domingo, 10 de outubro de 2010

Via Campesina e progressistas da Igreja armam contraofensiva em favor de Dilma

Uma contraofensiva da Via Campesina, dos movimentos populares e dos setores progressistas da Igreja em favor da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, começou a ser articulada esta semana e, na próxima, ganham as ruas dois manifestos em favor da petista. Um deles, assinado pela Via Campesina e outros movimentos sociais, conclama "a militância de todos os movimentos sociais" a se engajarem na campanha para a eleição de Dilma. "Precisamos derrotar a candidatura Serra, pois ela representa as forças direitista e fascistas do país", diz o manifesto, que vai coletar adesões até amanhã.

O outro documento está sendo preparado por grupos progressistas da Igreja Católica e protestante, para se contrapor à ação de setores religiosos que, às vésperas do primeiro turno, fizeram campanha anti-Dilma e anti-PT, sob o argumento de que candidata e partido eram "abortistas".

A nota que será oficializada pelos movimentos sociais, ao fazer uma análise do primeiro turno das eleições, chega à conclusão de que os setores sociais progressistas tiveram vitórias, não apenas nas eleições parlamentares "e na reeleição de governadores progressistas", mas com a derrota eleitoral deYeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul, que manteve um governo de "criminalização dos movimentos sociais". Não poupou críticas a nenhum dos candidatos à Presidência - à Dilma, pela falta de debate de projetos que interessam efetivamente à população, e à Serra, "pelo baixo nível de sua campanha presidencial". "A biografia do candidato já é a maior derrotada nessas eleições", diz a nota.

Em relação a Marina Silva, candidata do PV no primeiro turno - que tem uma histórica ligação com os movimentos sociais -, o documento foi implacável. "Quanto à candidatura de Marina Silva, cumpriu o objetivo a que se propôs: o de provocar um segundo turno nessa campanha eleitoral. O tempo dirá se o seu êxito serviu para fortalecer a democracia ou foi utilizado para que as forças conservadoras retornassem ao poder."

O documento articulado pela Via Campesina reitera sua posição de autonomia em relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, cujos avanços "foram insuficientes, em que pese os acertos de sua política externa". O candidato do PSDB, José Serra, todavia, é colocado como "inimigo das bandeiras de luta" populares, pela sua atuação à frente do governo paulista e pelos oito anos dos governos tucanos de Fernando Henrique Cardoso. "Pelo caráter antidemocrático e antipopular dos partidos que compõem a sua (de Serra) aliança eleitoral e por sua personalidade autoritária, estamos convictos que uma possível vitória sua (de Serra) significará um retrocesso aos movimentos sociais e populares em nosso país e para as conquistas democráticas no continente, e maior subordinação ao império estadunidense", justifica o documento.

Até agora, aderiram a essa posição a Via Campesina, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), o Sindicato dos Engenheiros do Paraná, a Marcha Mundial das Mulheres, o Centro de Estudos Barão de Itararé [de blogueiros progre] e a Uneafro. Segundo fonte envolvida nessas articulações, correntes do PSOL e movimentos ambientalistas ligados à Marina mostraram interesse em aderir ao movimento, mas devem esperar posição de seus partidos.

O documento é o primeiro passo de uma estratégia de mobilização dos setores sociais em favor de Dilma. O segundo momento é o envolvimento das bases dos movimentos na campanha do segundo turno, em favor de Dilma. Ainda assim, apesar da adesão à petista, os movimentos reiteram "a autonomia política frente aos governos".

A matéria é da jornalista Maria Inês Nassif. Publicada hoje no jornal Valor Econômico.

Foto: Dilma e o pequeno Gabriel, seu primeiro neto, nascido em setembro último.

Redator: Cristóvão Feil

Estudos indicam tendência liberalizante do aborto no mundo

A maioria dos países que introduziram mudanças nas suas legislações sobre aborto desde 1996 adotaram regras mais permissivas sobre a prática, apontam estudos recentes publicados pelas Nações Unidas e pelo Instituto Guttmacher, especializado em saúde reprodutiva.

Entre 1996 e 2009, ao menos 47 de 192 países da ONU aprovaram leis com artigos mais liberalizantes, segundo o World Population Policies 2009, da ONU (Organização das Nações Unidas).

Nesse mesmo período, outros 11 países endureceram suas legislações sobre o tema.

Dos 47 países que liberalizaram sua legislação, ao menos 21 aprovaram leis com artigos mais liberalizantes que os do Brasil, onde o tema se transformou em uma das principais questões na reta final da campanha presidencial.

O assunto divide o partido da candidata do PT, Dilma Rousseff. O candidato do PSDB, José Serra, diz ser contra a legalização do aborto.

LIBERALIZANTE

Nos 21 países que adotaram leis mais abertas que as do Brasil, entre as razões em que prática abortiva é autorizada estão o caso de haver má-formação fetal, de a mãe não ter condições socioeconômicas para criar o filho ou de a mãe solicitar o procedimento.

Mas, no panorama geral, em 2009, "quase todos os países permitiam o aborto para salvar a vida das mulheres", relata o World Population Policies. A permissão ao aborto por desejo da mãe passou a valer em 29% dos países da ONU, ante 10% em 1980.

Em pesquisa do Instituto Guttmacher, as autoras Reed Boland e Laura Katzive, que se manifestam favoravelmente ao aborto, dizem que o motivo da tendência liberalizante é "o reconhecimento do impacto das restrições ao aborto nos direitos humanos femininos".

Os países ibéricos são exemplos de liberalização. Em 2007, Portugal legalizou o aborto sem restrições até a 10ª semana de gestação e, depois desse período, em casos de má-formação fetal, de estupro ou de perigos à vida ou à saúde da mãe. Na Espanha, lei com termos semelhantes começou a vigorar neste ano.

No México, onde a legislação sobre o tema é estadual, a Cidade do México passou a permitir, em 2007, o aborto sem restrições de motivos até 12 semanas de gravidez.

Na Colômbia, a Corte Constitucional determinou em 2006 que o aborto é legítimo em casos de estupro, má-formação fetal ou de riscos para a vida da mãe. Até então, a prática era proibida no país.

Há ainda países em que o aborto era totalmente ilegal, mas passou a ser aceito nos últimos anos se a mãe correr riscos ou se houver má-formação fetal (caso do Irã) ou de estupro (caso de Togo).

No mesmo período, Nicarágua e República Dominicana proibiram totalmente a prática, enquanto Argentina, Equador, Nicarágua, Iraque e Japão, entre outros, endureceram suas legislações a respeito, segundo a ONU.

O Uruguai chegou a aprovar o aborto no Congresso, dois anos atrás, mas a lei foi vetada pelo então presidente Tabaré Vázquez.

E o México viu movimentos ambíguos nos últimos anos: enquanto alguns Estados se espelharam na capital federal e passaram a ser mais permissivos, outros aprovaram emendas constitucionais punindo a prática abortiva com mais rigor.

REDUÇÃO

Nos últimos 15 anos observou-se uma queda no número de abortos praticados no mundo: de estimados 46 milhões em 1995 para 42 milhões em 2003, segundo os últimos dados disponíveis pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A metade deles foi feita de maneira insegura ou clandestina, estima-se.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil não traçam, porém, paralelos entre a redução no número de abortos e a tendência liberalizante observada em muitos países.

"Estudos mostram que a chance de uma mulher fazer um aborto é praticamente a mesma onde o aborto é liberado e onde é restrito", explicou por e-mail Iqbal Shah, do Departamento de Pesquisas e Saúde Reprodutiva da OMS.

"Diversas pesquisas em países que legalizaram o aborto indicam que a prática pode inicialmente aumentar, mas depois é reduzida. Isso não ocorre por causa da legalização, mas porque abortos que antes seriam realizados clandestinamente passam a ser contabilizados (oficialmente) quando a lei muda

sábado, 9 de outubro de 2010

Estudo: Incêndios florestais são sintomas das mudanças climáticas

Há alguns meses diversos incêndios florestais se propagaram pelo interior da Rússia, cobrindo grande parte do país com uma densa camada de fumaça. Em menor escala, nas planícies do Colorado, EUA, as chamas também tiveram um crescimento significativo. No entender dos pesquisadores, esse fenômeno não é natural, mas a ponta do iceberg para incêndios em escala global.

Incêndios Florestais
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De acordo com Amber Soja, especialista em queima de biomassa junto ao NIA, Instituto Nacional Aeroespacial, dos EUA, além dos efeitos imediatos sobre a saúde, essa queima de florestas é parte da equação do Aquecimento Global. Segundo a pesquisadora, as queimadas no hemisfério norte são um claro sintoma do aquecimento do planeta.

"Estamos vivendo os primeiros sinais das mudanças climáticas e esses incêndios são parte dessas mudanças", disse Soja. Segundo a cientista, o aumento da temperatura será o fator decisivo no disparo de incêndios maiores e mais freqüentes. Esses incêndios que lançam mais partículas e gases na atmosfera, amplificando ainda mais o chamado Efeito Estufa.

Números impressionantes
"Descobrimos que 90% da queima de biomassa é provocada diretamente pelo Homem", disse Joel Levine, cientista-chefe da NASA que liderou um programa de estudo sobre queimadas entre 1985 e 1999.

