quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Após seis horas de reunião, Dilma dá mais poder a Lula

 

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Em Brasília desde ontem, ex-presidente dá as cartas nos bastidores do governo; reunião com a presidente na Granja do Torto, que durou mais de seis horas, resultou no fortalecimento da candidatura de Henrique Meirelles para o ministério da Fazenda; amanhã, Dilma tenta apaziguar os ânimos com a base aliada ao se reunir com as bancadas da Câmara e do Senado; depois Lula se encontra com deputados e senadores em São Paulo, na intenção de passar uma ordem unida pelo fortalecimento do partido; primeira providência pedida por Lula à presidente é anunciar, o quanto antes, o nome do chefe da economia; enquanto a oposição tem Aécio na chefia, que promete "não dar trégua" a Dilma, governo coloca Lula em campo

5 de Novembro de 2014 às 11:18

247 – Em um cenário de insatisfações de partidos aliados, especialmente o PMDB, dificuldades no Congresso e expectativa de anúncios para a economia, como o novo ministro da Fazenda e até mesmo o reajuste da gasolina pela Petrobras, o ex-presidente Lula deixou definitivamente o banco de reservas para entrar em campo e jogar pelo governo nos bastidores do poder.

Em Brasília, Lula teve ontem a primeira reunião com a presidente Dilma Rousseff para discutir o segundo mandato. O encontro na Granja do Torto, que também teve a participação do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, durou mais de seis horas, se estendendo pela noite. Até então, desde a vitória do PT em segundo turno, o ex-presidente havia se recolhido e se limitado a reuniões de seu instituto em São Paulo.

Agora, porém, defende junto à sua afilhada política a nomeação – mais rápida possível – do novo chefe da economia, que substituirá Guido Mantega no ministério da Fazenda. Lula faz campanha pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que saiu fortalecido no diálogo travado na terça-feira 4.

Outro papel importante do cacique petista é acalmar a inquieta base aliada. De um lado, o PMDB quer presidir novamente a Câmara dos Deputados, lançando o líder do partido Eduardo Cunha, apesar do acordo firmado com o PT de que o comando da Casa seria alternado entre as duas maiores bancadas no Congresso. O cenário, se concretizado, prejudicará significativamente o governo em obter resultados com os parlamentares.

De outro, o próprio PT quer participar mais do segundo governo Dilma, como mostra o documento elaborado pela Executiva do partido em reunião nessa semana. O receio dos dirigentes da legenda é de que a presidente, apesar de ter pregado o "diálogo" desde que foi reeleita, comande um governo mais independente.

A estratégia é apaziguar os aliados e o plano começa a ser colocado em prática amanhã, com reunião no Palácio da Alvorada entre a presidente e as bancadas da Câmara e do Senado, além dos governadores petistas eleitos. É nessa conversa que o PT deverá ficar sabendo como funcionará exatamente sua participação nos próximos anos de governo. Depois é a vez de Lula, que se reúne com deputados e senadores do partido em São Paulo.

Ao mesmo tempo, o PSDB, presidido pelo candidato derrotado ao Planalto Aécio Neves, dá sinais de que pretende fazer uma oposição mais dura. Ontem, ao voltar ao Senado, o tucano foi recebido com clamor por militantes e prometeu liderar o "exército" da oposição, cobrando mais o governo. Ele também já havia declarado que "não dará trégua" ao governo Dilma.

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/159509/Após-seis-horas-de-reunião-Dilma-dá-mais-poder-a-Lula.htm

Urubus omitem que exportação cresceu 341% desde 1998

 

Por Miguel do Rosário, postado em novembro 4th, 2014 | 9 comentários

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Os urubus perderam as eleições e agora, ressentidos, investem pesado em tintas escuras e sombrias para pintar a economia brasileira.

“Balança comercial tem pior outubro desde 1998″, é a manchete padrão de todos os jornais de hoje.

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Não existe forma melhor de contar uma mentira do que usar um fato verdadeiro.

Basta omitir alguns detalhes.

Em outubro de 1998, o Brasil exportou US$ 4 bilhões.

Em outubro de 2014, o Brasil exportou US$ 18,3 bilhões, alta de 355,6% sobre o mesmo mês de 1998.

No acumulado de Jan/Out de 1998, o Brasil exportou US$ 43,5 bilhões.

