática, foi até a minha sala, quando eu sentava junto com outros colegas, e me mostrou esse software e eu fiz um teste de gravação no meu terminal. Eu lembro de ter feito esse teste de gravação, mas eu não me recordo de ter feito qualquer outra gravação para além desse teste a partir do meu terminal'. Ademais, não se pode esquecer que, segundo o depoimento do Procurador Paulo Roberto, o próprio Dr. Deltan teria sugerido, em uma ocasião que o procurador não se recorda se estava falando com uma autoridade (alguém da AGU, ou da CGU) ou um advogado, que a ligação fosse gravada. Fato é que, na condição de Coordenador da Força-Tarefa, tinha o dever legal de tomar os cuidados para que não houvesse nenhuma irregularidade no uso do aparelho, notadamente que pudesse fragilizar a segurança da informação compartilhada no âmbito da força-tarefa. E sendo o aparelho utilizado exclusivamente por servidores e membros da FTLJ, cumpriria o estabelecimento ou a determinação do estabelecimento de protocolos de segurança, com a adoção, por exemplo, de critérios formais para a solicitação do pedido de gravação de um ramal e a determinação expressa de encerramento das gravações quando do desligamento do servidor ou membro usuário do ramal. Ao falar sobre a ausência de regulamentação, assim manifestou-se o Dr. Deltan em seu interrogatório: ‘E eu vi até que no procedimento surgiu alguma questão disso não ter sido regulamentado. Mas, ora, se a autogravação é lícita, ainda que a regulação não fosse nossa competência, fosse da Administração, eu acho que não era algo a ser regulamentado. Por que? Porque era um equipamento para autogravação e a autogravação é algo lícito, legítimo, correto. Quando você compra uma faca na Procuradoria da República, faca para as cozinhas, você não baixa uma regulamentação dizendo que é proibido matar alguém. Por que? Porque já está na lei, tá na cara, é proibido, todo mundo sabe. Do mesmo modo, um aparelho de autogravação, ele tem o seu uso, comprado, a sua finalidade é fazer autogravação ali dos terminais das pessoas que estavam utilizando. Se alguém fizesse um uso disso fora disso seria algo absurdo, ilegal, criminoso, do mesmo modo que alguém pegar a faca comprada pela Procuradoria e matar alguém.”

Foi a dupla Lindôra Araújo, subprocuradora-geral da República, e Marcos Ferreira dos Santos, secretário de segurança institucional do Ministério Público Federal, que fez com que o equipamento Vocale R3, seu software capaz de transformá-lo num sistema de gravação de telefonemas à distância e o acervo de quase 30.000 conversas gravadas irregularmente - 341 delas tendo recebido o comando de “play recording”, ou seja, de tocarem para serem executadas - emergissem à superfície das profundezas do prédio da Procuradoria da República do Paraná onde vicejava a “força tarefa” da Lava Jato. “Então, fomos lá, o Dr. Marcos fez a inspeção na parte de informática e nós sentamos. Quando nós sentamos com a Dra. Paula, que é a Procuradora-Chefe, e mais o pessoal da Informática, que eles não queriam mandar ninguém ir, porque disseram que em pandemia ninguém trabalha”, contou Lindôra Araújo à comissão de sindicância ao narrar a história daquele “achamento”. E continuou: “Eu disse que eles iam ter que deixar irem alguns técnicos, porque não era possível que ninguém possa vir trabalhar. Chamaram alguns técnicos e o Dr. Marcos disse que queria falar com o Chefe da Informática. Disse que o técnico falou que lá tinha um aparelho que grava. Ficou todo mundo espantado. Como assim tem um aparelho que grava? Ele voltou a afirmar a existência do aparelho. Então, o Dr. Marcos disse que não viu esse aparelho e perguntou onde estava. Eles foram guiados pelo celular por esse rapaz, que estava no telefone e tinham mais três técnicos, um do Rio Grande do Sul e dois de lá de Curitiba, mais esse que estava no Facetime, mais a Dra. Paula, que tomou um susto, porque não sabia da existência desse aparelho. Tomou um susto mesmo, não tinha a menor ideia". Daquela forma prosaica, descobriu-se o aparelho de gravações irregulares da autoproclamada “República de Curtiba”. 

Eis o que diz o relatório da Comissão de Inquérito que apurou todo o caso e que deu base para o voto do subprocurador Mario Bonsaglia: “Assim, forçoso concluir que a conduta do então Coordenador da Força Tarefa, o Procurador Deltan Martinazzo Dallagnol, se enquadra como infração às normas previstas no art. 236, caput e incisos VIl e IX da Lei Complementar no 75/1993, uma vez que tinha conhecimento das gravações e de que eram realizadas sem a devida regulamentação, formalização ou com a adoção de protocolos de segurança, por mais de 4 (quatro) anos, sendo o aparelho usado exclusivamente pela Força-Tarefa, fragilizando a segurança da informação nela compartilhada, sem a tomada de providências para comunicar ou sanar a irregularidade. Com relação aos demais indiciados, observa-se que a grande maioria sequer sabia da existência do equipamento de gravação.”