Levine e seus colegas visitaram diversos incêndios florestais no Canadá, Califórnia, Rússia, África do Sul, México e também em regiões áridas. Segundo o levantamento da época, a queima da biomassa mundial contribui com cerca de 30% do dióxido de carbono na atmosfera, gás que segundo os especialistas é o maior responsável pelo Aquecimento Global.

"As estimativas atuais concordam com esses números", disse Paul F. Crutzen, um dos pioneiros à relacionar a queima da biomassa ao aumento do CO2. Crutzen recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1995, junto com Mario J. Molina e F. Sherwood Rowland, pelo estudo aprofundado da química da atmosfera.

Hemisfério Norte
Não existe consenso entre os cientistas de que a queima da biomassa global está em ascensão, mas definitivamente está aumentando nas latitudes mais ao norte, onde as florestas boreais são compostas basicamente de árvores coníferas.

A razão é que, ao contrário dos trópicos, as latitudes setentrionais estão aquecendo mais rapidamente e experimentando menos precipitação, tornando-as mais suscetíveis ao fogo.

"Estar perto de grandes incêndios é uma experiência única, disse Levine. "A fumaça é tão espessa que parece crepúsculo. Ela bloqueia o sol. Parece até outro planeta. É uma experiência muito estranha."

Rússia
No entender da cientista, os incêndios na Rússia foram causados por um clima muito mais quente que fez o verão bater o recorde histórico. O clima potencializou a incidência de raios, a principal causa da queima natural da biomassa.

"O que está acontecendo com o clima do planeta é um grito de alerta para todos nós, ou seja, todos os chefes de estado, todos os chefes de organizações sociais. Precisamos tomar uma atitude mais enérgica para combater as mudanças globais do clima", disse o presidente da Rússia Dmitri A. Medvedev, invertendo radicalmente a antiga posição do país que afirmava que as alterações climáticas induzidas pelo homem não estavam ocorrendo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tremor de magnitude 4,6 atinge região de Brasília

BRASÍLIA (Reuters) - Um tremor de magnitude 4,6 atingiu a região Centro-Oeste do país na sexta-feira, segundo o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB). Não há registro de danos ou feridos.

O sismo ocorreu às 17h17 e teve epicentro no município goiano de Mara Rosa, na divisa entre Tocantins e Goiás, informou o Observatório.

"Houve um tremor seguido de outro. Há chances de acontecer novamente hoje", disse o diretor da organização, George França, segundo nota no site da UnB.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos também registrou o tremor e aferiu magnitude 5 ao sismo, cujo epicentro seria a 14,8 quilômetros de profundidade.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal recebeu mais de 200 ligações referentes ao tremor e o Corpo de Bombeiros está verificando prédios que podem ter sofrido rachaduras.

No município de Mara Rosa, epicentro do tremor, houve relatos de dois tremores.

"Foi horrível. Tudo estava balançando. A TV estava se mexendo. No começo eu pensei que era um caminhão. Todo mundo sentiu isso", disse a aposentada Maria Terezinha Borges Cardoso.

"Tudo estava se mexendo. Algumas pessoas saíram às ruas e rezaram. Algumas coisas caíram no chão", disse.

No prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, houve orientação para que os servidores deixassem o prédio. No Tribunal de Justiça do Distrito Federal os funcionários foram dispensados.

No Palácio do Planalto, servidores do quarto andar foram orientados a deixar o prédio caso um novo abalo fosse sentido. No andar estão a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional e a Secretaria de Relações Institucionais.

(Por Bruno Peres e Peter Murphy, com reportagem adicional de Hugo Bachega, em São Paulo)

Dilma pede direito de resposta à TV Canção Nova

“Por meio de representação direcionada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a coligação “Para o Brasil seguir mudando” e sua candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, solicitaram direito de resposta contra a TV Canção Nova, no tempo de 15 minutos, em horário matutino. Isso porque na manhã da terça-feira, dia 5, a emissora teria exibido, ao vivo, a realização de uma homilia na qual um padre pediu aos fiéis que não votem na candidata Dilma no segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo a representação, em toda a homilia transmitida pela TV Canção Nova, o religioso emitiu opiniões ofensivas à candidata e ao Partido dos Trabalhadores, com afirmações falsas de caráter difamatório e injurioso. “Dentre outras afirmações falsas e ofensivas, de cunho difamatório e calunioso, o referido padre afirma que o PT é a favor da interrupção de gestações indesejadas”, esclarece.

Sustenta que a emissora não se limitou a emitir opinião contrária à coligação e á candidata, mas fez graves ofensas à honra e à reputação, “a ensejar a concessão de direito de resposta”. Entre as supostas acusações estão a de que: o país piorará se o PT e sua candidata ganharem as eleições; o partido defende a prática de aborto; a candidata e o PT pretendem aprovar leis que cerceiem as liberdades de imprensa e religiosa; ambos pretendem aprovar a celebração de casamento entre homossexuais; eles têm a intenção de transformar a nação brasileira em nação comunista com terrorista. Em todas elas, conforme a representação, o religioso afirma que poderia ser morto ou preso em virtude de suas afirmações, “em clara sugestão caluniosa de que o PT poderia praticar algum crime contra a sua integridade física”.”

Sobral, uma das cidades mais Saneadas do Brasil

 

A Prefeitura de Sobral continua desenvolvendo obras de drenagem, resolvendo problemas antigos da cidade. Paralela a essa ação, continuam as obras de saneamento, que atendem às principais ruas e avenidas do centro, ampliando o número de áreas saneadas e assegurando, que inserem Sobral na relação das cidades mais saneadas do Brasil com cerca de 70% da área urbana beneficiada.
O saneamento básico é um serviço essencial na vida de uma comunidade, por sua importância na prevenção de doenças, a partir da higienização, interferindo de forma direta na elevação da qualidade de vida dos moradores e atratividade do local para empreendimentos externos. Esta realidade sobralense tem contribuído sobremaneira com o crescimento de Sobral, relacionada entres as 30 cidades do Brasil melhor de se morar e empreender.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Brasileiro cria computador de papelão

  • Computador de papelão (foto do blog de André Ruschel)

 

Um empresário brasileiro criou um computador ecológico com estrutura feita de papelão reciclado e componentes que consomem menos energia. Segundo o site brasileiro «G1», André Ruschel desenvolveu o «ThinEco» para mostrar como é possível produzir uma máquina «verde».

A estrutura externa é feira de papelão usado para embalar peças automóveis, por causa da sua espessura e rigidez. «A estrutura é rígida e pode suportar uma pessoa sentada em cima sem amassar», garante. Depois vieram os testes, como deixar o computador ligado durante dois dias, mas este não sobreaqueceu. «Como o papelão tem orifícios naturais, o material possibilita a ventilação do equipamento», explica o empresário.

O computador é muito similar a um netbook, porque não tem drive de CD e DVD, além de ter baixa capacidade de processamento, o que consome menos energia. Todos os componentes internos foram escolhidos pelo baixo consumo energético.

André Ruschel explica que usou o «ThinEco», que pesa cerca de 1,2 quilos no evento «Microsoft TechEd Brasil 2010», em Setembro. «Eu fui fazer palestras sobre assuntos não relacionados ao computador. Usei o equipamento para me ajudar nas apresentações, como se fosse um notebook». Só que a estranha máquina acabou por chamar a atenção dos presentes.

O computador, que demorou dois meses a montar, ficou pronto no final de Agosto. André Ruschel ainda está a pensar se vai comercializar o «ThinEco», já que o objectivo inicial do projecto não era comercial.

