quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O parlamento é a arte do diálogo

 

José  Guimarães

JOSÉ GUIMARÃES 24 de Fevereiro de 2015 às 15:59

Como agentes públicos, temos o dever de elevar o nível dos debates, mesmo com as nossas diferenças. E tenho a confiança de que o Congresso Nacional não faltará naquelas decisões importantes a fim de manter a economia brasileira equilibrada e estabilizada

Encerradas as festas carnavalescas, a agenda política do país não pode mais prescindir da retomada dos debates em torno dos principais desafios que enfrentaremos em 2015. O ajuste fiscal e a reforma política são alguns dos itens prioritários na pauta do ano legislativo. Nossos esforços vão ao sentido de fazer do Parlamento um espaço de arte para o diálogo, a fim de que sigamos em frente discutindo temas relevantes para o Brasil.

O governo da presidenta Dilma Rousseff elegeu para este ano medidas que visam à manutenção da economia no caminho do desenvolvimento, com inclusão social. Nosso compromisso é com o equilíbrio das contas públicas, com a responsabilidade fiscal e com o desenvolvimento. Precisamos votar as medidas provisórias (MPs 664 e 665) que tratam do ajuste fiscal, objetivando a estabilização econômica. Manter o nível de emprego e a inflação sob controle são metas que envidaremos esforços para concretizá-las. Iniciamos diálogos com todos os partidos, com a base aliada e com as centrais sindicais. O ajuste será alcançado pelos entendimentos que teremos sobre a melhor maneira de votar essas matérias, as quais são urgentes. E que fique claro: nosso governo não mexerá nos direitos sociais e trabalhistas. Apenas serão equalizadas as situações que precisam de ajustes, de correções. O nosso diálogo à exaustão será a chave para aprimorarmos e aprovarmos tais medidas, as quais deverão manter o nível de emprego e as conquistas sociais dos últimos anos.

A reforma política também está na pauta nacional. Precisamos retomar o tema - já enviado a esta Casa pela presidenta Dilma, que propôs um plebiscito. Embora sem prosperar, sugerimos reacender esse debate, uma vez que o governo tem interesse em aprofundar os diálogos com o Congresso e votar uma ampla reforma. Consideramos, todavia, que é primordial proibir a doação de empresas às campanhas eleitorais. O financiamento privado empresarial tem causado graves prejuízos à democracia e à sociedade brasileira. Temos que enfrentar esse ponto com muita determinação e responsabilidade.

Assim, conclamamos o Congresso Nacional - a base aliada e mesmo a oposição, com quem debateremos com muito respeito - para assegurarmos os avanços sociais e econômicos granjeados nos últimos 12 anos. Temos a certeza que ao debatermos os projetos - mesmo em um ano difícil -, encontraremos caminhos e construiremos consensos com o intuito de manter as contas públicas em dia, sustentar o nível de emprego e progredir na ampliação de políticas públicas, como o Mais Médicos, o Minha Casa Minha Vida, entre outros programas governamentais.

Como agentes públicos, temos o dever de elevar o nível dos debates, mesmo com as nossas diferenças. E tenho a confiança de que o Congresso Nacional não faltará naquelas decisões importantes a fim de manter a economia brasileira equilibrada e estabilizada, objetivando retomar o crescimento no curto prazo, como desejam todos os brasileiros.

  • Deputado Federal (PT-CE), líder do Governo na Câmara dos Deputados
http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/171078/O-parlamento-é-a-arte-do-diálogo.htm

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Brasil pode fornecer à Rússia elementos do sistema de defesa Pantsir

 

© Sputnik/ Vitaly Belousov

O Brasil pode começar a construir elementos para o complexo de defesa aérea Pantsir-C1. A informação é do vice-chefe da empresa estatal russa de construção de armas do setor de defesa, Yuri Savenkov. Atualmente, estão sendo acertados detalhes do contrato.

Segundo ele, os representantes da companhia estão participando de negociações sobre o fornecimento dos sistemas Pantsir, discutindo as características do complexo, organização de reparo, a criação de um centro técnico no Brasil, bem como um plano para a implementação do programa de compensação.

Em outubro de 2013, o ministro da defesa da Rússia, Sergei Shoigu, declarou que as negociações com o Brasil sobre a possível compra dos sistemas Pantsir estavam em fase final.

Em agosto de 2014, o chefe da empresa estatal de exportação de armas da Rússia Rosoboronexport, Anatoly Isaikin, havia informado sobre os planos de assinar o contrato até o final do ano sobre o fornecimento de três baterias do complexo Pantsir. Também foi relatado que a Rússia ofereceria cooperação tecnológica ao Brasil.

http://br.sputniknews.com/defesa/20150223/242216.html

Saudações ufológicas

Jacinto Pereira de Souza

Agora mesmo ·

Senhores Ufólogos e simpatizantes da Ufologia, dia 27 deste estaremos atualizando ou socializando nossas informações ufológicas em nossa 'Reunião Plenária'. O local: Sala l da CDL de Sobral, que fica situado na Rua Dr. João do Monte 826, no Centro, Sobral - CE. Acontecerá a partir das 19 horas e a entrada é franca. Maiores informações pelo 88 99210172

Aproveite esta oportunidade

Jacinto Pereira de Souza 

Estive na loja "Azteca Calçados", do companheiro Thomás, que fica situada na Praça da Coluna da Hora. Ele está mudando de atividade empresarial e está liquidando o seu estoque de calçados, com preços muito baixos. É uma boa oportunidade para se adquirir um bom produto por um preço muito baixo. Ele também está oferecendo o Ponto comercial de sua loja. alguém que queira instalar um Negócio em Sobral, esta é a hora de dar um pulinho lá e conhecer o local.

"Brasil se torna 4º maior credor dos Estados Unidos"

 

Dados do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, divulgados recentemente, apontam que o Brasil terminou dezembro de 2014 com US$ 256 bilhões aplicados em títulos públicos do governo norte-americano. Montante aumentou 4,2% em relação ao mesmo período de 2013 e põe o Brasil como o quarto maior credor individual da dívida pública americana.O ranking dos maiores detentores de títulos do Tesouro dos EUA é liderado pela China, que reduziu o volume de US$ 1,244 trilhão em dezembro de 2014, ante US$ 1,270 trilhão no final de 2013. Depois da China, aparecem Japão e Bélgica.O Brasil passou a ganhar destaque como um dos maiores financiadores do mundo dos EUA quando as reservas internacionais do País começam a crescer. Atualmente elas estão em US$ 372 bilhões. Parte destes recursos estão aplicados em papéis norte-americanos, considerados os mais seguros do mundo.Segundo o blog do Altamiro silva, com exceção da China, os estrangeiros aumentaram as compras de títulos do Tesouro dos EUA no ano passado. O estoque de papéis detidos no exterior fechou dezembro em US$ 6,154 trilhões, um crescimento de 6,2% em 12 meses. O Japão foi um dos países que aumentou seu estoque, em 4%, para US$ 1,231 trilhão.Economistas destacam que a queda dos rendimentos dos títulos públicos na Europa, sobretudo em países como a Alemanha, ajudou a atrair recursos externos para os EUA, principalmente em meio à expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai elevar os juros este ano, no primeiro aumento nas taxas desde 2006.O aumento do interesse dos estrangeiros pelos Treasuries dos EUA tem feito o dólar se valorizar ante as principais moedas do mundo. Para os economistas do Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), formado pelos maiores bancos do mundo, a tendência é que a moeda norte-americana continue forte nos próximos meses.

http://inteligenciabrasileira.blogspot.com.br/

"Grécia criará comissão para pedir à Alemanha reparações por ocupação nazista"

 

A presidente do parlamento da Grécia, Zoe Constandopulu, anunciou neste domingo que nos próximos dias será criada uma comissão parlamentar para exigir da Alemanha reparações de guerra pela ocupação nazista e indenizações às vítimas.A Grécia pedirá a devolução de um empréstimo de ocupação feito para a Alemanha durante o regime nazista, no valor de 476 milhões de reichsmark (moeda alemã da época).O empréstimo nunca foi devolvido à Grécia e seu valor atual seria de algo entre sete e 11 bilhões de euros."Temos a obrigação de atualizar nossas ações e projetos para reivindicar uma indenização pela atrocidade, a devolução do empréstimo de ocupação, a indenização das vítimas e a devolução dos tesouros arqueológicos roubados", disse Constandopulu em discurso durante um ato em memória das vítimas de Megalopolis.Nesta cidade do Peloponeso, 212 pessoas foram assassinadas pelas forças de ocupação alemãs em 24 de fevereiro de 1944.

"Minha presença aqui representando o parlamento grego é para assinalar que o sacrifício de todos os que foram massacrados e executados durante a ocupação nazista é uma fonte de inspiração e compromisso", disse.O ministro adjunto de Defesa, Kostas Isijos, que estava presente no ato, afirmou que as reparações de guerra são "uma prioridade deste governo".Isijos disse que o executivo pedirá indenizações às vítimas "reivindicando o empréstimo de ocupação" e a devolução "de mais de 10 mil tesouros arqueológicos roubados"."Não é só um compromisso retórico, é uma obrigação moral e política da história de nosso povo", discursou Isijos.Em sua primeira declaração como primeiro-ministro no parlamento, Alexis Tsipras anunciou que pedirá à Alemanha a devolução do empréstimo forçado que a Grécia concedeu à Alemanha nazista e que exigirá indenizações de guerra para as vítimas da ocupação.O governo alemão considera que o tema das reparações de guerra à Grécia foi saldado em 1990, com o tratado com as potências aliadas que tornou possível a reunificação alemã.O argumento foi repetido recentemente pelo ministro da Economia e vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel. A Grécia, no entanto, não está entre os signatários do tratado firmado entre as duas Alemanhas, a antiga União Soviética, França, Reino Unido e Estados Unidos.

http://inteligenciabrasileira.blogspot.com.br/

O governo dos EUA está prestes a assumir a Internet

Ken Jorgustin

President Obama está pedindo urgência ao FCC para declarar a ‘ internet’ um utilitário Título II em 'Communications Act "- uma tomada autoritária do governo.