Quando pediu exoneração do Ministério Público, em 5 de novembro de 2021, Deltan Dallagnol sabia de todo o percurso feito pelos subprocuradores que investigaram aqueles desmandos da Lava Jato descobertos nas intensas 48 horas transcorridas durante a incursão de Lindôra Araújo e do secretário de segurança institucional do MPF, Marcos Ferreira dos Santos, a Curitiba. O acervo com as quase 30 mil gravações efetuadas pela “força tarefa” está custodiado no arquivo do Conselho Nacional do Ministério Público em Brasília e a segurança dele cabe à Corregedoria Nacional do CNMP. Só os ex-integrantes da Lava Jato, que agiam sob a coordenação de Dallagnol, podem ser capazes de dizer quem foi gravado, o porquê cada uma das gravações foi feita, quem deu o comando para gravar e para que serviriam as gravações. Até que o processo administrativo-disciplinar seja encerrado, em agosto próximo, com o voto do procurador-geral Augusto Aras, estão escapando de punições penais ou até mesmo pecuniárias todos os envolvidos nesse enredo didático por ser capaz de revelar a sordidez de um grupo que se colocou acima da lei, da lógica (releia, se preciso, a justificativa de Dallagnol para a compra do software de gravação), da Constituição e dos direitos individuais. Até aqui, o Ministério Público Federal está a dever satisfações à sociedade: não soube, ainda, punir exemplarmente o lavajatismo que enxovalhou a reputação da instituição concebida pelos constituintes de 1987/88 como um poder modulador - e não moderador - do convívio independente e harmônico dos três poderes da República.

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/ha-quase-30-mil-gravacoes-ilegais-da-lava-jato-arquivadas-no-cnmp-341-foram-acessadas-por-integrantes-da-finada-forca-tarefa

terça-feira, 4 de julho de 2023

Lira diz que Reforma Tributária ainda está sujeita a alterações para atender pleito de governadores

 Presidente da Câmara diz que sugestões dos governadores podem ser incorporadas ao texto

Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

247 - O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta segunda-feira (3), que o texto da Reforma Tributária ainda está sujeito a alterações. De acordo com ele, os governadores que ainda têm pleitos em relação ao formato de arrecadação que será adotado ainda serão ouvidos e as sugestões recebidas pelo relator da Reforma, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), podem ser incorporados ao texto que será votado, informa O Globo.

Lira deixou claro que a matéria só irá a plenário "quando houver quórum suficiente" e não se comprometeu com uma data específica. "Alguns governadores estão com o pleito de que possam fazer a arrecadação dos impostos e, posteriormente, a sua repartição. Acho que o relator Aguinaldo não tem problemas em fazer mudanças com segurança jurídica que tragam mais votos. Não se trata de uma guerra entre governistas e oposição". Segundo ele, é preciso, primeiro, ter um resultado de placar dos partidos, de como as bancadas estão. 

Lira defendeu que é importante que as bancadas discutam e que os governadores vão a Brasília. "Temos a oportunidade de debater a na hora que tivermos quórum adequado votaremos" - disse. Lira também afirmou que os trabalhos das comissões permanentes e temporárias da Câmara foram suspensos nesta semana, justamente, para deixar os espaços dos plenários livres para os debates dos parlamentares sobre as importantes votações. 

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/lira-diz-que-reforma-tributaria-ainda-esta-sujeita-a-alteracoes-para-atender-pleito-de-governadores

Deputadas vão ao STF e MPF contra Gustavo Gayer após declaração racista

 Durante a participação no podcast Três Irmãos, Gayer relacionou a existência de ditaduras no continente à falta de “capacidade cognitiva"

Carta Capital - A associação de povos africanos à falta de capacidade cognitiva pode custar caro ao deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). Na última sexta-feira, 30, deputadas federais do PSOL apresentaram uma  notícia-crime ao STF , para que Gayer seja investigado por racismo na Suprema Corte, e junto ao MPF, uma ação por danos morais coletivos .

Assinam os pedidos: Célia Xakriabá (MG), Taliria Petrone (RJ), Erika Hilton (SP) e Luciene Cavalcante (SP).

Durante uma participação no podcast Três Irmãos, Gayer relatou a existência de ditaduras no continente à falta de “capacidade cognitiva”.

Leia a íntegra na Carta Capital.

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/deputadas-vao-ao-stf-e-mpf-contra-gustavo-gayer-apos-declaracao-racista

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Doze parlamentares registram notícia-crime contra o coronel do Exército Jean Lawand Junior

 O militar foi acusado de mentir em depoimento na CPMI dos atos golpistas

Coronel Jean Lawand Júnior em depoimento à CPMI dos Atos Golpistas Coronel Jean Lawand Júnior em depoimento à CPMI dos Atos Golpistas (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - Doze parlamentares registraram uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) contra o coronel do Exército Jean Lawand Junior, acusado de mentir em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas, que aconteceram no dia 8 de janeiro, quando bolsonaristas invadiram a Praça dos Três Poderes em Brasília (DF). 

O militar está sendo investigado por ter participado de um plano para dar um golpe de Estado e não deixar o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assumir o poder. 

Em 21 de dezembro, Lawand enviou uma mensagem ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), e relatou o fracasso do plano. "Que decepção", disse Lawand. "Infelizmente", respondeu Cid.  

Lawand continuou: "peça, por favor, para avisarem ao povo que está há 52 dias usando banheiros químicos, dormindo mal e enfrentando chuva. Eles merecem saber a verdade! Que Deus tenha piedade dessa nação".

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/doze-parlamentares-registram-noticia-crime-contra-o-coronel-do-exercito-jean-lawand-junior