ELEIÇÕES 2010 E OS APROVEITADORES DA BOA FÉ E DA CREDULIDADE EVANGÉLICA

Rev. Sandro Amadeu Cerveira

Talvez eu tenha falhado como pastor nestas eleições. Digo isso porque estou
com a impressão de ter feito pouco para desconstruir ou no pelo menos
problematizar a onda de boataria e os posicionamentos “ungidos” de alguns
caciques evangélicos. [1]
Talvez o mais grotesco tenham sido os e-mails e “vídeos” afirmando que votar
em Dilma e no PT seria o mesmo que apoiar uma conspiração que mataria Dilma
(por meios sobrenaturais) assim que fosse eleita e logo a seguir implantaria
no Brasil uma ditadura comunista-luciferiana pelas mãos do filho de Michel
Temer. Em outras o próprio Temer seria o satanista mor. Confesso que não
respondi publicamente esse tipo de mensagem por acreditar que tamanha
absurdo seria rejeitada pelo bom senso de meus irmãos evangélicos. Para além
da “viagem” do conteúdo a absoluta falta de fontes e provas para estas
“notícias” deveria ter levado (acreditei) as pessoas de boa fé a pelo menos
desconfiar destas graves acusações infundadas. [2]
A candidata Marina Silva, uma evangélica da Assembléia de Deus, até onde se
sabe sem qualquer mancha em sua biografia, também não saiu ilesa. Várias
denominações evangélicas antes fervorosas defensoras de um “candidato
evangélico” a presidência da república simplesmente ignoraram esta
assembleiana de longa data.
Como se não bastasse, Marina foi também acusada pelo pastor Silas Malafaia
de ser “dissimulada”, “pior do que o ímpio” e defender, (segundo ele), um
plebiscito sobre o aborto. Surpreende como um líder da inteligência de
Malafaia declare seu apoio a Marina em um dia, mude de voto três dias depois
e à apenas 6 dias das eleições desconheça as proposições de sua irmã na fé.
De fato Marina Silva afirmou (desde cedo na campanha, diga-se de passagem)
que “casos de alta complexidade cultural, moral, social e espiritual como
esses, (aborto e maconha) deveriam ser debatidos pela sociedade na forma de
plebiscito” [3], mas de fato não disse que uma vez eleita ela convocaria
esse plebiscito.
O mais surpreendentemente, porém foi o absoluto silêncio quanto ao candidato
José Serra. O candidato tucano foi curiosamente poupado. Somente a campanha
adversária lembrou que foi ele, Serra a trazer o aborto para dentro do
Sistema Único de Saúde (SUS) [4]. Enquanto ministro da saúde o candidato do
PSDB assinou em 1998 a norma técnica do SUS ordenando regras para fazer
abortos previstos em lei, até o 5º mês de gravidez [5]. Fiquei intrigado que
nenhum colega pastor absolutamente contra o aborto tenha se dignado a me
avisar desta “barbaridade”.
Também foi de estranhar que nenhum pastor preocupado com a legalização das
drogas tenha disparado uma enxurrada de-mails alertando os evangélicos de
que o presidente de honra do PSDB, e ex-presidente da República Fernando
Henrique Cardoso defenda a descriminalização da posse de maconha para o
consumo pessoal [6].
Por fim nem Malafaia, nem os boateiros de plantão tiveram interesse em dar
visibilidade a noticia veiculada pelo jornal a Folha de São Paulo (Edição
eletrônica de 21/06/10) nos alertando para o fato de que “O candidato do
PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira ser a favor da
união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais.” [7]
Depois de tudo isso é razoável desconfiar que o problema não esteja
realmente na posição que os candidatos tenham sobre o aborto, união civil e
adoção de crianças por homossexuais ou ainda a descriminalização da maconha.
Se o problema fosse realmente o comprometimento dos candidatos e seus
partidos com as questões acima os líderes evangélicos que abominam estas
propostas não teriam alternativa.
A única postura coerente seria então pregar o voto nulo, branco ou ainda a
ausência justificada. Se tivessem realmente a coragem que aparentam em suas
bravatas televisivas deveriam convocar um boicote às eleições. Um gigantesco
protesto a-partidário denunciando o fato de que nenhum dos candidatos com
chances de ser eleitos tenha realmente se comprometido de forma clara e
inequívoca com os valores evangélicos. Fazer uma denuncia seletiva de quem
esta comprometido com a “iniqüidade” é, no mínimo, desonesto.
Falar mal de candidato A e beneficiar B por tabela (sendo que B está
igualmente comprometido com os mesmo “problemas”) é muito fácil. Difícil é
se arriscar num ato conseqüente de desobediência civil como fez Luther King
quando entendeu que as leis de seu país eram iníquas.
Termino dizendo que não deixarei de votar nestas eleições.
Não o farei por ter alguma esperança de que o Estado brasileiro transforme
nossos costumes e percepções morais em lei criminalizando o que consideramos
pecado. Aliás tenho verdadeiro pavor de abrir esse precedente.
Não o farei porque acredite que a pessoa em quem votarei seja católica,
cristã ou evangélica e isso vá “abençoar” o Brasil. Sei, como lembrou o
apóstolo Paulo, que se agisse assim teria de sair do mundo.
Votarei consciente de que os temas aqui mencionados (união civil de pessoas
do mesmo sexo, descriminalização do aborto, descriminalização de algumas
drogas entre outras polêmicas) não serão resolvidos pelo presidente ou
presidenta da república. Como qualquer pessoa informada sobre o tema, sei
que assuntos assim devem ser discutidos pela sociedade civil, pelo
legislativo e eventualmente pelo judiciário (como foi o caso da lei de
biossegurança) [8] com serenidade e racionalidade.
Votarei na pessoa que acredito representa o melhor projeto político para o
Brasil levando em conta outras questões (aparentemente esquecidas pelos
lideres evangélicos presentes na mídia) tais como distribuição de renda,
justiça social, direitos humanos, tratamento digno para os profissionais da
educação, entre outros temas. (Ver Mateus 25: 31-46) Estas questões até
podem não interessar aos líderes evangélicos e cristãos em geral que já
ascenderam à classe média alta, mas certamente tem toda a relevância para
nossos irmãos mais pobres.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A geoengenharia, possível plano B diante da mudança climática

Por Matthew Berger, da IPS

Enquanto muitos países continuam se negando a limitar suas emissões contaminantes e se tornam mais prováveis e frequentes os eventos climáticos extremos, alguns pesquisadores afirmam que é hora de desenvolver um plano alternativo: a geoengenharia. Por este método, o dióxido de carbono é eliminado da atmosfera, a quantidade de radiação solar que aquece o planeta diminui, ou as duas coisas. Há várias propostas que se ajustam a estas amplas categorias, e variam muito em termos de sua adaptação e viabilidade em grande escala. No momento, os planos são muito gerais e ocupam um lugar marginal nos debates sobre o clima.
Isto se aplica especialmente à categoria de geoengenharia chamada “manejo da radiação solar”. Isto inclui, em ordem decrescente de viabilidade provável a grande escala, lançar aerossóis na atmosfera, branquear as nuvens marinhas, enviar ao espaço satélites com espelhos e branquear a superfície dos oceanos, segundo o pesquisador David Keith. A outra categoria da geoengenharia é a eliminação do dióxido de carbono, e inclui medidas tão aceitas como plantar florestas para utilizá-las como sequestradoras de carbono, ou queimar biomassa em lugar de combustíveis fósseis como carvão.
Os enfoques mais recentes em matéria de eliminação do dióxido de carbono também propõem cultivar grandes quantidades de algas a partir das quais se possa elaborar biocombustível, e, o que gera maior controvérsia, espalhar minerais como ferro ou pedra de cal sobre partes do oceano. David, cientista ambiental da canadense Universidade de Calgary, é um dos principais promotores da geoengenharia. No entanto, ele e seus colegas se apressam em destacar que estas soluções para a mudança climática não devem ser vistas como substitutas da redução das emissões dos gases-estufa.
Também observam que a maior parte destas tecnologias não está pronta para uso e o mais necessário é investigar para determinar quais consequências adversas podem ter tais soluções e, inclusive, se funcionarão. Isto é, se realmente isto pode ser pensado como um plano B. No momento, persistem muitos temores sobre as possíveis implicações ecológicas da geoengenharia. E será necessário resolver estes assuntos científicos, bem como outros políticos e legais, para avançar mais.
Para Brad Allenby, professor de engenharia e ética na Arizona State University, preocupa o fato de se passar por alto sobre os efeitos colaterais destas soluções sobre outros fenômenos, como padrões meteorológicos e ciclo do nitrogênio. “Estas tecnologias são importantes, mas necessitamos compreender muito mais, em particular sobre a escala. Quando coloco na estratosfera material suficiente para mudar os padrões das monções?”, perguntou Allenby em uma conferência realizada no mês passado em Washington. Segundo ele, é necessário deixar de pensar na geoengenharia unicamente como “tecnologias de mudança climática”, já que este é apenas um de uma série de temas interligados.
Além destes problemas conceituais e ecológicos, esta tecnologia potencial também apresenta questões espinhosas para o direito e a governança internacionais. Jason Blackstock, do Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados, com sede em Viena, acredita que o uso da geoengenharia pode, em última instância, traduzir-se na narrativa política e em ação unilateral. Um país pobre que se sinta afetado porque outro rico não reduz suas emissões contaminantes pode decidir tomar medidas de geoengenharia por si próprio, disse. Jason afirmou não acreditar que os Estados Unidos serão os primeiros a adotar este tipo de medidas, sendo mais provável que uma economia emergente o faça.
Também há a possibilidade de as corporações privadas ou os indivíduos usarem a geoengenharia para combater a mudança climática por sua conta. Mas, como disse Dan Bodansky, professor de leis, ética e sustentabilidade na Arizona State University, isto não será um ato isolado, mas “uma atividade contínua ao longo do tempo”. Será difícil tomar medidas de geoengenharia sem o conhecimento dos governos, e ainda não está claro quem tem jurisdição sobre isto e quais governos ou entidades deveriam responder neste sentido, disse. O outro temor é político. Se for possível ter fácil acesso às opções de geoengenharia, existirá ainda o incentivo de reduzir significativamente as emissões?
É possível que até 2015 as opções de geoengenharia possam ser usadas para negociar em cúpulas como a 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, realizada em dezembro, em Copenhague, e a que acontecerá este ano em Cancun, disse Jason. No momento, David e seus colegas simplesmente esperam que se pesquise mais, tanto as tecnologias da geoengenharia como as polêmicas questões que apresenta. Admitem que a geoengenharia em escala planetária tem grandes riscos, mas também sabem que pode chegar o momento em que os supere o risco de emergências induzidas pela mudança climática. Envolverde/IPS