The Government Is About To Take Over The Internetj

A internet não vai continuar a ser uma internet aberta, uma vez que o governo tome-na essencialmente - e regula-na. Quando burocratas do governo e políticos tem em suas mãos a iniciativa privada (ou quase tudo) - neste caso, a internet - que irá causar um grande dano para uma Internet aberta mundial, a concorrência, a inovação, e, eventualmente, - LIBERDADE DE EXPRESSÃO - na minha opinião.
A FCC aparentemente vai votar em 26 de Fevereiro. Você e eu, porém, temos que dizer o que for.
Fica pior ...
Para piorar a situação, "a administração mais transparente de sempre '(sarcasmo) está escondendo os regulamentos até que aprovados! Eu não estou brincando. O plano de regulação tem 332 páginas e está sendo mantidp longe do público.
A votação se aprovada pela FCC (parece que ele pode - por 'insistência' do Presidente "), vai adotar" regras de neutralidade da rede "que redefinem a internet banda larga como um serviço de comunicações regulamentado - essencialmente uma utilidade pública.
Nota: Prepare-se para um monte de novos tributos federais disfarçados de taxas de acesso no serviço.
Apesar da frase "neutralidade da rede" pode parecer atraente - não se deixe enganar ...
A questão de superfície na mão é que ele (aquisição pelo governo) vai proibir os fornecedores de serviços de Internet de serem favoritos, por exemplo, oferecendo serviço mais rápido a alguns provedores de conteúdo em detrimento de outros.
Na realidade, estas questões no mercado livre trabalham -se para fora. Quando passos do governo em - bem, a maioria de vocês saberão o que acontece ...
O bilionário Mark Cuban disse outro dia - "Net Neutrality Will 'F' Tudo Up" e disse que ele não quer nomear políticos da FCC regulamentando a Internet. (Eu tenho certeza que ele não está sozinho)
Um senador, Mark Lee, tem chamado a regulamentação de uma tomada pelo governo da internet e diz que equivale a um "um aumento do imposto enorme sobre a classe média, que está sendo passada na calada da noite, sem o público americano realmente a tomar conhecimento da o que está acontecendo. "
Sob a superfície, em causa (com eu e muitos outros) é a probabilidade de restrições governamentais à liberdade de expressão. A Internet tem sido um lugar aberto para que todos possam expressar suas idéias, opiniões, e tudo o mais. Ele tem, literalmente, re-formado nossa visão como um povo. Enquanto há sempre um mau elemento, o "bom" que uma internet aberta fornece foi revolucionário. Uma vez que a nossa voz livre estará desaparecida (regulada), acabou.
Enquanto ninguém pode dizer uma forma ou de outra o que está no plano regulamentar de 332 páginas (está a sete chaves), e enquanto ele não pode impor quaisquer normas vigentes sobre a liberdade de expressão ou censura (embora possa), que quer dizer que 'down the road' os regulamentos não serão modificadas para começar a cercear a liberdade de expressão?
Alguém pode estar pensando que o governo pode ter interesse em controlar o que é dito na internet - dada a sua quota de mercado cada vez menor a integrar notícias na TV propaganda, e eu diria que você pode estar certo sobre isso (embora eles nunca vão dizer isso claro). Uma vez dot-gov tem seu pé na porta - olhe para o que vem ...
Em um mundo onde a web é aberta e gratuita, um homem tem um plano secreto para assumir o controle da internet. Ele tem um telefone. E ele tem uma caneta. E ele afirma que ele tem o poder de fazê-lo.

Digite um texto ou endereço de um site ou traduza um documento.

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Você quis dizer: Steve Quayle brings up this interesting and frightening possibility. It was only a few years ago when the Chinese fired a missile off of the West Coast and now we are facing the very real possibility that the Chinese have decided to wage war against us.

Comemore o Dia da Língua Materna

Participe da comunidade do Google Tradutor

A tentativa da administração de Obama para regular a Internet como de utilidade pública vai tirar o poder dos consumidores e proprietários de pequenas empresas, e coloca-los nas mãos do Governo.
A Administração Obama tem um dos piores registros sobre privacidade e liberdade. Agora o governo quer o poder de regular a sua Internet e ter a última palavra em quais sites serão por você vistos. A Casa Branca está em uma espiral para um tirânico governo "Big Brother", impondo regulamentos e monitorando o que as pessoas podem fazer e dizer. A Internet é apenas a última parada da missão do governo para controlar a liberdade de expressão.
O novo "Department Of The Internet" Helpline:

Eu não tenho certeza do que você (nós) pode fazer sobre isso - uma vez que esta votação é, aparentemente, fora da influência do seu congressista (! Contatá-los de qualquer maneira), mas talvez você possa entrar em contato com o escritório de comissários FCC e que eles saibam o que você pensa ...
Tom Wheeler é a pessoa a posição até a votação de 26 de FEV.
Federal Communications Commission Presidente

Tom.Wheeler@fcc.gov
1-888-225-5322
Encontre o seu representante:http://www.house.gov/

Fonte: http://undhorizontenews2.blogspot.com.br/

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Direita quer destruir Dilma e a Petrobras, alerta sindicalista

 

Diretor de sindicato e de federação de petroleiros alerta para tentativa de usurpação da estatal

16/02/2015 - 08h15 / Por Agência PT

Desde o início da divulgação das investigações da Polícia Federal (PF) e Ministério Público (MP) sobre desvios financeiros praticados dentro da Petrobras, desde o ano de 1997, a maior produtora de petróleo do mundo entre as de capital aberto, vem sendo massivamente exposta de forma negativa, pela imprensa principalmente, edificando uma imagem da estatal que não condiz com sua realidade.

Cansados de assistirem ao ataque sistemático à empresa, os mais de 86 mil servidores partiram para a defesa do patrimônio brasileiro, detentor de reservas comprovadas de 16 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

Munidas de papel, caneta e redes sociais, as servidoras da estatal, deflagraram uma campanha. O protesto consiste em postar nas redes um autoretrato com os dizeres “sou melhor que isso”, acompanhado de #soupetrobras.

A reação dos trabalhadores é explicada nesta à Agência PT de Notícias pelo diretor-geral do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Emanuel Cancella. Ele afirma estar preocupado com a forma como a companhia tem sido agredida, desvalorizada e vilipendiada pelos ataques da oposição e setores da mídia, com o objetivo de prejudicar o governo da presidenta Dilma Rousseff.

“O maior pecado de Dilma foi dizer, na eleição, que defende a Petrobrás e que ela vai ser nosso passaporte para o futuro. Pois a direita brasileira, que foi contra a criação da Petrobrás, agora quer usurpá-la”, afirma. Leia a íntegra:

Agência PT - Quais as propostas dos servidores para evitar a exposição negativa que por ora passa a empresa?
Emanuel Cancella - Infelizmente, a imprensa brasileira só quer falar mal da Petrobrás. Os estrangeiros acabaram de conceder o “Oscar” da indústria de petróleo à Petrobras, o Offshore Tecnology Conference 2015 (OTC) . Ninguém noticiou isso no Brasil. Além do “Oscar”, a Petrobras, durante a operação “Lava Jato”, aumentou a capacidade de refino, passou a americana Exxon Mobil e é a primeira na produção de óleo no mundo e a quarta na produção de óleo e gás. Além disso, o pré-sal já produz mais de 700 mil barris por dia, o suficiente para abastecer países como Uruguai, Paraguai, Bolívia e Peru, juntos.

A quem interessa essa exposição negativa?
O maior pecado de Dilma foi dizer, na eleição, que defende a Petrobras e que ela vai ser nosso passaporte para o futuro. Pois a direita brasileira, que foi contra a criação da Petrobras, agora quer usurpá-la, tenta usar a corrupção na empresa para, de uma só cajadada, destruir a Dilma e a Petrobras. O operativo do petróleo, realizado nesta semana, está marcando um encontro nacional, dia 20 de março, no Rio, para discutir a defesa da Petrobras, o fim dos leilões e a luta contra qualquer tentativa golpista. Caso não consigam privatizar a Petrobras, a grande mídia pretende, no mínimo, manchar a imagem dela, para forçar o governo a abrir mão do “conteúdo local”, com a Petrobras sendo operadora de todos os campos do pré-sal. Querem também mudar a lei de partilha, que tem um fundo nacionalista, criada no governo Lula, retornando à lei de concessão de FHC, que entrega o nosso petróleo de mão beijada aos gringos.

O que o sindicato pensa sobre a reestatização da empresa?
Faz parte da nossa campanha “Todo o Petróleo tem que ser Nosso!” A Petrobras 100% estatal e pública. A volta do monopólio estatal e o fim dos leilões de petróleo. Tudo isso está inserido na lei dos movimentos sociais, que está parada no Senado Federal. Essa lei é subscrita pelos partidos de esquerda, PT, PCdoB, Psol, PSTU, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação Nacional dos Petroleiros |(FNP), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (SMT), várias centrais sindicais e um grande número de entidades do movimento social, como Central ùnica dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Sindical e Popular (CSP Conlutas) e União Nacinoal dos Estudantes (UNE).

Qual a posição do sindicato diante do fato de a proporção de servidores ser de um concursado para quatro terceirizados?
O movimento sindical petroleiro sempre cobrou concurso público na Petrobras. Várias unidades já fizeram mobilizações cobrando aumento no efetivo. Somos contra a terceirização, mas não somos contra os terceirizados. Travamos várias lutas em defesa desses trabalhadores. Agora estamos apoiando a luta de cerca de 600 trabalhadores do Comperj, que estão sendo massacrados, pois estão sem salário, e como não houve rescisão contratual formalizada, estão também sem acesso ao auxilio desemprego, desde dezembro.

Qual a avaliação e a posição do sindicato em relação como a imprensa tem tratado tanto os casos de corrupção quanto a empresa?
Sim, existe corrupção na Petrobras, e tem que ser combatida, levando os corruptos e corruptores para a cadeia e confiscando seus bens. Mas, enquanto a Petrobras tem duas CPIs para investigá-la, o Superior Tribunal Federal (STF) acabou de arquivar o Trensalão do metrô de São Paulo, escândalo que envolve em propina três governadores tucanos: Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. A imprensa, principalmente a Globo, sempre quis destruir a Petrobras. Nas privatarias tucanas, na década de 90, a Globo comparava a Petrobras a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás.

Os servidores tem alguma influência nas decisões de diretoria?
Com muita luta conseguimos, no governo Lula, a oportunidade de eleger diretamente um membro no Conselho de Administração. É muito pouco. Gostaríamos que toda a direção da Petrobras fosse eleita diretamente pelos petroleiros. Pois, são esses trabalhadores que levam a companhia a ser uma das maiores empresas de energia no mundo.

Por Guilherme Ferreira, da Agência PT de Notícias

Pesquisadores russos expõem programas espiões dos EUA

 

Empresa diz que NSA esconde softwares espiões em discos rígidos.
Relato é novo golpe contra agência, abalada após caso Edward Snowden.

Da Reuters

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) descobriu como esconder um software espião dentro de discos rígidos fabricados por grandes marcas, o que dá à agência a capacidade de espionar a maioria dos computadores do mundo, de acordo com pesquisadores e ex-operadores russos.