No mesmo intervalo de 2014, as exportações totalizaram US$ 191,9 bilhões, alta de 341%.

É uma leve diferença para 1998, né?

Havia ainda um agravante, em 1998, auge do plano Real, o Brasil, além de exportar pouco, ainda enfrentava o câmbio fixo imposto pelo governo, o que limitava os ganhos em reais.

Os exportadores brasileiros, em outubro deste ano, ganharão, em reais, talvez mais do que ganharam em meses anteriores, por causa da desvalorização cambial.

Estamos importando e exportando muito mais do que antigamente. A corrente de comércio, que soma importação e exportação, totalizou US$ 385,7 bilhões em Jan/Out deste ano, alta de 319% sobre os US$ 92 bilhões de Jan/Out de 1998.

Ah, mas a balança comercial foi a pior desde 1998, certo?

Certo. Maluco, não se contesta.

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O Cafezinho

Agente do Detran é condenada no Rio por falar que juiz não é Deus

 

Akemi Nitahara* – Repórter da Agência BrasilEdição: Stênio Ribeiro

A justiça do Rio de Janeiro condenou a agente de trânsito Luciana Silva Tamburini a pagar indenização de R$ 5 mil para o juiz João Carlos de Souza Correa. Ela processou o magistrado após receber voz de prisão e ser levada para a delegacia por ele, flagrado em uma blitz da Lei Seca, na zona sul do Rio, dirigindo sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em um veículo sem placa.

Luciana determinou a apreensão do veículo e alega, de acordo com o processo, que “o réu tentou se prevalecer do cargo para se esquivar do cumprimento da lei”. A agente pediu indenização por dano moral, por ser submetida a uma situação vexatória, ao ser conduzida para a delegacia, mas o juiz contestou a acusação e pediu indenização, porque se sentiu ofendido ao ouvir de Luciana que ele “é juiz, mas não é Deus”. O caso ocorreu há três anos, e a decisão foi publicada na última sexta-feira (31).

Na decisão, o desembargador José Carlos Paes, da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, escreveu que “a autora, ao abordar o réu e verificar que o mesmo conduzia veículo desprovido de placas identificadoras e sem portar sua carteira de habilitação, agiu com abuso de poder, ofendendo o réu, mesmo ciente da relevância da função pública desempenhada por ele”. Ele acrescenta que ao “apregoar que o réu era 'juiz, e não Deus', a agente de trânsito zombou do cargo por ele ocupado, bem como do que a função representa na sociedade”.

O desembargador diz ainda que “restou evidente, no caso em análise, que a autora pretendia, com tal comportamento, afrontar e enfrentar o magistrado, que retornava de um plantão judiciário noturno”. Além disso, de acordo com a decisão de Paes, Luciana “desafiou a magistratura e tudo o que ela representa”, ao “debochar” do juiz.

Ainda cabe recurso da decisão, mas o caso já gerou repercussão na mídia e nas redes sociais, em apoio à agente de trânsito. Foi criada até uma “vaquinha” online para arrecadar o valor da indenização, que já conseguiu mais de 70% do dinheiro, apenas no primeiro dia no ar.

Para o presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), Rossidélio Lopes da Fonte, não houve corporativismo no caso. “Particularmente, eu não acredito nisso. Acho que foi um acontecimento isolado, mas nesse caso específico só analisando a prova dos autos para afirmar”.

Porém, de acordo com Fonte, o juiz deve se comportar como qualquer cidadão diante de uma blitz. “Eu não posso falar pelo fato em si, mas a orientação que nós damos é que o juiz se comporte como qualquer cidadão que é parado na Lei Seca. O fato de você estar fora do exercício da magistratura não te permite usar arbitrariamente qualquer posicionamento”.

O presidente da Comissão de Legislação de Trânsito, da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Rio de Janeiro (OAB/RJ), Armando Souza, também evita falar em corporativismo na decisão. “Não acredito. Eu não vislumbrei nenhuma intenção por parte da agente de trânsito, de ofender a honra do magistrado. O tribunal entendeu o contrário, e aplicou uma condenação para que ela reparasse um dano que eu, no meu entendimento, não percebi”.