O teto do mundo desmorona

Por Bhuwan Sharma, da IPS

Katmandu, Nepal, 5/10/2010 – Nas últimas duas temporadas, Dawa Sherpa não pôde escalar o Everest. Este embaixador do Fundo Mundial para a Natureza, que já por duas vezes conquistou o cume da montanha mais alta da Terra, pode não voltar a vê-la por culpa da mudança climática. “A neve que cobre a montanha diminui e as fendas se abrem nas geleiras. Nos últimos dois anos houve frequentes avalanches”, disse Dawa.
O montanhista disse que, ao chegar ao Acampamento Base, a 5.380 metros de altitude (o Everest tem 8.848 metros), já se pode ver claramente a devastação causada pelo aquecimento global. Em 2010, um de seus colaboradores sherpas (moradores dos montes Himalaias) perdeu a vida em uma avalanche. Dawa recordou que o montanhista nepalês Apa Sherpa, que atingiu o ponto mais alto do Everest por 20 vezes desde 1990, viu no ano passado charcos de água a oito mil metros de altitude.
As geleiras cobrem cerca de 10% do Nepal, de onde fluem 10% dos riachos. O derretimento dos gelos é uma das várias consequências da mudança climática nesta nação da Ásia meridional. O ministro de Florestas e Conservação do Solo, Jagadish Chandra Baral, falou à IPS de um assombroso exemplo de como o aquecimento do planeta afeta o setor agrícola do Nepal.
“A área de cultivo de maçãs no distrito de Mustang está mudando gradualmente para altitudes maiores”, já que as crescentes temperaturas nas áreas mais baixas permitem a reprodução de vermes nos frutos, explicou Jagadish. “Os moradores dizem até há pouco tempo podiam cultivar facilmente maçãs saudáveis a uma altitude baixa, como em Lete (aldeia a 2.480 metros), mas hoje as maçãs tendem a serem atacadas por vermes, inclusive mais acima, como em Larjung (2.550 metros), Kobang (2.640 metros) e Marpha (2.670 metros)”, acrescentou.
Agora há planos para reassentar a aldeia de Dhe na área de Mustang, perto do Tibete, porque suas fontes de água estão secando e a flora desaparece rapidamente, deixando pouco para os animais comerem. Segundo o jornal inglês Republica informou em junho, um total “de 150 pessoas (23 famílias) serão reassentadas devido ao impacto da mudança climática no sustento dos pobres na aldeia”.
A localidade “sofre uma aguda escassez de água para irrigação nos últimos seis ou sete anos”, prossegue o jornal. “A terra irrigada diminuiu para menos de 50%, e a pecuária, principalmente a criação de cabras, caiu entre 40% e 45%”. A ironia é que o Nepal praticamente não contribui em nada para a mudança climática. Os países industrializados são os maiores emissores dos gases-estufa, causadores do fenômeno. De fato, China e Índia, que rodeiam o Nepal, são duas nações de rápida industrialização e estão entre os maiores emissores de dióxido de carbono.
No começo deste ano, o Grupo Internacional de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) admitiu ter errado ao prever que as geleiras na Cordilheira do Himalaia desapareceriam até 2035. Isto fortaleceu os céticos do aquecimento global. Mas o IPCC disse que, embora tenha errado a data, não errou no prognóstico de que os glaciares do Himalaia derreterão.
“Temos ampla evidência científica para demonstrar que a mudança climática está causando um retrocesso das geleiras do Himalaia”, disse Madan Shrestha, da Academia de Ciências e Tecnologia. Madan estuda o assunto desde 1974, quando integrou a Expedição Glaciológica ao Nepal, um esforço conjunto de pesquisadores japoneses e nepaleses. O especialista disse que ficou chocado ao ver uma foto feita em outubro de 2009 da geleira Yala (entre 5.100 e 5.700 metros de altitude) na área de Lamtang, no centro do Nepal.
“A fotografia era uma evidência do fato de que a massa das geleiras havia diminuído e que ocorrera um significativo retrocesso”, afirmou Madan. Uma análise comparativa das fotos feitas em diferentes períodos de tempo revela claramente que o destino de outras geleiras, como a AX010 (entre 4.950 e 5.390 metros) na montanha de Shorong, não é diferente, acrescentou.
Madan disse que o Nepal precisaria fazer muito em termos de mitigação do aquecimento global. “Como sinal de resposta aos esforços internacionais deveríamos afirmar nossa vontade de participar das ações de mitigação, mas nossa atenção se concentra na adaptação”, afirmou. Ele propôs a introdução de variedades de cultivos resistentes ao calor e o fortalecimento das represas para que possam conter a crescente pressão da água, entre outras coisas. E destacou o exemplo do Japão, que adotou tipos de arroz resistentes às inundações. Envolverde/IPS
* Este artigo da IPS é parte de uma série apoiada pela Rede de Conhecimentos sobre Clima e Desenvolvimento (http://www.cdkn.org).

Aquecimento Global

Por Washington Novaes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“As informações são a cada dia mais contundentes, o ceticismo perde espaço. É preciso avançar rapidamente com políticas públicas. Só que nos faltam instrumentos eficazes.”
Ficou muito mais difícil para os chamados “céticos das mudanças climáticas” continuarem a negar que elas têm se intensificado em conseqüência do aumento da temperatura na Terra, com forte contribuição das ações humanas para o processo. Um Comitê de Revisão dos Procedimentos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, órgão científico da Convenção do Clima da ONU), liderado pelo InterAcademy Council (o IAC, que reúne sociedades acadêmicas de vários países), concluiu que o processo dirigido pelo IPCC precisa aperfeiçoar seus procedimentos, como acentuou editorial do jornal O Estado de S. Paulo (5/9). Mas que, no todo, “serviu bem à sociedade”: “O engajamento de muitos milhares dos mais destacados cientistas e outros pesquisadores no mundo no processo e na comunicação sobre a compreensão das mudanças climáticas, seus impactos e a possível estratégia de adaptação e mitigação, é uma conquista considerável em si mesma” – diz o parecer do IAC. “Da mesma forma, o compromissos dos governos para o processo e sua aceitação dos resultados é uma indicação clara do êxito.
Através de uma parceria maior entre cientistas e governos, o IPCC ampliou a consciência do público sobre mudanças climáticas, elevou o nível do debate científico e influenciou a agenda científica de muitas nações.”
O IAC critica alguns pontos da atuação do IPCC, principalmente a conclusão precipitada de que as geleiras do Himalaia se derreteriam até 2035. E entende que o painel precisa modernizar sua estrutura, trabalhar mais a complexidade de certos fenômenos, ter “mais transparência em seus procedimentos”, instituir um comitê executivo, limitar a um mandato os poderes dos seus executivos. De modo geral, entretanto, reconhece o valor dos quatro relatórios do IPCC.
Os “céticos” enfrentam também, no mesmo momento, uma mudança radical de postura de Bjorn Lamborg, autor do livro “O ambientalista cético”, que tanto furor causou há poucos anos. Surpreendentemente, ele declara agora que vai começar a enfrentar o problema das mudanças climáticas – em lugar de negá-las. Junto com oito economistas, ele passa a liderar um movimento que sugere forte investimento em energia alternativas, principalmente solar, eólica e de marés. Embora achem que lobbistas de empresas investidoras nessas energias “exageraram as mudanças climáticas”, esses analistas sugerem agora um investimento de US$100 bilhões nesse campo. Coincidência ou não, nesses mesmos dias o jornal britânico Sunday Telegraph publicou um pedido de desculpas ao presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, a quem acusara de ter “conflitos de interesse”, receber pagamentos de empresas interessadas na área de energias. Após auditoria da KGPM nas contas pessoais de Pachauri, o jornal afirmou que “não há nenhuma evidência de benefícios pessoais com as funções de consultor”.
Na direção contrária à dos “céticos”, o Instituto de Meio Ambiente da Suécia e o cientista Sivan Kartha publicaram trabalho de análise das intenções manifestadas na Convenção do Clima, em Copenhague, pelos países emissores. Segundo o parecer, se se concretizarem apenas as ações propostas ali pelos países emissores, até o fim do século a temperatura planetária se elevará em 3,5 graus Celsius, com “efeitos desastrosos para a produção agrícola, a disponibilidade de água e os ecossistemas em geral”, além de elevação do nível do mar e possível desaparecimento de ilhas no Pacífico (O Globo, 31/8). Esse relatório foi reforçado por outro, da Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera, dos Estados Unidos, segundo quem sete dos 10 indicadores de aquecimento global “estão em ascensão”.
Nada disso, entretanto, significa que se terá nestes próximos tempos mudança importante nos rumos dessa grave questão. As lógicas financeiras, que influenciam países e empresas, continuam a comandar o processo. De 4 a 9 de outubro, em Tianjin, na China, acontecerá mais uma reunião preparatória da assembléia geral da Convenção do Clima, prevista para novembro, em Cancun, no México. Mas não se espera que aconteça em Tianjin nenhum milagre. Nem mesmo em Cancun. O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem reiterado que não se prevê nenhum acordo importante para Cancun – no máximo, a definição de um “roteiro” para a discussão seguinte, na África do Sul, em 2011. Talvez se defina – na linha do relatório do IAC – que não seja renovado em outubro o mandato de Rajendra Pachauri, que pretendia ficar mais quatro anos no posto.
O governo brasileiro, que não contesta os relatórios do IPCC, anunciou na semana passada que já tem R$200 milhões para combater efeitos de mudanças climáticas, com projetos de pesquisas e ações específicas, que serão prioritárias no Semi-Árido nordestino. Ali, como mostrou a recente Conferência sobre Desertificação, os problemas não cessam de avançar, com a contribuição do clima.
É importante, mas é pouco. Os eventos extremos entre nós têm-se intensificado – basta lembrar enchentes e desabamentos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, inundações em São Paulo, eventos terríveis no Nordeste, elevação inédita de temperaturas no Centro do país – com nível inacreditável de queimadas -, notícias de avanço do nível do mar e destruição de ocupações no litoral.
As informações são a cada dia mais contundentes, o ceticismo perde espaço. É preciso avançar rapidamente com políticas públicas. Só que nos faltam instrumentos eficazes. Ainda no começo desta semana, como lembrou este o jornal O Estado de S. Paulo (5/6), “os remédios para mudanças de microclimas são muito complexos”. E a situação de emergência, de extrema secura do ar na capital no mês de agosto, não pôde ser enfrentada com eficácia, porque “envolve toda a parte de ocupação do solo e também uma política de mobilidade. E São Paulo não tem um Plano B” (6/9). É grave.