O bem guardado recurso é parte de um conjunto de programas espiões revelados pelo Kaspersky Lab, um fabricante de softwares com base em Moscou, que tem exposto uma série de operações de ciberespionagem do Ocidente.

O Kaspersky disse ter encontrado computadores pessoais em 30 países infectados com um ou mais programas espiões, com as maiores incidências vistas no Irã, seguido pela Rússia, Paquistão, Afeganistão, China, Mali, Síria, Iêmen e Argélia.

Os alvos incluem governos e instituições militares, companhias de telecomunicação e eletricidade, bancos, pesquisadores de energia nuclear, meios de comunicação e ativistas islâmicos, segundo o Kapersky.

A empresa não quis dizer o país por trás da campanha de espionagem, mas afirmou que ele era bem ligado a Stuxnet, a iniciativa liderada pela NSA que foi usada para atacar instalação de enriquecimento de urânio iraniana. A NSA é a agência norte-americana responsável por coletar inteligência eletrônica.

Um ex-funcionário da NSA declarou à Reuters que a análise do Kaspersky era correta, que as pessoas na agência valorizavam esses programas de espionagem. Um outro ex-agente de inteligência confirmou que a NSA havia desenvolvido a técnica de esconder softwares em computadores, mas disse não saber quais esforços de espionagem dependiam do recurso.

Vanee Vine, porta-voz da NSA, afirmou que a agência sabia do relato do Kaspersky, mas que não iria comentá-lo publicamente.

O Kaspersky publicou os detalhes técnicos da sua pesquisa na segunda-feira, uma iniciativa que poderia ajudar os infectados a detectar os programas espiões, alguns deles operando desde 2001.

A revelação poderia prejudicar a capacidade de vigilância da NSA, já afetada pelos vazamentos do ex-prestador de serviços Edward Snowden. As informações reveladas por Snowden decepcionaram alguns aliados dos Estados Unidos e reduziram o ritmo de vendas no exterior dos produtos tecnológicos norte-americanos.

Tais recursos de espionagem podem levar a uma grande reação contra a tecnologia ocidental, particularmente em países como a China, que já está preparando regras para exigir que a maior parte dos fornecedores de tecnologia bancária disponibilizem cópias do código dos softwares para inspeção.

Peter Swire, um dos cinco integrantes do grupo do presidente Barack Obama que revisa a área de inteligência e tecnologia de comunicações, afirmou que a pesquisa do Kaspersky mostrou que é essencial para o país considerar o possível impacto em comércio e relações diplomáticas antes de decidir usar o seu conhecimento sobre softwares para fins de inteligência.

"Podem haver efeitos negativos sérios para outros interesses norte-americanos”, declarou Swire.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/02/pesquisadores-russos-expoem-programas-espioes-dos-eua-20150217152507142985.html

PRF prende indivíduo com armas e munição

Durante a Operação Carnaval 2015 a Polícia Rodoviária Federal, realizando abordagens a veículos, conseguiu apreender armas e munições. No dia 17 de fevereiro de 2015, às 11:15h, no km 150 da BR 222 em Irauçuba/CE, ao se parar um veículo GM/Kadett de placa LCJ-3967, conduzido por um homem de 35 anos e realizar revista pessoal, foi encontrado de posse do condutor uma Pistola Taurus PT638 calibre 380, arma esta com registro de roubo e furto. Em ato contínuo passou-se a realizar revista minuciosa no veículo, sendo encontrado também 1 Rifle Rossi calibre 38, munições de vários calibres, arma de choque taser e gasolina envasada. O condutor não quis relatar o motivo das armas estarem em seu poder. Foi dado voz de prisão por porte ilegal de arma e receptação e encaminhado para Delegacia Regional de Itapipoca para procedimentos pertinentes.

Resultado Operação Carnaval 2015 - PRF Sobral

 

A Polícia Rodoviária Federal realizou entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 2015 a Operação Carnaval 2015 em todo o Brasil. No trecho compreendido entre o km 122 ao 350 da BR 222, trecho da circunscrição da PRF em Sobral foram bons resultados se comparados ao mesmo período festivo de 2014.

Foram fiscalizados 1857 veículos e 1924 pessoas, trabalho este que engloba realização de vistoria veicular e documental dos ocupantes. Realizados também 1125 teste de etilômetro que resultou na prisão de 4 pessoas por alcoolemia.

Em trechos com alto índice de acidentes ocasionado pelo excesso de velocidade foi utilizado radar que flagrou 806 veículos além da velocidade permitida no local. Houve recolhimento de 42 veículos irregulares e 48 documentos entre CRLVs e CNHs.

O fato é que reduziu-se o número de acidentes em 12% e não houve mortes no período no trecho.

O caminho para evitar acidentes e mortes está sendo traçado pela PRF através de educação e repreensão de imprudências no trânsito, assim evitou-se perdas de vidas neste Carnaval.

PRF/Sobral

Resultado Op Carnaval 2015

Herdeiro do Estadão: os jornais estão mortos

 

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A morte dos jornais impressos foi decretada neste fim de semana por um dos herdeiros do centenário jornal Estado de S. Paulo, o empresário Rodrigo Mesquita; "Os meios tradicionais de massa, do jornal à tv, estão mortos. é uma questão de tempo", disse ele, no Twitter

22 de Fevereiro de 2015 às 08:06

247 - O empresário Rodrigo Mesquita, um dos herdeiros do jornal Estado de S. Paulo, admitiu: os jornais estão mortos, assim como os meios tradicionais de massa.

A conversa se deu no Twitter, neste fim de semana, entre ele e a internauta Luciana Moherdaui.

Confira abaixo:


Luciana Moherdaui ‏@lumoherdaui 20 de fev

@rmesquita: concordo, não sou contra papel, redes sociais, tv ou rádio; mas não ignoro que as redes sociais chacoalharam a mídia off-line.


Rodrigo Mesquita ‏@rmesquita 20 de fev

@lumoherdaui tb não sou contra nada. mas os meios tradicionais de massa, do jornal à tv, estão mortos. é uma questão de tempo.

Brasil 247

Chega ao fim blog que ridicularizava pobres

 

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22 de Fevereiro de 2015 às 11:33

247 - A jornalista Silvia Pilz, que ridicularizou pobres em seu blog (relembre aqui), não tem mais espaço no jornal O Globo. O blog foi retirado do ar e ela atribui sua derrota ao 'politicamente correto'. Leia abaixo:

Da blogueira Silvia Pilz:

Sobre o fim do blog Zona de Desconforto. A proposta era trazer ao jornal alguns assuntos que não são naturalmente abordados em jornais e discuti-los aberta e francamente. Dizer o que ninguém tem coragem de dizer. Fazer com que as pessoas reavaliassem hábitos e costumes. O blog foi concebido para tratar de hipocrisia, questionar valores e comportamento.

A proposta funcionou enquanto o debate girava em torno de questões sexuais ou temas da família. Mas desandou quando resolvi abordar com a mesma franqueza temas que envolvem minorias, incapazes, desvalidos e desfavorecidos. O post “O plano cobre”, em que satirizo o deslumbramento e o comportamento do pobre – nova classe média – diante das oportunidades oferecidas pelos planos de saúde, desencadeou uma onda de reprovação inesperada. A situação tornou-se tragicômica e insustentável para a imagem do jornal O Globo.

Depois desse post, que gerou um terremoto nas redes sociais, leitores revoltados foram buscar outros textos no acervo do Blog. A onda de reprovação cresceu e tomou proporçōes insuportáveis quando começaram as ofensas pessoais. Fui chamada de nazista e fascista por dizer – em um desses posts – que os adultos escondem o desconforto que sentem – por exemplo – quando se deparam com crianças com síndrome de Down ou anões. Enfim, preconceitos velados e disfarçados, de um modo geral, não foram bem aceitos pelos leitores politicamente corretos.

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/170799/Chega-ao-fim-blog-que-ridicularizava-pobres.htm

Xi Jinping: O Presidente da China de cabeça levantada

 

 

Por Ana Gomes Ferreira

Quanto mais poder tem Xi, mais segura de si está a China. É o homem certo para o momento, histórico, em que a superpotência demográfica e económica deixa cair uma timidez mais estratégica do que real e diz o que quer do mundo

No ano passado, na cimeira de Beidaihe — a estância em Hebei onde todos os anos, no Verão, os novos líderes se reúnem com as gerações mais antigas para discutirem linhas de acção — 28 seniores pediram que Xi Jinping se mantivesse no poder até 2027. Em vez de dois mandatos de cinco anos, disseram, teria três.

Fizeram-no, lia-se na Asian Review, para cair nas boas graças do líder. Mas fizeram-no também porque estão fascinados com este seu Presidente. Há escassos dois anos no cargo, Xi irradia esperança e personifica a realização de um sonho antigo. O sonho da China poderosa, gloriosa, respeitada. Uma China de cabeça levantada.

Não se sabe como reagiu Xi à proposta dos 28 velhos líderes e revolucionários. A lei chinesa não proíbe terceiros mandatos, também não especifica que dois são o limite; foram os órgãos mais poderosos do Partido Comunista Chinês (PCC) que fixaram em dez anos a duração de cada liderança. O que se sabe, e a Asian Review não se coibiu de o lembrar, é que quando Xi Jinping olha para a História chinesa tem um governante favorito. Não é Deng Xiaoping, o “pai” das reformas e com quem se diz que quer ser comparado; tão-pouco é Mao Tsetung, cujos métodos autocráticos se comenta que está a copiar. É o imperador Xuan (91-49 a.C.), que restaurou a dinastia Han.

Há uma citação, atribuída a Xuan, que o Presidente chinês proferiu em mais do que uma ocasião: “As pessoas que têm bom senso mudam para se adaptar ao momento que se vive, as pessoas sábias mudam as leis e os regulamentos para responderem às circunstâncias que estão a viver.” Há quem leia nela o sinal de que Xi não se importará de revogar a lei não escrita dos dez anos de mandato.

Em pouco tempo — foi nomeado em Novembro de 2012 e eleito em Março de 2013 — Xi Jinping ganhou uma reputação extraordinária. Uma reputação de homem tão sapiente que parece infalível — como infalíveis eram os imperadores, elevados da condição humana por desígnio dos deuses.

Internamente, não é só um grande líder, é um dos maiores — a taxa de aprovação do Presidente é de 92%, segundo os números divulgados no final do ano passado pelo jornal independente de Hong Kong South China Morning Post. No exterior, a admiração por Xi também é imensa. Um inquérito feito em 30 países pelo Ash Center for Democratic Governance and Innovation da Universidade de Harvard (EUA), para medir o grau de familiaridade e de aprovação a dez dirigentes mundiais, colocou Xi na frente, com 8,7 pontos em dez possíveis (o Presidente russo é o segundo, com 8,1 pontos e o chefe de Estado americano, Barack Obama, surge em terceiro lugar, na casa dos 7 pontos).