Souza não acredita que a decisão possa influenciar no comportamento dos agentes que trabalham nas operações da Lei Seca. “Não acredito que isso possa ocorrer. Todos nós somos iguais perante a lei, também o magistrado é igual e deve respeitar a legislação. Todos são iguais - seja senador, magistrado, jogador de futebol, advogado. Todos, temos que respeitar a lei”, reiterou.

Em nota, o Detran informou que a corregedoria do órgão abriu processo disciplinar para apurar a conduta dos agentes envolvidos na ocorrência, mas não constatou nenhuma irregularidade. De acordo com a nota, “a Operação Lei Seca reitera que todos os motoristas abordados nas blitze são submetidos aos mesmos procedimentos, e a atuação dos agentes está de acordo com a lei”.

*colaborou Maurício de Almeida, repórter da TV Brasil

TSE nega pedido do PSDB para criar comissão a fim de auditar eleições

 

André Richter – Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou hoje (4) pedido do PSDB para a criação de uma comissão a fim de auditar o resultado das eleições presidenciais. O tribunal, no entanto, autorizou o partido a ter acesso aos arquivos eletrônicos e demais documentos referentes à totalização dos votos. O plenário seguiu o voto do presidente do TSE, Dias Toffoli. Ele ressaltou que todos os procedimentos deferidos constam em resoluções da corte que tratam da transparência do processo eleitoral e estavam disponíveis antes da eleição.

Em seu voto, Toffoli disse que o partido não apresentou indícios de fraude e limitou-se a relatar a descrença de algumas pessoas no resultado da votação. Apesar de autorizar os procedimentos, o presidente garantiu a transparência das eleições e ressaltou que o desenvolvimento dos programas usados na apuração das urnas esteve a disposição, desde abril, de todos os partidos políticos, do Ministério Público Eleitoral (MPE) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), desde o momento em que começaram a ser elaborados. Sobre a criação de uma comissão para auditar os resultados, o presidente rejeitou o pedido, formulado por um delegado do partido, pessoa sem legitimidade perante o TSE.

Apesar da unanimidade formada no plenário, o ministro Gilmar Mendes defendeu que a Justiça Eleitoral acabe com suspeitas de fraude no resultado nas eleições, mesmo que sejam descabidas e levantadas por meio das redes sociais. Segundo o ministro, o pedido do PSDB contribui para a pacificação do assunto.

Durante o julgamento, Mendes disse que a insegurança também é provocada por declarações de autoridades públicas. O ministro citou uma frase dita pela presidenta Dilma Rousseff, em 2013, um ano antes do período eleitoral. “Eu não cometo nenhuma imprecisão ao lembrar a declaração da presidenta Dilma que diz ‘a gente faz o diabo quando é hora de eleição’. A gente pode entender essa expressão de várias formas. Mas, fazer o diabo tem uma carga figurativa muito grande. Será que fazer o diabo significa que é capaz até de fraudar a eleição? Vejam a responsabilidade de pessoas que ficam a falar bobagem, inclusive em campanha eleitoral. Veja o peso que isso tem no imaginário das pessoas. O que significa fazer o diabo na eleição? “, disse Gilmar.

A frase da presidenta foi dita em março de 2013, em João Pessoa (PB), durante a entrega de casas e retroescavadeiras a municípios da Paraíba. Na ocasião, Dilma disse que os recursos do governo federal são liberados de acordo com a necessidade da população e não por critérios políticos. “Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos de nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro. O governo não tem nenhuma justificativa para perseguir que não é do esmo partido dele. “

No pedido de auditoria, protocolado na semana passada, o PSDB diz ter “absoluta confiança” de que o tribunal garantiu a segurança do pleito, mas pretende tranquilizar eleitores que levantaram, por meio das redes sociais, dúvidas em relação à lisura da apuração dos votos. O partido solicitou que o TSE crie uma comissão formada por integrantes dos partidos políticos para fiscalizar todo o processo eleitoral, desde a captação até a totalização dos votos.