*Washington Novaes é jornalista. Este artigo foi originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 10 de setembro de 2010.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Se Dilma ganhar no 2º turno, poderá casar e batizar no Congresso

“Em 2011, a base aliada de um eventual governo Dilma Rousseff (PT) será 13% maior do que aquela que emergiu das urnas há quatros anos e estava alinhada com a administração do presidente Lula. Serão 402 deputados federais, ante os 380 de hoje e os 357 eleitos em outubro de 2006. O PT será o partido com maior número de cadeiras, com 88 parlamentares, seguido pelo PMDB, com 79.

Ou seja, se hoje o presidente Lula tem uma maioria folgada na Câmara, o eventual governo Dilma Rousseff deve ter ainda mais tranqüilidade com os deputados federais. E a eventual administração de José Serra (PSDB) terá razoáveis dificuldades com a oposição dos petistas.

É o que revela levantamento do Congresso em Foco com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), coletados até pouco depois da 0h desta segunda-feira. De forma inversa, as oposições devem encolher um pouco mais. Se em outubro de 2006 PSDB, DEM, PPS e PSOL somavam 156, atualmente eles são 133. E a previsão é que em 2011 eles sejam apenas 111 parlamentares. Uma redução de 29%.”

TSE – Eleição no Pará pode ser anulada

“O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, alertou nesta segunda-feira para a possibilidade de anular a eleição no Pará. Na disputa ao Senado, 57% dos votos foram dados a candidatos banidos das eleições pela Lei da Ficha Limpa. O segundo e o terceiro colocados na disputa no Pará concorreram sem registro: Jader Barbalho (PMDB) obteve 1.799.762 votos e Paulo Rocha (PT), 1.733.376.

Lewandowski explicou que, pela lei, quando há mais de metade dos votos nulos em uma eleição, ela não tem validade. Seria necessário, portanto, realizar nova votação. O ministro informou que a situação será resolvida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará, na proclamação dos resultados da votação.

- No caso do Pará, a lei em tese estabelece que se houver maioria de votos nulos será feita nova eleição. É possível que o processo tenha alguma particularidade que motive uma interpretação diferente. Não quero me pronunciar previamente até para não influenciar o TRE – analisou.

A indefinição ocorreu porque nem a Justiça Eleitoral, nem o Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiram julgar os casos a tempo. O TSE já negou recurso a Barbalho, que recorreu ao STF.

Paulo Rocha também teve o recurso negado pelo TSE, mas ele recorreu ao próprio tribunal, que deverá examinar o caso ainda nesta semana.

- Estamos dando prioridade absoluta para o julgamento de candidatos que tiveram os registros indeferidos. Se tudo der certo, teremos definido antes da diplomação – garantiu o ministro.

Lewandowski lembrou que a situação dos chamados “fichas sujas” só será definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte teve a chance de fazer isso no julgamento do ex-candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC), mas um empate impossibilitou a decisão. Lewandowski acredita que o impasse só será resolvido quando for nomeado novo ministro para o Supremo.

- Se nenhum ministro mudar de opinião, e as manifestações dos ministros foram públicas e muito bem fundamentadas, acredito que o impasse perdurará até a nomeação do próximo ministro – afirmou.

Lewandowski citou outros casos de “fichas sujas” que deixam o cenário de votações indefinido. Na Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) concorreu sem registro ao senado e obteve primeiro lugar, com 1.004.183 votos – ou 35% do total. Não se sabe ainda se ele será empossado no cargo.

No Amapá, João Capiberibe (PSB) também concorreu ao senado sem registro e ficou em segundo lugar, com 130.411 votos.”

(O Globo)

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

Por Leonardo Boff,
Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
Esta história de vida me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “família” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogressista, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a mídia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?
Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

Eleições 2010 – O Resultado segundo a imprensa internacional

Olha só como os principais jornais internacionais repercutem a disputa pela presidência da República, que acabou indo para o segundo turno entre Dilma (PT) e Serra (PSDB):

* NEW YORK TIMES

O jornal americano “New York Times” diz que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, sofre com a falta de carisma que tornou o presidente Lula tão popular no país.
“Especialistas não têm dúvida de que Rousseff irá prevalecer no segundo turno contra [O TUCANO JOSÉ]Serra. Apesar de sua falta de experiência política e carisma, ela foi exaltada na onda de prosperidade no Brasil sob a liderança de Lula, cujos índices de aprovação chegam a 80%”, escreve o “NYT”.
“Rousseff, que militou contra a ditadura na década de 1960, é considerada uma administradora competente, mas sofre com a falta do carisma sedutor que ajudou Lula a se tornar tão popular”, continua o jornal.
O “NYT” diz ainda que o fato de a eleição não ter sido decidida no primeiro turno se deve à “presença forte” da candidata Marina Silva. “Rousseff perdeu votos por conta da presença forte de uma terceira candidata, Marina Silva, do Partido Verde, ex-ministra do Meio Ambiente, que teve mais de 19% dos votos”.

* LE MONDE

O jornal francês destaca as eleições presidenciais na primeira página de seu site e também ressalta que a campanha de Roussef preza a “continuidade da política que tem ajudado a tirar milhões de brasileiros da pobreza e do país experimentar um boom econômico sem precedentes”.

* DER SPIEGEL

A revista alemã ainda mantinha a apuração parcial dos votos em seu site –apontando que, se a apuração seguisse o caminho indicado, a eleição iria para 2º turno.
A “Der Spiegel” também traz a recusa de Lula sobre uma suposta candidatura em 2014, com uma citação atribuída a Lula: “Não, não. Se você já esteve na Presidência, então só precisa de paz na vida”.

* LE FIGARO

Outro jornal francês, também destaca as eleições brasileiras em sua página principal e diz que “não houve surpresa” na vitória de Dilma sobre Serra no 1º turno.

* EL PAÍS

O diário espanhol põe as eleições em submanchete, e destaca Marina Silva (PV) como um “fator decisivo” para o 2º turno. “Dilma Rousseff não conseguiu evitar uma segunda etapa eleitoral”, diz o texto, apontando também que assessores da candidata já admitiam 2º turno na tarde de domingo (3).
“Lula escolheu uma sucessora improvável, pouco conhecida, e se lançou com todas as suas forças e enorme popularidade (80%) em uma campanha eleitoral agitada”, diz o jornal. “Esse 2º turno será, sem dúvida, decepcionante para o presidente mais popular de toda a história do Brasil, que acreditou poder transmitir todo esse respaldo pessoal”.

* WALL STREET JOURNAL

Para o “Wall Street Journal”, a decisão no segundo turno demonstra um grande revés nas previsões feitas por especialistas. “Dilma Rousseff, 62, uma ex-guerrilheira esquerdista, terminou em primeiro lugar com uma grande folga na eleição presidencial do Brasil neste domingo, mas falhou ao não conseguir votos suficientes para evitar um segundo turno no maior país da América Latina –um revés para uma candidata cuja vitória no primeiro turno era certa algumas semanas atrás”, diz o “WSJ”.

* THE INDEPENDENT

O jornal britânico “The Independent” aponta que Dilma está tentando ser a primeira chefe de Estado mulher no Brasil –e também narra brevemente a trajetória da ex-ministra enquanto combatente antagônica ao regime militar (1965-1984). Sobre Serra, o jornal diz apenas que ele era governador do Estado de São Paulo –e que perdera as eleições presidenciais para Lula em 2002 como representante do PSDB.

* THE TIMES

Já o também inglês “The Times” coloca, em chamada de capa, que “Dilma Roussef promete aos eleitores que seguirá os passos do presidente Lula para reduzir o abismo entre ricos e pobres”.