O Presidente pintado por um agricultor, Yang Chuanye, do condado de Jishan, na província de Shanxi REUTERS/Stringer

Dentro e fora da China, Xi Jinping, um homem de estatura imponente, sorriso nos lábios e muito carisma — diz quem o conhece —, tem um ascendente cada vez maior. E parece ter cada vez mais poder.

Nos meios jornalísticos não há dúvidas em caracterizar Xi como um Presidente todo-poderoso — os títulos a tratá-lo por imperador são muitos e a revista Economist até o vestiu como tal, mostrando-o numa capa sentado num trono. Nos meios académicos debate-se outra dimensão da equação — tenta-se perceber como são, hoje, os mecanismos que levam à tomada de decisões na China.

E se por um lado é consensual que Xi concentra nas mãos muito poder — porque é o chefe de todos os departamentos estratégicos, o das reformas económicas e sociais (que dava, até aqui, protagonismo aos primeiros-ministros), o da política externa, das forças armadas, da segurança, incluindo a cibersegurança —, por outro também se explica que, há dois anos, ocorreu uma mudança estrutural na cadeia de decisões.

“Temos de perceber que o tipo de liderança assente na ideia do ‘homem forte’ acabou. O consenso e a liderança colectiva marcam a política chinesa actual. O papel de Xi não é tão influente como se pensa, mas é ele quem tem de lidar com as diversas facções no partido e nos órgãos, e é ele quem tem de encontrar equilíbrios na tomada de decisões”, explicou ao South China Morning Post Zhiqun Zhu, do instituto chinês da Universidade de Bucknell (EUA).

O consenso ainda é necessário, pelo menos à superfície, para as iniciativas políticas mais importantes, como as reformas estruturais sistemática"

Timothy Heath, especialista em Defesa

Num ensaio na revista The Diplomat, Timothy Heath, especialista em Defesa do grupo de análise Rand Corporation, diz que se assistiu ao declínio do Comité Permanente, que era o órgão mais poderoso do Partido Comunista Chinês, aquele que tomava de facto as decisões. Há dois anos, este órgão passou de nove para sete membros. Era aqui, diz Heath, que aconteciam os conflitos ideológicos, era aqui que aconteciam os choques entre as várias facções do partido; guerras internas que começavam logo na composição do grupo, formado sobretudo por homens apadrinhados pelos mais influentes personagens das facções. O consenso significava, muitas vezes, grandes lutas de interesses.

“O consenso ainda é necessário, pelo menos à superfície, para as iniciativas políticas mais importantes, como as reformas estruturais sistemáticas. (...) Em termos relativos, porém, a capacidade de os membros do Comité Permanente mudarem a direcção geral das políticas está cada vez mais reduzida". Para a maior parte das directivas, o que realmente importa é o grau de consenso dentro da burocracia do partido, nas organizações que compõem o Comité Central, como o departamento central de organização (de quem dependem as nomeações), o comité executivo, o centro político de pesquisa ou a escola do partido.

Xi, neste contexto, e sem pôr em causa o poder que exerce de facto, é a face visível de uma nova ordem interna que se tornou necessária num momento crucial e crítico da história da China e da história do partido.

A reestruturação do modelo de tomada de decisões teve um propósito, explicam os académicos: recuperar valores perdidos. Xi tem sido o porta-voz dessa corrente e por mais do que uma vez o ouviram falar na “superior metodologia intelectual” do partido que, explica, é “a única correcta para unir e liderar o povo e alcançar o rejuvenescimento nacional”.

“Xi chegou ao poder num momento em que a China, apesar do seu sucesso económico, estava politicamente à deriva”, diz Elizabeth Economy, do Council on Foreign Affairs. O partido estava (está, ainda) minado pela corrupção e pela falta de ideologia. Perdeu credibilidade numa altura em que os avanços económicos produziram alterações tão profundas na população que se adivinhavam convulsões sociais.

A guerra contra a corrupção foi o primeiro sinal visível desse renascimento da metodologia do partido. Uma guerra usada como arma política na contenção das facções — foram assim entendidos os caso de Bo Xilai, uma figura em ascensão na hierarquia presa em 2012 e, depois, expulsa do partido e acusado de corrupção, abuso de poder e assassínio e condenado a prisão perpétua; e o caso de Zhou Yongkang, antigo chefe da segurança, homem forte da facção política ligada ao petróleo e o primeiro antigo membro do Politburo a ser preso e acusado de corrupção. Na aplicação da estratégia, nem os militares foram poupados — Xu Caihou, que está preso, fora vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central.

A guerra contra a corrupção já levou, em dois anos, tantos membros do partido para a prisão como durante toda a década anterior. O efeito na opinião pública foi poderoso, com os chineses a viverem uma etapa de reconciliação com o partido que os governa — os movimentos de contestação existem, mas é preciso não esquecer que são de facto minoritários num país com 1357 milhões de pessoas.

“Estamos a realizar uma campanha de educação dentro do partido para garantir que não se afasta do povo. Para isso, estamos a fazer duas coisas: criámos um sistema de vigilância para assegurar que não há aproveitamento individual e que o partido serve o povo; estamos a punir severamente os corruptos. Os líderes do PCC não podem ser corruptos”, disse ao PÚBLICO, no Verão do ano passado, o vice-presidente da China, o antigo professor primário Li Yuanchao. O vice-presidente também explicou o papel de Xi Jinping neste contexto: “Ele é o chefe do partido”, sendo que o partido tem como “exclusiva” missão fazer “o que é melhor para o povo”.

Xi com Obama na Califórnia, em Junho de 2013. A diplomacia de Pequim está apostada no “renascimento” chinês Jewel Samad/AFP

O PCC deu a Xi Jinping uma tarefa prioritária, manter a hegemonia ameaçada do partido, essencial para manter a harmonia social e o progresso económico — também ameaçado com a corrupção, um mal transversal, que afecta a estrutura do topo à base.

Sem esta hegemonia e unidade, a China não poderá cumprir o seu desígnio — o “renascimento”. Li Yuanchao explicou que o partido toma decisões com grande antecipação. Sugere que Xi Jinping estava, há muito, pré-escolhido para ser o líder desta fase tão importante.

Em parte, foi pelas suas características pessoais — o líder do “renascimento” teria de ser carismático, teria de gerar simpatia e admiração. Teria de andar pelo mundo, expondo-se como há muito não se via. Xi contrasta com os dois antecessores, bastante mais discretos, Hu Jintao e Jiang Zemin. De Xi, conhece-se até a mulher (a segunda), a elegante Peng Liyuan, cantora e directora da academia artística do Exército do Povo que acompanha o marido em viagens internas e ao estrangeiro — pela primeira vez, a China tem uma primeira-dama, apesar de, nos últimos meses, Peng andar mais afastada da ribalta.

Xi personifica também uma mudança de paradigma na política externa. Acabou o período, longo, do baixar da cabeça — foi Deng quem pediu aos chineses qualquer coisa como “escondam os talentos e esperem a vossa vez”. Sejam discretos, portanto.

A maior potência demográfica que já é também a maior potência comercial quer acumular outro título: a maior potência.

A China, explicam os sinólogos, percebeu que uma política externa discreta lhe trazia muitas limitações, sobretudo quando precisava de (re)criar o seu espaço de influência regional. “Começaram a aplicar uma política de grande potência, igual à dos Estados Unidos”, disse ao jornal francês Le Monde Jean-Pierre Cabesten, da Universidade Baptista de Honk Kong.

Xi Jinping também a definiu como “diplomacia de grande país... com características chinesas”.

O lema de Pequim é agora “agir para obter resultados”. E ainda que não tenha tido resultados físicos, diz Cabestan, pontuou no capítulo psicológico quando avançou com pretensões territoriais no Mar da China, ameaçando países que, noutra era, já fizeram parte da esfera de influência de Pequim, mas que fugiram a esse controlo na década de 1930-40 — Vietname, Filipinas, Malásia. O Japão, esse, será sempre um eterno inimigo, o “agressor”, como lhe chamou o vice-presidente Li Yuanchao.

A diplomacia é uma parte vital do “renascimento” chinês e marcar território — quebrando o equilíbrio favorável aos Estados Unidos criado com a II Guerra e que a Casa Branca pretendia reavivar com a anunciada “viragem para a Ásia” de Barack Obama — foi a fase mais visível, porque foi a mais agressiva e, por isso, a mais mediatizada.

Noutros pontos do globo, as tais “características chinesas” vão avançando. Em África, a China troca serviços por petróleo, na América Latina investe em terras, na Europa multiplica os investimentos de grande dimensão, na Ásia cria uma nova balança comercial que joga a seu favor e retira importância a países como a Indonésia, a Austrália ou a Coreia do Sul.

Ao mesmo tempo, Xi anuncia novos acordos comerciais regionais, anunciou a criação de um banco de investimentos para a Ásia-Pacífico e propôs uma “nova rota da seda” — ligando a China à Ásia Central, à Rússia e à Europa. Xi falou nos investimentos necessários em redes viárias e como nada disse sobre como será possível construí-las em regiões instáveis, algumas mergulhadas em conflitos armados, abriu caminho à especulação: está a China disposta a começar a intervir, à imagem dos Estados Unidos?

O mundo é suficientemente grande para todos nós"

Xi Jinping

É, por enquanto, uma pergunta sem resposta, com os analistas a ousarem apenas dizer que a China se tornou um país cheio de confiança mas que ainda é pouco confiável. Xi Jinping sabe que tanta ambição provoca inquietações. E fala em não intervencionismo. Na Austrália, no ano passado, Xi Jinping respondeu a um jornalista que escreveu que a China é um gigante na multidão e que o mundo inteiro está à espera de ver como se comporta, dizendo: “O mundo é suficientemente grande para todos nós.”

Se já é um lugar-comum dizer-se que o século XXI pertence à Ásia, é mais inédito ouvir os analistas dizerem que o ano de 2015 será crucial para se perceber se a China conseguirá cumprir o desígnio a que se propôs — há que não esquecer que, nesta nova ordem internacional, todas as decisões que forem tomadas em Pequim afectarão o mundo inteiro, não apenas um país.

Este é o ano da consolidação do equilíbrio interno e da clarificação da diplomacia. Xi Jinping representa esta ambição e este risco. Não é um senhor todo-poderoso, mas é sobre ele que assenta o “renascimento” da China — como sobre um homem só assentava a velha China imperial, gloriosa e vulnerável aos erros humanos. E é por isso que, no que parece ser uma contradição, o especialista australiano em política externa Mark Beeson diz que, de alguma forma, a China está “outra vez vulnerável à síndrome do mau imperador”.

Xi não é um senhor todo-poderoso, mas é sobre ele que assenta o “renascimento” da China BOGDAN CRISTEL/Reuters

http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-presidente-da-china-de-cabeca-levantada-1685781

Mentira sobre confisco da poupança começou no site oficial do PSDB

 

DenúnciasPoliticaPSDB19:05-Comente este artigo


O boato de grande repercussão pela internet nessa semana sobre o confisco de poupanças começou no site do PSDB e foi revitalizado pelo grupo Revoltados Online
Por redação
O boato que ronda as redes na oposição do governo pela internet nessa semana foi grande. As autoridades garantem que os autores serão devidamente punidos. O que pouca gente sabe é que a noticia partiu do site do PSDB no dia 13 de janeiro de 2014 e foi fortalecida novamente nesse ano por alguns internautas do grupo Revoltados Online,
O que é de fato um crime, virou caso abafado pela mídia já que é um artigo mentiroso criado pelos tucanos e que muita gente caiu.
O PSDB começa a noticia tratando como se fosse um fato que já estaria em curso, veja: "O confisco da caderneta de poupança de meio milhão de brasileiros e a utilização do recurso para engordar o lucro da Caixa Econômica Federal mostram que o governo petista perdeu o limite, avaliam parlamentares tucanos. De acordo com eles, a denúncia é estarrecedora e precisa de urgente esclarecimento."
Mais para baixo o artigo levanta suspeitas deixando claro que teria sido a revista IstoÉ quem o publicou: "A denúncia foi publicada pela revista “IstoÉ”, com base em uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), órgão vinculado à Presidência da República. O minucioso relatório tem 87 páginas. O documento sobre a contabilidade da Caixa foi remetido à Assessoria Especial de Controle Interno do Ministério da Fazenda e ao Banco Central."
E como não poderia faltar, o depoimento do Senador Aécio Neves, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014: "Na visão do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a revelação é estarrecedora. “Se confirmada esta denúncia, de extrema gravidade, demonstrará, mais uma vez, a falta de limites do governo do PT em sua prática de manipulação contábil, que vem minando a credibilidade das contas públicas do país”, avalia."
Em parte do artigo, o PSDB coloca mais uma mentira em destaque na noticia: "Em 2012, a Caixa Econômica Federal fez uma espécie de confisco de milhares de cadernetas de poupança. A instituição encerrou irregularmente 525.527 contas sem movimentação por até três anos e com valores entre R$ 100 e R$ 5 mil. O saldo dessas contas foi lançado, também de forma irregular, como lucro no balanço anual da Caixa, à revelia dos correntistas e do órgão regulador do sistema financeiro. No total, o confisco soma R$ 719 milhões."
O artigo também diz que o Governo teria tumultuado todo o país com o "fato" sendo que nada disso ocorreu, afinal a quem eles querem enganar? Além disso essa fatia do texto diz que o Ministério do Desenvolvimento Social dirigido por Tereza Campelo teria sido o maior responsável: "Na ocasião, a população correu ao banco em vários estados para sacar o benefício, causando um enorme tumulto. A culpa pelo episódio recaiu sobre a própria Caixa, que adiantou o pagamento do benefício sem o aval do Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pela ação."
Encerrando a reportagem, o PSDB diz que o ocorrido é de fato uma denúncia estarrecedora em que os brasileiros desconhecem, o que é uma contradição a outra parte do texto em que diz que os brasileiros estavam preocupados e isso teria gerado tumulto: "surge um novo escândalo em um governo cercado por uma série de denúncias de irregularidade."
Para quem tem dúvidas na veracidade desse texto, leia no site do PSDB.
Acesso no dia 15/02/2015 ás 19:00

Contas secretas do HSBC paralisam o mundo, menos o Brasil

 

Interesse no conteúdo das contas não é apenas curiosidade em conhecer segredos de milionários. O projeto de jornalismo internacional aborda irregularidades cometidas sob o manto do sistema financeiro

por Portal GGNpublicado 13/02/2015 11:54, última modificação 13/02/2015 15:30

Interesse no conteúdo das contas não é apenas curiosidade em conhecer segredos de milionários. O projeto de jornalismo internacional aborda irregularidades cometidas sob o manto do sistema financeiro

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São Paulo – A lista de nomes de mais de 100 mil correntistas da filial do HSBC em Genebra, que construiu uma indústria de lavagem de dinheiro, intermediada por empresas offshore como forma de fugir da fiscalização dos países de origem, está correndo pelo mundo. Aos poucos, cada uma das pessoas e entidades estão sendo reveladas. França, Espanha, Suíça, Dinamarca, Índia, Angola, Bélgica, Chile, Argentina, e outros países, divulgam reportagens detalhadas a cada dia, com novas informações. Menos o Brasil.

O primeiro jornal a ter conhecimento foi o francês Le Monde. Ele teve acesso aos dados secretos de uma investigação iniciada em 2008, pelo governo da França, por meio de informações vazadas do ex-funcionário do HSBC, franco-italiano especialista em informática, Hervé Falciani.

Percebendo que o esquema envolvia mais de 200 países, o Le Monde decidiu compartilhar todo o material com o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma rede que integra 185 jornalistas de mais de 65 países, que investigam casos em profundidade. Do Brasil, são cinco membros: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli.

Os cinco, portanto, teriam acesso à considerada maior base de investigações fiscais do mundo, até hoje, de posse inicial do Le Monde. Nesses arquivos estão os nomes, profissões e valores de ativos de todos os clientes da filial do HSBC na Suíça. O ponto fraco dos documentos é delimitar quando houve indícios de participação de ilegalidades, uma vez que não é proibido ter uma conta bancária na Suíça. Estão incluídos nomes da realeza, figuras públicas, políticos, celebridades, empresários.

O ICIJ formou um grupo menor de jornalistas para investigar os documentos do projeto denominado como Swiss Leaks. Participam todos os países do Consórcio. Do Brasil, Fernando Rodrigues, do Uol, é o único que tem em mãos as apurações dos clientes brasileiros.

Até o momento, as informações divulgadas pelo ex-repórter da Folha de S. Paulo são de que os dados do HSBC indicam 5.549 contas bancárias secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, em um saldo total de US$ 7 bilhões. Nenhum nome. Fernando Rodrigues explica que entrou em contato com autoridades brasileiras, para saber se há ilegalidade nessas operações bancárias, ou se os valores foram declarados à Receita. E que estaria desde novembro aguardando a resposta.

Essa desculpa não bate com o histórico do jornalista. O fato de divulgar a existência da lista e segurar os nomes dá margem a toda sorte de interpretações.

Enquanto isso, o jornalista investigativo argentino, Daniel Santoro, também membro do ICIJ, publica nomes e sobrenomes: os empresários Juan Carlos Relats, Raúl Moneta, e pessoas próximas ao governo, como o grupo Werthein. Os chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, também jornalistas, divulgam os conhecidos de alto patrimônio local: Andrónico Luksic, José Yuraszeck, Ricardo Abumohor, Óscar Lería, Álvaro Saieh, José Miguel Gálmez e o clã Kreutzberger, com filhos e parentes do apresentador de televisão "Don Francisco".

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O jornal argentino Clarín mostra claramente os envolvidos em irregularidades no HSBC suíco

"O Instituto de Religiosas de San José de Gerona chegou a ter 2,7 milhões na Suíça", foi a última manchete do jornal espanhol El Confidencial, que horas antes também publicou que a família de empresários Prado figuravam na lista. Nas reportagens, o jornal indica: "a lista Falciani foi descoberta".

Da Bélgica, o Mondiaal Nieuws mancheta: “entre os 722 belgas da lista do HSBC, estão novamente um monte de diamantes industriais bem conhecidos e descendentes de famílias nobres”. A mesma linha segue o folhetim indiano The Indian Express: “77 dos 1.195 indianos na lista suíça do HSBC estão ligados à indústria de diamantes. O jornalista Appu Esthose Suresh viajou à Mumbai para descobrir como uma pequena empresa familiar controla a indústria”.

O Paraguai denunciou o próprio presidente Horacio Cartes, que tem uma conta na filial do banco na Suíça. Egito, Dinamarca, Rússia, os países não param. O que pode ser o maior esquema de rombo fiscal está paralisando o noticiário mundial.

No Brasil, o jornalista que poderia trazer as melhores investigações publicou quatro reportagens em sua página do blog. Três delas (aqui, aqui e aqui) são a tradução de artigos de outros jornalistas estrangeiros, sem nenhuma referência ao que ocorre aqui, e quem está envolvido.

Na quarta reportagem, enquanto aguarda a resposta das autoridades brasileiras, Fernando Rodrigues deu espaço a dados latino-americanos: “na América Latina, nacionais de vários países estão na lista do HSBC. (...) O saldo total máximo mantido nessas contas secretas de latino-americanos ultrapassa US$ 31 bilhões”.

O Brasil figura como o 9º no ranking de países com a maior remessa de dólares, de acordo com os arquivos vazados da Suíça. A quantia máxima de dinheiro associada a um cliente ligado ao Brasil foi de US$ 302 milhões. Foram abertas 5.549 contas de clientes brasileiros entre 1970 e 2006. Essas informações estão no site do ICIJ.

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Documento elaborado pela investigação jornalística aponta o Brasil como fonte de recursos de origem pouco clara

Os documentos ainda mostram que 8.667 clientes são vinculados ao Brasil. Destes, 55% tem um passaporte brasileiro ou a nacionalidade. No gráfico, é destacada a distribuição entre os tipos de contas: 70% numeradas, 10% contas vinculadas a companhias Offshore, e 20% vinculadas a uma pessoa.

As investigações, partindo de jornalistas pelo mundo, está permitindo recuperar centenas de milhões de dólares em impostos não pagos.

Como bem frisaram os jornalistas chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, "o interesse em divulgar o conteúdo destas contas não é baseado na curiosidade em conhecer os segredos dos milionários. Este projeto de jornalismo internacional – que participam mais de 140 jornalistas de 45 países – busca trazer luz sobre o dinheiro depositado na Suíça, uma jurisdição utilizada pelo alto sigilo sobre os ativos, que os protege e, em particular, sobre os clientes do HSBC, o banco que já foi objeto de uma investigação do Senado dos EUA que revelou que tem sido usado para proteger os fundos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, entre outras irregularidades. Além disso, um grande número de contas – incluindo as de muitos chilenos – estão ligados ao uso de empresas sediadas em paraísos fiscais, uma das maneiras mais comuns de esconder quem são os verdadeiros donos".