* REUTERS

A agência destaca que Rousseff foi “escolhida a dedo” por Lula para continuar suas “políticas esquerdistas que fizeram do Brasil um dos mais empolgantes mercados emergentes.” A Reuters ressalta ainda que “nem Rousseff, nem Serra fogem dos programas sociais e políticas que favorecem o investimento estrangeiro que fizeram Lula popular.”

* THE DAILY TELEGRAPH

O inglês “The Daily Telegraph” indica que “Dilma Rousseff, a favorita para vencer as eleições presidenciais no Brasil, foi forçada a um segundo turno com seu principal rival, depois de não assegurar os 50% de votos no primeiro turno”. O jornal aponta ainda uma “inesperado crescimento tardio” da terceira candidata, Marina Silva (PV), com 19,5% dos votos válidos.
O diário britânico diz ainda que as recentes descobertas sobre Erenice Guerra, somadas a questões cristãs sobre as posições de Dilma sobre o aborto e outros problemas sociais aparentemente instituiu dúvidas na cabeça dos eleitores –a ponto de custar a ela a vitória no 1º turno.

* DAILY MAIL

Em um texto inserido à tarde no site do jornal, Dilma é chamada de “guerrilheira e marxista por formação”, que pode vir a se tornar “a mulher mais poderosa do mundo” –mais influente que a secretária de Estado Hillary Clinton ou que a chanceler alemã Angela Merkel. Entretanto, até a publicação da reportagem, o jornal não publicou nenhum resultado do primeiro turno das eleições brasileiras.

(Portal Uol)

TRE – CE divulga votação dos indeferidos

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) divulgou no fim da manhã desta segunda-feira (4) a votação dos candidatos que foram indeferidos, mas que apresentaram recurso. Eis a relação dos mais votados:

Governador: 21 – MARIA DA NATIVIDADE – 3.063 votos.

Senador: 432 – POLÔ – 76.030 votos; 210 – TARCISIO LEITÃO – 12.879 votos.

Deputado Federal: 1113 – EUGÊNIO RABELO – 82.028 votos; 4569 – MANOEL SALVIANO – 76.915 votos; 1331 – ILÁRIO MARQUES 58.156 votos; 2222 – ADLER GIRÃO – 30.875 votos; 3131 – JOCÉLIO VIANA – 12.411 votos; 1599 – JOSÉ GERARDO ARRUDA FILHO – 2.119 votos.

Deputado Estadual: 13200 – DEDÉ TEIXEIRA – 52.679 votos; 15555 – NETO NUNES – 45.843 votos; 17999 – PERBOYRE SILVA – 29.443 votos.

domingo, 3 de outubro de 2010

Tiririca pode vir descansar em Fortaleza

Ele votou sem peruca e sem roupa de palhaço.

Assessores de Tiririca, o candidato a deputado federal pelo PR que poderá ser o recordista de votos no País, admitem: ele pode vir descansar em Fortaleza, durante uma semana, após campanha eleitoral das mais agitadas, conturbadas e polêmicas. 

O desembarque pode ocorrer nesta segunda-feira. O Ministério Público Eleitoral vem questionando o cearense de Itapipoca.

Cid Gomes é reeleito governador do Ceará

Às 21h34 minutos deste domingo, o Cid Gomes (PSB) fora matematicamente reeleito governador do Ceará, segundo boletim oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com 89,99% dos votos apurados, Cid obtinha 61,54% dos votos válidos, com mais de 2,2 milhões de votos, não podendo mais ser ultrapassado por qualquer adversário.

Eunício e Pimentel eleitos senadores pelo Ceará

Portal Verdes Mares - Pouco antes das 22h deste domingo (3), Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT) foram confirmados como os senadores eleitos pelo Ceará, de acordo com boletim oficial do TSE.
Com mais de 93% das urnas apuradas, a dupla não pode mais ser ultrapassada pelo terceiro colocado, o senador Tasso Jereissati (PSDB), que só irá se pronunciar sobre o resultado nesta segunda

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pesquisa diz que 51,3% dos argentinos torcem por vitória de Dilma (PT); José Serra (PSDB) tem a simpatia de 6,4% - 1/10/2010

Buenos Aires, 1 out (EFE).- Uma enquete divulgada nesta sexta-feira em Buenos Aires dá conta de que 51,3% dos argentinos preferem que a candidata governista Dilma Rousseff (PT) seja eleita no domingo a próxima presidente do Brasil.

A pesquisa, da empresa de consultoria Ibarómetro, indicou que José Serra (PSDB) tem a simpatia de 6,4% dos argentinos, enquanto 42,3% disseram não ter opinião sobre o tema.

Para a produção do levantamento foram consultadas mil pessoas com mais de 18 anos, procedentes de cidades de toda a Argentina. A margem de erro da pesquisa é de 3,1%.

Dilma (PT), candidata da base governista, e o opositor Serra (PSDB) são os principais favoritos das eleições do próximo domingo, quando será escolhido o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no poder desde 1º de janeiro de 2003.

Segundo as últimas pesquisas, Dilma tem 47% das intenções de voto, contra 28% de Serra.

A expectativa é que 135,8 milhões de brasileiros votem no próximo domingo, em eleições que servirão ainda para escolher os governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, renovar dois terços do Senado e eleger os novos deputados federais e estaduais.

Dos 22.570 candidatos habilitados, nove aspiram à Presidência, 171 ao cargo de governador, 273 ao Senado, 6.036 à Câmara e 15.280 a deputados estaduais.

De: http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5i0X19u-j_Jkjwr1NaYmYPbw2H6og?docId=1376436

Dilma vence debate da Globo e aumenta chances de vitória no dia 3

Aconteceu tudo ao contrário do que a oposição esperava. O último debate, o da Globo, o de maior audiência, aquele que poderia comprometer Dilma e alavancar Serra e Marina e provocar o segundo turno saiu pela culatra para os oposicionistas. Nem o "fator" Plínio funcionou. A candidata do PT teve, sem sombra de dúvida, o melhor desempenho. Para quem lidera as pesquisas, não sair chamuscada já é uma vitória. Vencer o debate então é praticamente selar o destino das eleições no primeiro turno.
As regras engessadas do debate impediram um confronto direto entre Serra e Dilma, restando ao tucano fazer ataques indiretos ao governo federal, numa postura antipática.
Segundo informações iniciais, o debate teve média de audiência de 24 pontos na medição do Ibope, tendo liderado a audiência entre as TVs de canal aberto durante os três primeiros blocos.
Marina repete discurso idealista
Para quem passou a semana saltitando "ondas verdes", Marina Silva estava muito apagada na maior parte do debate. Acordou só a partir do terceiro bloco e foi justamente para brigar com Serra. O tucano caiu na armadilha e foi ríspido com a candidata do PV, lembrando que ela não deixou o governo Lula na época do "mensalão". Os marqueteiros já tinham avisado aos candidatos que deveriam fugir de embate ríspido com Marina.
Marina insistiu no debate de estratégias, sem propostas concretas. Repetiu o discurso idealista que atinge uma faixa muito reduzida da população. Seu pronunciamento final foi fraco e a candidata apareceu diante das câmeras da Globo com aparência séria demais, quase triste. Definitivamente, não ajudou a suposta "onda verde" a ganhar musculatura.
Plínio não estava afiado
Plínio teve sua pior performance, a menos engraçada, a menos espirituosa, e justamente no debate de maior audiência. O candidato do PSOL conseguiu retomar a forma só nas considerações finais, quando fez um discurso cativante e ideológico. Mas já era tarde, o debate estava no fim.
Quando tentou provocar os adversários, Plínio usou argumentos equivocados. Ao ser questionado por Dilma sobre funcionalismo público, ele acusou o governo Lula de "privatizar" e "terceirizar" os serviços. Deu a deixa para Dilma rebater, dizendo que quem privatizou e terceirizou foi o governo FHC.
Serra evitou confronto
Serra não conseguiu ir além das críticas técnicas e econômicas ao atual governo. Não teve oportunidade de apresentar propostas interessantes com argumentação palatável ao eleitor indeciso. O tucano precisava desesperadamente de um desempenho acima da média para conquistar novos eleitores. Ou torcer para um desempenho desastroso de Dilma para arrancar eleitores dela. Não conseguiu nem uma coisa nem outra. Em sua fala final, sequer foi aplaudido pela platéia de tucanos presentes no estúdio da Globo.
Dilma manteve a serenidade
Dilma, por sua vez, respondeu a todas as perguntas com serenidade e no episódio que poderia resultar em seu pior momento --quando riram de sua fala sobre doações de campanha--, ela teve presença de espírito suficiente para inverter a situação e acabar a fala recebendo aplausos ao dizer que "lamenta o riso daqueles que têm outra prática".
A candidata petista estava preparada para responder perguntas potencialmente embaraçosas sobre as denúncias envolvendo a Casa Civil, sobre liberdade de imprensa e sobre aborto. Temas com os quais a oposição e a mídia têm atacado a candidata. Mas nem precisou. Preocupados em não adotar posturas agressivas, os adversários de Dilma sequer tocaram nestes assuntos.
Decisão no primeiro turno ficou mais factível
O debate acabou sendo um passeio para a candidata favorita. Dilma fez a natural defesa do governo Lula, mas citou o nome do presidente pouquíssimas vezes, mostrando que a campanha ajudou-a a ganhar personalidade própria.
Muitos analistas políticos passaram a semana dizendo que o debate desta quinta-feira seria decisivo. Se for mesmo, aponta para uma decisão no primeiro turno, a favor de Dilma.
De: http://www.vermelho.org.br/noticia

Tracking Vox: Dilma mantém 55% dos votos válidos

A três dias da ida às urnas, cenário da disputa permanece estável na medição diária realizada pelo instituto

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo | 30/09/2010 17:22

Faltando apenas três dias para as eleições, o cenário da disputa presidencial permanece estável, dando à candidata do PT, Dilma Rousseff, 55% dos votos válidos no tracking Vox Populi/Band/iG. A conta, que exclui os votos nulos e em branco, mantém a perspectiva de uma vitória da petista ainda no primeiro 1°turno, segundo o Vox Populi. Se a eleição fosse hoje, o tucano José Serra teria 29% dos votos válidos e a candidata do PV, Marina Silva, 13%.