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/02/hsbc-contas-secretas-paralisam-o-mundo-menos-o-brasil-1806.html

Conversa Afiada: Lava Jato vai pegar tucano gordo

 

14 de fevereiro de 2015 | 13:42 Autor: Miguel do Rosário

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Segundo o blogueiro Paulo Henrique Amorim, vem novidade por aí.

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, vai iniciar o processo contra os políticos envolvidos na Operação Lava Jato, logo depois do Carnaval.

E haverá “tucanos magros” e “tucanos gordos” no esquema.

Esta seria uma das hipóteses segundo qual, segundo Amorim, o juiz Sergio Moro, liberou os depoimentos de Youssef e Costa logo antes do carnaval.

Para “lubrificar” a grande imprensa com escândalos numa época de pouca atividade política.

Por essa mesma razão fizeram tanta festinha com o nome de Dirceu – com ajuda, naturalmente, do advogado de Alberto Youssef, o doutor Antonio Figueiredo Basto, o personagem que mais tem feito dobradinha com a Globo.

Tudo que a Globo inventa, Basto confirma. Toda informação que atrapalha a narrativa da mídia (ou seja, que envolve tucano), Basto trabalha para derrubar.

O fato é que a Lava Jato, quando sair das mãos da “República do Paraná” e chegar, definitivamente, à PGR e ao STF, poderá ter um tratamento diferente.

Desenvolvedor cria aplicativo que quebra privacidade de perfis no WhatsApp

 

Por Mobile Xpert | Mobile Xpertsex, 13 de fev de 2015

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Por Larissa Ximenes - Uma falha no Whatsapp foi o suficiente para que um desenvolvedor holandês pudesse criar uma ferramenta de espionagem através do famoso aplicativo de mensagens instantâneas, chamada de WhatsSpy Public. Essa ferramenta explora essa falha e deixa expostas as informações que o usuário do WhatsApp achava estarem salvas através das configurações de privacidade.

O WhatsSpy Public permite que qualquer pessoa possa rastrear as atualizações de status e as fotos de perfil de qualquer um, mesmo que as “vítimas” tenham configurado seus WhatsApp para que essas informações não fossem mostradas a ninguém ou apenas aos seus contatos.

O desenvolvedor, Maikel Zweerink, diz que embora a pessoa ache que está segura com essas configurações, sua ferramenta ainda possibilita que qualquer um tenha essas informações de forma fácil. Ele ainda afirma que não se trata de um hack, mas, sim, de uma falha de design do aplicativo, e que a habilidade de “seguir” um completo estranho já pode ser usada e abusada por causa disso.

A boa notícia é que a ferramenta não permite que o “espião” possa ver as mensagens enviadas pelo usuário.

Maikel, em uma entrevista para o Mirror, contou que usou a ferramenta para espionar seu irmão durante um dia inteiro e depois ligou para o mesmo, contando todos os passos dados por ele durante esse dia. O irmão ficou surpreso, já que achou estar seguro por causa das suas configurações de privacidade.

O WhatsSpy Public está disponível para download na internet, porém para instalá-lo é preciso de algum conhecimento técnico mais avançado. Nele, o usuário poderá ver uma espécie de linha do tempo com as informações sobre que está sendo “seguido” ou monitorado pela ferramenta.

O WhatsApp ainda não se pronunciou sobre o assunto.

https://br.noticias.yahoo.com/blogs/mobile-xpert/desenvolvedor-cria-aplicativo-que-quebra-205314778.html

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Xenofobia ou pobrefobia?

 

A mobilização contra a violência não será fértil se ignorarmos o terreno que a alimentou. Provocada pelas intervenções externas no Oriente Médio, a radicalização dos jovens jihadistas efetua-se também dentro de uma Europa que afasta o espírito das Luzes e deixar prosperar preconceitos e discriminações

por Benoît Bréville

No dia seguinte aos assassinatos perpetrados no Charlie Hebdo e na loja Hyper Cacher, alunos se recusaram a observar o minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Um dos argumentos elencados pelos recalcitrantes tinha a ver com o “dois pesos, duas medidas” da liberdade de expressão na França: por que se fala tanto dessa chacina enquanto as pessoas morrem em silêncio no Oriente Médio? Por que a Charlie Hebdo poderia ofender uma figura sagrada do islã, quando Dieudonné se vê proibido de criticar os judeus? A questão foi considerada tão crucial que Najat Vallaud-Belkacem, ministra da Educação Nacional, anunciou, em 15 de janeiro de 2015, a necessidade de formar os educadores para responder a ela.

E não resta dúvida de que a formação proposta retomará o argumento desenvolvido pelos principais meios de comunicação e partidos políticos desde o início do caso das caricaturas: existe uma diferença de natureza entre desenhos blasfemos, que ultrajam uma divindade, e propósitos antissemitas constitutivos de um delito, porque contêm um atentado à dignidade das pessoas. É igualmente provável que a explicação não vá calar todos os rebeldes, porque o caso de Dieudonné e das caricaturas mascara um problema mais profundo: a impunidade quase total com a qual intelectuais como Alain Finkielkraut, Eric Zemmour, Philippe Tesson, mas também jornais como Le Point, L’Express, Valeurs Actuelles ou ainda Le Figaro, exibem sua rejeição ao islã, ora descrito como uma crença retrógrada, ora como uma “ameaça à identidade de nosso país” – segundo as palavras de uma pesquisa encomendada pelo site Atlantico.fr. “A popularidade de Dieudonné se deve ao fato de que, para ele, se por um lado podemos tratar impunemente ou quase os negros, os árabes, os muçulmanos, em uma palavra, os ‘subalternos’, de outro é quase impossível [...] tocar num só fio de cabelo dos judeus ou tocar em Israel sem ser imediatamente tachado de antissemitismo”,1 estima o etnólogo Jean-Loup Amselle.

Esse funcionamento da liberdade de expressão é interpretado de diversas maneiras. Alguns o justificam pelo genocídio judeu e pelo antissemitismo secular da sociedade francesa, que obrigariam a ficar constantemente em guarda. Para outros, ele reflete uma islamofobia profundamente ancorada nas mentalidades, herdada do período colonial, que torna toleráveis aos olhos de todos os propósitos hostis aos muçulmanos. Quanto a eles, os adeptos das teorias da conspiração veem nesse desequilíbrio o sinal do pretendido domínio dos judeus sobre os meios de comunicação e os órgãos de poder: alimentando o ódio ao islã, o “lobby judeu” legitimaria as intervenções ocidentais no mundo árabe para, ao final, favorecer os propósitos de Israel ou de Washington. Esse tipo de discurso, produzido e retomado pelos sites de Alain Soral e de Thierry Meyssan, encontra um sucesso crescente. Ele se aproveita, para se instalar nas mentes, do vazio teórico e político deixado pelo refluxo das formações progressistas.

Essas interpretações, por mais diferentes que sejam, repousam sobre uma mesma abordagem etnocultural, que define os grupos sociais segundo suas origens ou suas religiões (os “judeus”, os “muçulmanos”, os “árabes”...). Mas o “dois pesos, duas medidas” observado em matéria de discursos estigmatizantes se presta a uma leitura totalmente diferente, essencialmente social. Os judeus se instalaram na França há muito tempo, desde os primeiros séculos da era cristã. Muitos se estabeleceram entre o fim do século XIX e o início da Segunda Guerra Mundial, fugindo dos pogroms e da ascensão do nazismo na Europa central e oriental. Depois, uma nova onda, decorrente da descolonização do norte da África, se produziu após 1945. Operários, artistas ou pequenos comerciantes, os judeus vindos do entreguerras viviam com frequência em bairros pobres e em más condições, onde se defrontavam com o racismo de seus vizinhos franceses. Como muitos refugiados políticos, eles dispunham por vezes de um capital cultural superior à média de seu país de origem (um traço igualmente observado entre os refugiados afegãos, sírios e africanos). Ao longo de décadas, certos descendentes ascenderam na sociedade, a ponto de ocupar hoje postos de poder, sobretudo nos meios jornalístico, político e universitário – ou seja, aqueles que produzem, orientam e controlam os discursos públicos.

Já os imigrantes de cultura muçulmana chegaram à França após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a partir dos anos 1960, vindos do Magreb e depois da África subsaariana, por vezes recrutados pela indústria em função de critérios físicos. Seus filhos e netos se criaram numa sociedade em crise, atingida pelo desemprego e pela precariedade crescente das quais eles são as principais vítimas e que diminuem suas chances de ascensão social. Ainda que alguns se elevem à classe média, e mesmo a níveis superiores, eles permanecem pouco representados nas esferas mais altas.2 Frequentemente atacados pelos meios de comunicação e pelos líderes políticos, os estrangeiros e os franceses muçulmanos têm poucas armas para se defender na arena pública, o que permite que o discurso xenófobo funcione com força total. Não é, aliás, um acaso que os roms, grupo mais desprovido de recursos para se opor aos discursos estigmatizantes, sejam alvo de ataques ainda mais rudes, desde Jean-Marie Le Pen, que julga que a presença deles “cheira mal e dá coceira”, até Manuel Valls, segundo o qual “os roms não podem se inserir na França, em sua maioria” e têm, portanto, “vocação para voltar para casa”.

A condição social

A situação atual dos judeus e dos muçulmanos faz eco, em alguns aspectos, à dos imigrantes russos e armênios no entreguerras. Os russos emigraram para a França após as revoluções de 1905 e, sobretudo, de 1917; seu número se elevava a 72 mil em 1931. A maior parte trabalhava na indústria automobilística ou como motoristas de táxi e pertencia às categorias populares. Mas o grupo contava igualmente com uma elite, com frequência oriunda da nobreza ou da burguesia: pintores, jornalistas, editores, escritores tão bem inseridos no meio cultural parisiense que impulsionaram uma “moda russa” nos anos 1920. O conjunto do grupo desfrutou esse sucesso, beneficiando-se de um “tratamento de favor”3 que o colocou ao abrigo das estigmatizações que atingiram outros imigrantes.

Os armênios, por exemplo. Chegados à França após o genocídio de 1915, eles ocuparam quase exclusivamente postos não qualificados. Ainda que pouco numerosos (17 mil em 1931), foram imediatamente julgados “inassimiláveis”. “Se os russos estão longe do povo francês sob vários aspectos, eles têm em geral um nível cultural que permite contatos. Com os armênios, mesmo esse contato é difícil”,4 considerava Georges Mauco, a cabeça pensante das políticas migratórias durante os anos 1930 e sob o regime de Vichy. Assim, a condição social determinou poderosamente a percepção dos migrantes, como a de seus descendentes, pela blindagem institucional que ela proporciona a uns e da qual priva outros. No entanto, há trinta anos esse entendimento está cada vez menos mobilizado: prefere-se a ele uma análise cultural, que considera os problemas dos imigrantes segundo critérios de origem.

A guinada veio entre 1977 e 1984. Durante as três décadas precedentes, a temática da imigração estivera presente nos discursos públicos. Os meios de comunicação evocavam os estrangeiros incidentalmente quando falavam de habitação, emprego e economia. Longe de suas posições dos anos 1930, a direita saudava então a contribuição dos trabalhadores estrangeiros. Assim, após a morte de cinco operários africanos asfixiados durante o sono pela fumaça de um fogo mal apagado num lar de Aubervilliers, o Le Figaro explicou, num tom que hoje ele não exibe mais: “Quem se preocupa com a saúde desses desafortunados transplantados? Eles limpam as ruas quando as sarjetas estão geladas, depois tentam triunfar sobre a tuberculose que os mina ou sobre o óxido de carbono! Eis a sorte desses deserdados. É preciso aplicar com urgência um remédio para isso”.5

A situação mudou com a crise econômica em 1975 e mais ainda após a eleição de François Mitterrand para a presidência da República. Em menos de três anos, a questão dos “trabalhadores imigrantes” cedeu lugar ao “problema dos árabes” da “segunda geração” e, por ricochete, dos muçulmanos. Eventos que outrora eram analisados de maneira social passaram então a ser abordados por um viés étnico.

Passagem às origens culturais

Em julho de 1981, jovens enfrentaram a polícia no bairro de Minguettes, em Vénissieux, na periferia de Lyon.6 Foi como em 1976 e em 1979, mas, naquela época, a imprensa local tinha restringido o caso à seção de “amenidades”. Tendo passado para a oposição, a direita decidiu dessa vez aproveitar o evento para enfraquecer o novo governo, que acabava de regularizar 100 mil clandestinos. Assim, ela transformou esses enfrentamentos em fato social, mostrando o “problema da imigração”, ainda mais porque se podia ver nisso o resultado da degradação física e social dos grandes conjuntos de habitações sociais ou a ociosidade dos jovens num contexto de desemprego endêmico e de “inatividade” maciça. “Nos bairros com forte densidade de pessoas provenientes do Magreb, a situação se tornou explosiva. O governo, ao interromper as expulsões de indivíduos duvidosos, encoraja, portanto, os delinquentes”, escreveu o Le Figaroem 7 de julho de 1981. Desde então, o que o historiador Gérard Noiriel chama de “filão nacional-securitário” passou a ser explorado sem trégua por esse jornal, que denunciou as regularizações dos sem documentos, escancarando “a porta de nosso país para a invasão e a aventura” (22 set. 1981), os “bandos de loubards[‘manos’] [...] essencialmente de origem magrebina” (5 jul. 1982) ou ainda a “lei dos imigrantes” que regeria o bairro de Minguettes (22 mar. 1983).

Esse discurso se tingiu de uma coloração religiosa no momento das greves na indústria automobilística – um setor duramente atingido pela crise, no qual a mão de obra estrangeira constitui mais da metade dos efetivos. O movimento começou no outono francês de 1981 e atingiu seu ponto culminante em 1983-1984. Aquilo que no começo não passava de um simples conflito trabalhista, lembrando em certos aspectos o movimento de greve espontâneo que nascera da vitória da Frente Popular em 1936, era então apresentado como um enfrentamento cultural. Sob o pretexto de que eles exigiam, entre outras coisas, a abertura de salas de oração nas fábricas – uma prática encorajada pelo patronato nos anos 1970, que via nisso um meio de assegurar a paz social7 –, o governo e a imprensa acusaram os grevistas de serem manipulados pelos aiatolás iranianos. Esses trabalhadores são “estimulados por grupos religiosos e políticos cujos motores têm pouco a ver com as realidades sociais francesas”, explicou o primeiro-ministro, Pierre Mauroy, em 11 de janeiro de 1983.

Um círculo vicioso

Mesma conversa noFigaro, que acrescentava: “Os mais otimistas contam com as faculdades de assimilação das populações estrangeiras, como ocorreu no passado com as colônias italianas e portuguesas. Mas o exemplo, infelizmente, não é mais válido. A origem cultural da nova imigração constitui um obstáculo difícil de superar”. Só que os portugueses nem sempre foram bem-vistos pela imprensa. Por muito tempo suas práticas religiosas ostensivas e impregnadas de superstição lhes foram reprovadas, a ponto de eles terem sido descritos, no entreguerras, como uma “raça exótica”, mais difícil de integrar que os italianos8 – os quais foram, antes, julgados menos integrados que os belgas...

Quando não se alinhava com a posição de seus adversários, a esquerda dos anos 1980 respondia aos ataques contra a imigração magrebina valorizando a “cultura beure [magrebina]”, retomando, de maneira inversa, o discurso culturalista da direita. O Libération, que desempenhou um papel ativo nessa empreitada, abriu a partir de setembro de 1982 uma seção “beur”, que informava sobre os acontecimentos artísticos que supostamente poderiam interessar aos membros dessa “comunidade”. Depois, o diário apoiou ativamente a Marcha pela Igualdade contra o Racismo, que ele rebatizou de Marcha dos Beurs, e acompanhou a criação do SOS Racismo, contribuindo para deslocar o olhar da luta pela igualdade para o da luta contra as discriminações. O Le Monde ficou feliz com o fato de que “as crianças da segunda geração imigrada se apoderam da canção, do cinema, do teatro” (4 jul. 1983), enquanto a semanal Marie Claire celebrava o “creme dos beurs” (abr. 1984). Mas, se a cultura da elite ganhava em legitimidade, a base, cujas condições de existência se degradavam em acordo com a desindustrialização, permanecia estigmatizada.

Em menos de três anos, o debate sobre a imigração foi esvaziado do conteúdo social. Depois dessa reviravolta, os estrangeiros e seus descendentes eram o tempo todo lembrados de sua “comunidade”, sua religião, seu risco de acentuar o fosso entre os franceses “autóctones” de um lado, os imigrantes e seus descendentes de outro. Os temas diretamente ligados à imigração (o racismo, as discriminações etc.) eram abordados como problemas culturais, atentando para as origens das pessoas em questão; qualquer que fosse sua causa, todo evento geopolítico, social ou mesmo esportivo que envolvesse uma maioria de atores de origem árabe ou muçulmana revivia invariavelmente o debate sobre o islã, a imigração e o lugar destes últimos na República: Guerra do Golfo, atentados de 11 de setembro de 2001, conflito israelo-palestino, enfrentamentos entre jovens e policiais na periferia, jogadores de futebol de origem argelina se abstendo de cantar a Marselhesa etc.

No entanto, o sentimento de pertencer a uma “comunidade” árabe ou muçulmana não é um dado natural. Ele se construiu ao longo desses acontecimentos que enviam as populações imigradas a suas origens. Nesse sentido, a Guerra do Golfo (1990-1991) teve um papel fundador. Enquanto os bombardeiros aliados decolavam para Bagdá, alguns alunos de faculdade e do ensino médio denunciavam a dominação do Ocidente e exibiam sua solidariedade com o mundo árabe. “Saddam é um árabe exposto ao ostracismo de todos, como nós em nossos bairros. Por uma vez, não sentimos humilhados, mas defendidos”, declarava então um estudante do ensino médio.9 Essas reações, muito minoritárias, logo desencadearam um debate sobre a lealdade dos filhos de imigrantes. “Seja o que for que se faça, seja o que for que se diga, o beur de Saint-Denis se sentirá sempre mais próximo de seus irmãos que vaiam a França nas ruas de Argel e de Túnis”, escreveu o Le Figaro Magazine (25 jan. 1991). Por reação, os filhos de imigrantes reafirmam suas origens e sua religião estigmatizadas. Segundo os sociólogos Stéphane Beaud e Olivier Masclet, essa guerra desempenha “um papel importante na construção de uma consciência mais ‘racial’ que social entre os filhos de imigrantes magrebinos, especialmente inclinados a pensar a sociedade sob a forma de oposições sucessivas – eles/nós, ocidentais, árabes, franceses/imigrantes, ricos/pobres etc. – que são eles próprios marcados por sua experiência de diversas formas de relegação”.10

Dois problemas indissociáveis

A ideia de que as populações árabe e negra colocavam um problema inédito na história da imigração ganhou progressivamente o conjunto do espectro político. Ela dividiu até a esquerda radical, da qual algumas correntes postulam a singularidade dos imigrantes “pós-coloniais” e da maneira como eles seriam percebidos pelos “brancos”. “O tratamento das populações oriundas da colonização prolonga, sem nela se reduzir, a política colonial”, indica o chamado dos Indígenas da República lançado em 2005. “É como árabes, como negros ou como muçulmanos que as populações originárias das antigas colônias são discriminadas e estigmatizadas”,11 explica Sadri Khiari, um dos fundadores do movimento. Segundo ele, a “violência específica da qual negros e árabes são objeto ou que eles carregam na memória como descendentes de colonizados e emigrantes-imigrantes [...] determina reivindicações que só pertencem a eles, como aquelas relativas às discriminações raciais, ao respeito a seus pais ou, para os muçulmanos, ao direito de ter lugares de oração dignos e de usar o véu. Na realidade, mesmo quando suas exigências são idênticas àquelas de seus vizinhos brancos, ainda assim elas são diferentes”.12

Esse discurso, que contribuía para colocar em concorrência causas legítimas (a dos “brancos” e a das “minorias”), se apoiava num postulado discutível: se os negros e os árabes são discriminados, isso acontece essencialmente em função da cor de sua pele ou pelo fato de eles serem pobres? O exemplo das “abordagens pela aparência”, na origem de frequentes enfrentamentos entre jovens e policiais, esclarece a problemática. Em 2007-2008, dois sociólogos seguiram discretamente patrulhas de polícia nas vizinhanças das estações de metrô Gare du Nord e Châtelet-Les Halles, em Paris.13 Examinando cuidadosamente 525 abordagens, eles constataram que as pessoas identificadas como “negras” ou “árabes” tiveram respectivamente 6 e 7,8 vezes mais riscos de serem abordadas que os brancos. Mas outra variável se mostra igualmente determinante: a aparência decorrente das vestes. As pessoas vestidas com um “traje jovem”, em particular aquelas que exibiam um “look hip-hop”, apresentavam 11,4 vezes mais risco de serem abordadas que aquelas que vestiam uma “roupa do dia a dia” ou “descontraída”. Em outras palavras, um branco com um blusão de moletom e um boné – o uniforme da juventude popular da periferia – estava mais exposto à repressão policial que um negro de terno e gravata.