Para vencer no primeiro turno, a candidata do PT precisa obter 50% dos votos válidos mais um.

Quando é analisado o total de intenções de voto, Dilma continua com 49%, mesmo patamar registrado nos últimos cinco dias. O candidato do PSDB, José Serra, aparece na segunda colocação, mantendo 26% da preferência do eleitorado, mesmo índice registrado na medição de ontem.

Marina também continuou com 12% das intenções de voto na medição de hoje, mesmo patamar do dia anterior. Os outros candidatos, juntos, alcançaram 1% dos entrevistados pelo instituto. Ainda segundo o Vox Populi, 4% dos entrevistados pretendem votar em branco no próximo domingo e 8% se declaram indecisos.

No atual cenário, Dilma mantém dez pontos de vantagem em relação à soma de todos os adversários. O melhor cenário para a candidata petista é o Nordeste, onde ela tem 64% das preferências – contra 18% de Serra e 7% de Marina.

No Sudeste, onde Dilma chegou a ter 48% das intenções de voto há dez dias, o índice chega agora a 42%. Ela oscilou um ponto percentual positivo em relação a ontem, tirando um ponto da candidata do PV, Marina Silva, que oscilou de 16% para 15%.

O maior avanço de Dilma na comparação com a medição de ontem foi no Sul, onde ela passou de 46% para 49%, oscilando além da margem de erro. Nessa mesma região Serra passou de 36% para 32% e Marina se manteve com 6%.

O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. A pesquisa é registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 27.428/10.

Justiça Eleitoral inicia hoje campanha para esclarecer fim da exigência de dois documentos para votar

A Justiça Eleitoral vai fazer, a partir de hoje, uma campanha para esclarecer o fim da exigência de dois documentos na votação. As pessoas que levarem o título de eleitor no domingo terão de mostrar um outro documento com foto, mas quem comparecer aos locais de votação somente com um documento oficial com foto poderá votar sem problemas.

Fonte: CBN

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PT nacional divulga carta convocando militância em favor de Dilma

Eis carta de José Eduardo Dutra, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, divulgada nesta terça-feira para incentivar a militância do partido a reforçar campanha pela vitória de Dilma Rousseff logo no primeiro turno:

Companheiras e companheiros,

Chegamos à reta final de um processo eleitoral histórico, que fará de Dilma Rousseff a primeira mulher presidente do Brasil.

Com Dilma, no próximo domingo teremos a oportunidade de eleger o terceiro governo popular e democrático do Brasil.

É o momento de confirmar a opção pela mudança, que a sociedade brasileira fez ao eleger o presidente Lula pela primeira vez, em 2002.

É o momento de garantir as conquistas acumuladas nos últimos oito anos; e de avançar ainda mais na construção de um país melhor, mais desenvolvido e socialmente mais justo.

A candidatura da companheira Dilma Rousseff é a certeza de que esse projeto vai prosseguir nos próximos anos.

Ela foi construída sobre uma sólida base de apoio social ao governo do presidente Lula.

Em torno dela formou-se um amplo arco de alianças, agregando todas as forças políticas que nos ajudaram a construir o projeto de desenvolvimento com distribuição de renda e ampla inclusão social.

Dilma Rousseff representa o Brasil que se transforma, que é amado por seu povo e respeitado em todo o mundo.

Ao longo dessa campanha, Dilma defendeu este projeto nos comícios, nas ruas, nos debates, nos programas de rádio e tevê.

De nossos adversários, que não têm proposta, não têm discurso, não têm representatividade, tudo o que ouvimos foi uma campanha de mentiras, falsidade e golpes baixos.

Vamos vencê-los no voto, mais uma vez.

Vamos dar a eles mais uma lição de democracia.

Vamos confirmar nas urnas o que já se sente nas ruas, nas fábricas, nas escolas, na internet: é Dilma vitoriosa no primeiro turno das eleições.

É nessa hora, nesses últimos dias de campanha, que a militância do PT vai fazer a diferença mais uma vez.

Eu me dirijo a vocês, como presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, para convocar a militância mais aguerrida do Brasil.

Você, que tem uma estrela vermelha no peito, pegue sua bandeira, reúna os companheiros, vá para as ruas defender nossa candidata, a candidata do PT e do presidente Lula.

Distribua nossas mensagens pela rede, acione o tweeter, siga nossos blogs, combata as mentiras e os boatos que os adversários espalham.

Vamos mostrar a eles que temos o melhor projeto, a melhor candidata, a melhor aliança.

E vamos mostrar, mais uma vez, que temos algo que nenhum outro partido tem: a militância mais apaixonada desse país.

É a nossa militância que vai fazer a diferença na reta final. Vamos pras ruas, vamos para decidir. Vamos fazer História mais uma vez.

Vamos com garra e determinação, com amor pelo Brasil, com a força do PT.

Comércio prevê melhor Dia da Criança em 6 anos, diz Serasa

Portal Brasil

Levantamento da Serasa Experian, divulgado nesta terça-feira (28), sobre perspectivas dos empresários brasileiros, revela que o comércio está mais otimista neste ano quanto às vendas relativas ao Dia da Criança, comemorado em 12 de outubro. Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados acreditam no aumento do faturamento em relação a 2009. É o maior índice já registrado pela Serasa desde o início da pesquisa, em 2005.

O índice de otimismo é maior entre as grandes empresas varejistas, com índice de 76%. Nas médias empresas, o percentual cai para 66% e, nas pequenas, para 54%.

Entre as regiões, o Nordeste é a mais otimista: 72% dos varejistas locais apostam que o faturamento crescerá neste ano em relação a 2009. Em seguida, vem o Norte (61%), Centro-Oeste (56%), Sudeste (55%) e o Sul, com 50%.

Os economistas da Serasa afirmam que o menor desemprego e a renda em crescimento são fatores determinantes para viabilizar os financiamentos. Para eles, como há maior geração de empregos formais, mais brasileiros receberão 13º salário – o que pode levar parte do varejo a propor a 1ª parcela do presente do Dia das Crianças 2010 coincidindo com o recebimento do salário.

Fonte:
Serasa Experian

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Jornal inglês diz que Dilma será mulher 'mais poderosa do mundo'

O jornal 'The Independent' diz que Dilma Rousseff será mais poderosa que a chanceler alemã, Angela Merkel, e Hillary Clinton

O jornal britânico “The Independent” publicou nesta segunda-feira uma longa reportagem sobre as eleições presidenciais brasileiras e classificou a candidata do PT, Dilma Rousseff, como a “ex-guerrilheira que pode se tornar a mulher mais poderosa do mundo".

A reportagem lembra os anos de resistência de Dilma Rousseff contra a ditadura militar brasileira e diz que ela está muito perto de se tornar a primeira mulher a ser presidente do Brasil.

De acordo com o jornal, Dilma pode se tornar mais poderosa do que a chanceler alemã, Angela Merkel, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em virtude da enorme prosperidade do Brasil e a descoberta de recentes riquezas. “A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e EUA podem apenas invejar”, diz a publicação.

O texto traça o perfil da ex-ministra da Casa Civil e lembra que, apesar da luta contra o regime militar, ela sonhava em ser bailarina ou trapezista. “Assim como o presidente Jose Mujica, do Uruguai, a senhora Rousseff não se constrange com o passado de guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e a temporada na prisão como prisioneira política”, escreve o correspondente Hugh O’Shaughnessy.

Segundo o jornalista, Dilma tem estado ao lado do presidente Lula "em suas principais conquistas", como a descoberta de petróleo na camada pré-sal e a redução dos índices de pobreza no país. O jornal, diz, porém, que o enorme potencial eleitoral de Dilma é respaldado pelo presidente Lula e pelo “enfadonho” adversário, José Serra.

Foto: Reprodução

Reprodução da matéria divulgada no site do jornal britânico "The Independent". A publicação destaca a possibilidade da vitória de Dilma Rousseff ainda no 1° turno

A reportagem do “The Independent” fala sobre as denúncias que derrubaram a sucessora de Dilma na Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra, mas diz que o escândalo “não parece ter abalado a sua popularidade”.