Evidentemente, a fronteira entre essas variáveis não é estanque. A juventude de origem imigrante é super-representada na população que exibe um “look hip-hop”. As discriminações raciais se juntam às desigualdades sociais para reforçá-las, tornando esses dois problemas indissociáveis. A escolha de insistir sobre esse ou aquele critério –a cor da pele ou o pertencimento a classes populares – é ao mesmo tempo política e estratégica. Ela participa da definição das fraturas da sociedade francesa. Ressaltar o componente social das desigualdades permite combater a ideia de que as populações de origem magrebina e africana constituiriam um problema específico, totalmente distinto das ondas migratórias precedentes e das classes populares em seu conjunto.


ASCENSÃO DA INTOLERÂNCIA

Os atentados de Paris foram seguidos de numerosos atos e ameaças contra muçulmanos. Desde 2007, há um forte aumento dessas ações e daquelas visando os judeus. Em seu último relatório, a Comissão Nacional Consultiva de Direitos Humanos (CNCDH) assinala a persistência dos preconceitos raciais e uma elevação preocupante da intolerância. Ao agregar as respostas a uma série de questões, a comissão calcula a imagem de diversas minorias. A CNCDH revela que as expressões racistas “banalizam-se sobre um pano de fundo de ciberanonimato, do debate sobre os limites do humor e de um olhar de desconfiança em direção ao discurso antirracista, percebido como censor”. Os roms, os muçulmanos e os árabes são os principais alvos da recrudescência da violência. Essa pesquisa mostra que a tolerância cresce em função do nível educacional e que ela é mais forte entre os eleitores de esquerda, bem como, em linhas gerais, entre aqueles de centro. A comissão recomenda o investimento em educação para forçar o recuo dos raciocínios simplistas.

Benoît Bréville

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1806

“Veneza Paulista” privatiza rio e oferece alívio caro à crise hídrica

 

Laura Capriglione e Conta D'Água — 11/02/15
Enquanto a capital paulista enfrenta rodízio e falta d’água, condomínio no interior desvia curso de rio para criar clima veneziano. Moradores passeiam entre as casas de pedalinho

Você anda chateado com a perspectiva de viver o tal do rodízio de cinco dias a seco para apenas dois com água? Anda procurando, sôfrego, tutoriais no Youtube sobre como construir sua cisterna caseira? Na geladeira da sua casa, ao lado dos tradicionais ímãs com os telefones da pizzaria, da lavanderia e do petshop, agora já tem um de caminhão-pipa? Seus dias de angústia acabaram!

Bem pertinho, a 70 km de São Paulo, você poderá se tornar o feliz proprietário de uma casa com água à vontade — água até dizer chega. Na verdade, trata-se de um rio inteiro, desviado de seu curso normal só para o bem-estar e lazer dos moradores. E tudo com a segurança de um condomínio fechado, vigiado 24 horas por dia por câmeras de monitoramento.

Cenas bucólicas da Veneza Paulista. Pedalinhos e pontes marcam o cenário das ilhas artificiais. Fotos: Mídia NINJA

Trata-se do Condomínio Ribeirão do Vale, situado em Bom Jesus dos Perdões, na beira da rodovia Dom Pedro I. Ali, cerca de 100 casas, 95% das quais equipadas com piscinas, desfrutam o privilégio de ter um rio de águas límpidas passando pelo quintal. Moradores usam pedalinhos –sim, pedalinhos! — para visitar os vizinhos. Pontes românticas ligam os quarteirões ilhados.

Que lindo!

E pensar que, enquanto uns se viram com pedalinhos, piscinas e um rio para chamar de seu, quase no centro de São Paulo milhares de pessoas se veem completamente à mercê dos caprichos da Sabesp, ligando e desligando a água quando lhe dá na telha.

Contraste hídrico entre a Veneza Paulista… | Foto: Sintaema

…e a favela na Vila Mariana, bairro da capital paulista | Foto: Helio Mello/Projeto Xingu

O repórter e fotógrafo Hélio Carlos Mello, do Projeto Xingu e do Conta D’Água, testemunhou, por exemplo, o que acontece com a favela da rua Doutor Mario Cardim, na Vila Mariana. As quinhentas famílias e mais de 2.000 moradores empilhados em barracos tentando preservar alguma dignidade diante das precárias condições de saneamento e superpovoamento do local…

Noventa por cento das casas não têm caixa d’água e, portanto, quando a torneira fica seca é a vida que seca.

Quem ali tem dinheiro para comprar água mineral ou contratar caminhão-pipa a R$ 1.200 a carga de 15.000 litros?

A ironia cruel é que também a favela da Vila Mariana convive diariamente com um rio, no caso o córrego do Sapateiro, que foi aterrado e passa bem embaixo do chão. Em alguns barracos ainda dá para ouvir o som da água subterrânea correndo. Mas fica nisso.

Diariamente, os moradores da favela Mario Cardim se apressam em fazer as atividades domésticas de lavar roupas e panelas, ao mesmo tempo em que põem a comida no fogo. Tudo muito rápido, antes que a torneira seque novamente.

Mas não pensemos nisso. E voltemos rapidamente para o Condomínio Ribeirão do Vale, injustamente apelidado de Veneza Paulista. É injusto porque o condomínio tem vantagens notáveis sobre o original vêneto/italiano. Por exemplo, moradores da versão brasileira podem pescar em seus quintais peixes nativos, como tilápias, pacus, curimbatás, bagres. Também se encontram ali espécies alienígenas, como os matrinxãs, que foram trazidos da bacia amazônica especialmente para o local.

Veneza perde!

Foto: Mídia NINJA

Foto: Mídia NINJA

Os repórteres da Conta D’Água visitaram o condomínio para ver como funciona esse paraíso. Entraram na área privada a pretexto de comprar um imóvel. Havia dois, anunciados pela internet.

Logo no primeiro, depararam-se com o morador na casa vizinha, senhor Luís, que explicou: o condomínio mantém três moinhos em funcionamento permanente a fim de oxigenar a água e manter os peixes saudáveis por mais tempo.

Pescador sortudo, ele se vangloriava da peixada de curimbatá na brasa que fizera na véspera. “Aqui é um oásis no meio da seca”.

O oásis, no caso, custa caro: R$ 330.000, que é o preço de um imóvel assim anunciado: “4 dormitórios, 3 wc, sala, cozinha, varanda com churrasqueira, piscina, rio com pedalinho”.

A ducha de água fria, contudo, o próprio corretor encarregou-se de jogar nos ansiosos compradores que éramos nós. É que as casas do local não têm escritura definitiva. Mas apenas uma tal “escritura de direitos possessórios”. Ou seja, R$ 330.000 a menos no bolso, o comprador será apenas um “posseiro”, sem direito a registro definitivo do imóvel.

Mas, o corretor avisa, “não tem perigo, não”. “O próprio ex-prefeito de Bom Jesus dos Perdões, Calé Riginik, do PSDB, é o morador até hoje da casa 10 do condomínio. Você acha que o ex-prefeito compraria um imóvel aqui se houvesse o mínimo risco de perdê-lo?” Imagine o leitor se em vez do prefeito e de gente como nós, fingindo ter R$ 330.000, “cash”, se não haveria risco de uma violenta “ação de reintegração de posse”, como aconteceu no tristemente famoso caso Pinheirinho.

Sistema de segurança do condomínio e o que restou do rio Atibaia, ao fundo | Foto: Mídia NINJA

Sistema de segurança do condomínio e o que restou do Rio Atibaia, ao fundo. Foto: Mídia NINJA

Em uma entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” realizada em 2010, o então secretário de obras de Bom Jesus dos Perdões, Gerson Coli, admitiu que o condomínio foi instalado sobre o leito do ribeirão Cachoeirinha, “sem licenças dos órgãos devidos (como a Cetesb)”.

No dia 4 de novembro de 2011, entretanto, veio a redenção diretamente do Departamento de Águas e Energia Elétrica da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Governo do Estado de São Paulo, sendo governador o tucano Geraldo Alckmin (PSDB).

“Fica a Sociedade de Amigos Marinas do Atibaia autorizada a utilizar recursos hídricos no Condomínio Ribeirão do Vale, para fins de lazer e paisagismo”. O despacho informa ainda que a água do ribeirão da Cachoeirinha pode ser captada à razão de 97,42 m³/hora, durante as 24 horas do dia, todos os dias e meses do ano.

Dá um total de 97.420 litros captados por hora. Ou 2.338.080 litros por dia. Ou 70 milhões de litros por mês. Ou 840 milhões de litros por ano.

O delírio paisagístico também se expressa na decoração do condomínio. | Foto: Mídia NINJA

Faça chuva ou faça sol, a água do Ribeirão da Cachoeirinha, água limpa que vem do alto da serra, será desviada por entre os canais artificiais que atravessam o condomínio, para só então ser lançada no Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas (SP), e precisa ser frequentemente socorrido por água do Sistema Cantareira (esse falido), já que se encontra em níveis críticos.

As palavras “crise” e “falência” estabeleceram nos dias atuais uma terrível parceria com as palavras rio, represa, abastecimento e sistema hídrico. E pensar que a palavra “Atibaia”, que dá nome ao rio que recebe as águas do condomínio, veio do tupi, significando rio manso, de águas tranquilas, abundantes, agradáveis ao paladar, “manancial de água saudável”.

É triste.

Em volta da tal Veneza Paulista, nas beiras dos rios, mais da metade da mata nativa já foi convertida em plantações de Eucalyptos urophylla, destinadas à produção de lenha e carvão, fonte energética para alimentar os fornos das pizzarias e padarias da Região Metropolitana de São Paulo.

O resultado dessa devastação toda, que acaba em pizza, tem sido a redução espetacular e veloz do total de chuvas na região. Em apenas vinte anos (de 1985 a 2005), o total de precipitações pluviométricas ali caiu de 1.800 mm por ano para uma média de 1.200 mm por ano.

Quando tudo acabar, entretanto, se comprarmos nosso chalé no condomínio, poderemos dizer, como num filme: “Nós sempre teremos Veneza…”

Mas cadê a graça de viver assim?

Calma e pescaria na Veneza Paulista. Seu Luís | Foto: Mídia NINJA

Calma e pescaria na Veneza Paulista. Seu Luís | Foto: Mídia NINJA


Reportagem atualizada em 13/2, às 9h53

http://ponte.org/veneza-paulista-privatiza-rio-e-oferece-alivio-a-crise-hidrica/