A reportagem conclui dizendo que Dilma deve convidar todos os líderes de esquerda da América Latina para sua posse, que será uma “celebração da decência política e do feminismo”.

Máscaras que caem

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

A imprensa brasileira, ou pelo menos aquela formada pelos títulos que se apresentam como de influência nacional, acaba de inaugurar uma nova relação com a política: o jornal O Estado de S.Paulo anuncia, em seu editorial principal do domingo (26/9), que tem, sim, oficialmente, uma preferência na disputa pela Presidência da República. O candidato oficial do Estadão é o ex-governador José Serra.
O leitor agora espera que o Globo, a Folha de S.Paulo e a revista Veja também façam suas declarações de preferência, como de resto já havia feito há muito tempo a revista Carta Capital, que apóia a candidata Dilma Rousseff.
Declarado sem mais disfarces seu engajamento, resta explicitar em que essa nova postura do Estadão pode contribuir para a oferta de um jornalismo mais confiável. Ou o jornalão paulista não considera isso necessário?
É de se perguntar, por exemplo, se o Estadão pretende buscar mais equilíbrio na cobertura dos últimos dias da campanha eleitoral, ou se vai, agora com justificativa pública, continuar favorecendo seu candidato.
Informação e campanha
Uma das maneiras de concretizar esse favorecimento pode ser observada nas edições de domingo e de segunda-feira (27), no seguinte exemplo: as notícias negativas sobre o governo federal e seus aliados, mesmo aquelas de cunho administrativo, são publicadas na seção de política, junto com o noticiário da campanha eleitoral.
As notícias negativas sobre o governo paulista e a prefeitura da capital, como as que envolvem denúncias de irregularidades na polícia ou obras contratadas sem licitação, são publicadas bem longe do noticiário de campanha, no caderno "Metrópole".
Outra dúvida razoável: agora que é oficialmente apoiador de um dos candidatos, o jornal vai admitir que produz reportagens combinadas com os assessores de campanha?
Essas questões deveriam acompanhar a vigorosa declaração de apoio ao candidato. Não basta o jornal declarar que fez a escolha "pelos méritos do candidato, por seu currículo" ou por ele representar o antídoto contra aquilo que parte da imprensa considera "o mal maior a ser evitado". Também precisa esclarecer o leitor que restrições esse engajamento, antigo mas somente agora assumido, deverá produzir no noticiário.
Os leitores que tinham dúvidas sobre a independência do noticiário agora vão precisar de notas de rodapé que esclareçam o que é informação e o que é peça de campanha eleitoral.

O começo do fim do patriarcado

Por Leonardo Boff*

Rio de Janeiro, Brasil, setembro/2010 – É uma feliz singularidade da campanha eleitoral presidencial do Brasil para o dia 3 de outubro a presença de duas candidatas, Marina Silva e Dilma Rousseff, esta última com folgada maioria segundo as pesquisas. Se trataria de uma novidade absoluta, já que nunca na história brasileira uma mulher chegou à Presidência.
No começo do milênio, em 2001, o Fundo das Nações Unidas para a População escreveu em seu Informe Anual: “a raça humana está saqueando a Terra de forma insustentável. Dar às mulheres maior poder de decisão sobre o futuro pode salvar o planeta da destruição”.
Qual a importância desta afirmação? Que a terra e a humanidade entraram em uma zona de alta periculosidade. O aumento da pobreza que implica injustiça em nível planetário, o aquecimento global irreversível do sistema Terra, a comprovação de que o atual regime é insustentável, pois os seres humanos consomem anualmente 30% mais do que a Terra pode repor; tudo isto nos impõe decisões exigentes se queremos continuar sobre este pequeno e velho planeta.
Todas as questões estão ligadas à vida. Quem melhor do que as mulheres para cuidar da vida e criar as condições para perpetuá-la?
E os homens? Estão se mostrando confusos e impotentes e, segundo o destacado psicanalista alemão Richter, se fizeram vítimas do “complexo de deuses”. Atribuíram-se tarefas divinas: dominar a natureza, organizar toda a vida, conquistar os espaços exteriores e remodelar a humanidade. Objetivos desmedidos. A excessiva arrogância, que os gregos chamavam de hybris e castigavam com a morte, os derrotou.
O novo equilíbrio deve agora passar pelas mulheres. O feminismo mundial contribuiu com uma crítica fundamental ao patriarcado que prevaleceu desde o neolítico, há pelo menos sete mil anos. O patriarcado originou instituições que ainda hoje moldam as sociedades humanas como a razão instrumental-analítica que separa a natureza e o ser humano, que o levou a dominar os processos da natureza de forma devastadora, criou uma burocracia de Estado organizada em função dos interesses masculinos, projetou um estilo de educação que reproduz o poder patriarcal, criou os exércitos e provocou as guerras. E afetou outras instâncias como as religiões e as igrejas, cujos deuses e atores são quase todos masculinos.
O “destino manifesto” do patriarcado é a denominação do mundo com a pretensão de nos fazermos “mestres e donos da natureza” (Descartes).
Os encontros internacionais – como os do G20 – demonstram que os governos estão mais interessados em seus negócios do que em salvar a vida e proteger o planeta.
Ressalte-se aqui a necessidade urgente da atuação salvadora da mulher.
As duas candidatas brasileiras são diferentes, com estilos próprios, mas ambas com indiscutível densidade ética e uma visão da política a serviço do bem comum, e não como técnica de conquista e uso do poder em beneficio da própria vaidade ou dos interesses elitistas que ainda predominam na democracia brasileira.
Dilma Rousseff, de ascendência búlgara, economista, foi Chefe da Casa Civil do governo atual, que é o cargo mais importante da burocracia presidencial, já que conduz as ações políticas, e diretora do maior programa nacional: o Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC), que representa mais de US$ 500 bilhões em investimentos em infra-estrutura e industrialização. É uma excelente executiva, embora com moderada sensibilidade ecológica. Representa o Partido dos Trabalhadores do presidente Lula e já conta com mais de 50% das intenções de voto, projetando-se como presidente no primeiro turno.
Marina Silva tem as mesmas origens populares de Lula (ex-operário metalúrgico), já que nasceu no coração da selva amazônica de família muito pobre e trabalhou como operária da borracha. Alfabetizou-se aos 16 anos e ajudou a criar as comunidades eclesiásticas de base com acentuado senso de libertação no Acre. Foi eleita senadora e por cinco anos foi ministra do Meio Ambiente do atual governo. Representa a causa ecológica com notável energia, competência e carisma. Seu Partido Verde tem pouca representatividade popular e, portanto, sua mensagem não consegue a ressonância que mereceria. Mas conseguiu colocar na agenda de todos os partidos e na consciência nacional a urgência da questão ecológica.
Tem um significado profundo, e creio que providencial, duas mulheres, Dilma Rousseff e Marina Silva, serem candidatas à Presidência do Brasil. Elas encarnam um chamado da Mãe Terra para que seja preservada, e respondem a uma urgência deste momento histórico: mais do que salvar o sistema econômico-financeiro em crise, importa salvar a vida humana e proteger a vitalidade do planeta. A economia deve servir para este objetivo superior. Envolverde/IPS
* Leonardo Boff é escritor e teólogo brasileiro, autor, junto com Rose Marie Muraro, de Feminino e Masculino. Uma nova consciência para o encontro das diferenças.

(IPS/Envolverde)

O CSPU continua investigando

Hoje no final da tarde e início de noite, juntamente com o companheiro David Mendes, visitamos pessoas em quatro locais diferentes que viram OVNI em datas. locais e quantidades de testemunhas diferentes. Os objetos também eram diferentes em dois casos  e idênticos em dois. Nos casos de OVNI iguais, as pessoas não se conhecem e tiveram aproximadamente dois meses entre um e outro avistamento. Em um dos casos, a pessoa contatada ficou com seqüelas.

Em Breve traremos maiores detalhes. Porem, se você comparecer à  reunião de quinta-feira (dia 30/09), ouvirá os pormenores desta pesquisa

Por:  Jacinto Pereira

domingo, 26 de setembro de 2010

Candidata petista venceria a eleição no primeiro turno; Marina Silva avança um ponto e chega a 11% pela primeira vez

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, manteve-se com 50% das intenções de voto no Tracking Vox Populi/Band/iG divulgado neste sábado. Já o presidenciável tucano, José Serra, oscilou um ponto para baixo, chegando a 23%. Marina Silva, do PV, oscilou um ponto positivamente e, pela primeira vez, atingiu 11% na preferência dos eleitores.

Com esse resultado, Dilma se elegeria em primeiro turno, dado que a soma dos seus adversários chega a 35%, contando com 1% dos votos em outros candidatos além dos três primeiros colocados.

De acorco com o Tracking Vox Populi/Band/iG, 11% dos eleitores estão indecisos e 4% vão votar em branco ou nulo.

Espontânea

Na consulta espontânea, quando a lista com os nomes dos candidatos não é apresentada ao entrevistado, Dilma manteve-se em 43%, Serra ficou estável em 20% e Marina oscilou um ponto, de 8% para 9%.

O Tracking Vox Populi/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.