Agência Brasil

BR Partners: não existe descontrole na economia

 

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Segundo Ricardo Lacerda, sócio-fundador do banco de investimento BR Partners e ex-presidente dos bancos de investimento Goldman Sachs no Brasil e do Citigroup na América Latina, mercado deve dar voto de confiança ao governo Dilma Rousseff: “Apesar de suas promessas de mudança terem sido vagas, é evidente a necessidade de recuperação da credibilidade fiscal e de melhoria do diálogo com o setor privado”

5 de Novembro de 2014 às 05:49

247 – O sócio-fundador do banco de investimento BR Partners Ricardo Lacerda, ex-presidente do Goldman Sachs no Brasil e do Citigroup, defende voto de confiança do mercado no governo Dilma Rousseff pelo PT ter trazido ao mercado de consumo dezenas de milhões de pessoas até então marginalizadas. Leia:

O que o mercado deve esperar de Dilma 2

O mercado fez da possível vitória de Aécio uma tábua de salvação, o que deu origem a uma especulação eleitoral que não víamos desde de 2002
Passada a disputa eleitoral mais acirrada dos últimos 25 anos, o investidor pergunta como vai ser o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Veremos a explosão da inflação, dos juros e do dólar, e a queda vertiginosa das Bolsas, como o mercado especulou histericamente nas últimas semanas?

A piora de alguns indicadores econômicos a partir de 2013, aliada a uma postura mais intervencionista da presidente, acabaram assustando investidores e deteriorando o ambiente de negócios. Vejo uma reversão desse cenário a partir de agora.

Mesmo diante de uma inflação corrente acima da meta e de números fiscais decepcionantes, não existe descontrole na economia. O Brasil não foi o único país a relaxar as políticas monetária e fiscal diante da maior crise das últimas décadas.

Se foram promovidos estímulos de forma equivocada, é natural revertê-los. É preciso dar crédito ao PT por ter trazido ao mercado de consumo dezenas de milhões de pessoas até então marginalizadas. Esse movimento impulsionou o crescimento e viabilizou a história de inúmeras empresas no mercado de capitais, além de ter fomentado as fusões e aquisições. Isso explica a resiliência do investidor internacional em relação ao Brasil.

A política intervencionista do governo teve, de fato, um efeito pernicioso, mas é injusto atribuir sua origem exclusivamente a ideologias da presidente. Empresários renomados foram a Brasília defender medidas para seus setores. Cabe agora fazer ajustes e se inspirar nos exemplos de sucesso para atrair o capital que o país precisa.

O debate econômico se radicalizou em razão da estratégia dos candidatos. Sem espaço na esquerda, Eduardo Campos optou por um discurso de direita, que foi herdado por Marina Silva e potencializado com o surpreendente desempenho de Aécio Neves. O mercado transformou uma eventual vitória da oposição em tábua de salvação e, a partir daí, surgiu um nível de especulação com o cenário eleitoral que não víamos desde de 2002.

Passada a eleição, os mercados continuam voláteis e aguardam o tom do segundo mandato, mas alguns sinais indicam que a presidente pode surpreender positivamente.

Em primeiro lugar, os eleitores expressaram preocupação com a inflação e o baixo crescimento. A presidente ouviu o recado e admitiu que mudaria sua equipe e suas políticas. Em segundo lugar, um contingente enorme de eleitores, principalmente na classe média, quer mais modernidade e desenvolvimento econômico. Impossível imaginar que o pragmatismo político não dará ouvidos a tais anseios.

Além disso, o acirramento do debate trouxe mais consciência sobre temas econômicos. O governo entendeu o risco de procrastinar ajustes até uma nova eleição.

O mercado deveria dar um voto de confiança à presidente. Apesar de suas promessas de mudança terem sido vagas, é evidente a necessidade de recuperação da credibilidade fiscal e de melhoria do diálogo com o setor privado.

Quanto mais rápida e convincentemente a presidente fizer o anúncio da nova equipe econômica e das diretrizes para o novo mandato --não apenas com nomes, mas também com compromissos--, menor será o custo para o país nos próximos quatro anos.

Brasil 247

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Evacuação de São Paulo não é uma hipótese impossível

 

cantareiraRecentes rumores vindos da diretoria da Sabesp em São Paulo, desmentidos posteriormente, não descartavam a possibilidade de os moradores da cidade serem obrigados a ir para outros lugares devido à falta de água. Mesmo se a situação é gravíssima, uma evacuação em massa ainda não está na ordem do dia. Mas será que esta medida dramática e radical pode ser definitivamente descartada no futuro?

Na opinião do filósofo Roberto Malvezzi, da equipe de preservação do rio São Francisco, a resposta pode ser “não” se as autoridades continuarem a contar somente com as chuvas para resolver a crise, sem criar um Plano B.

Implicado há décadas na questão hídrica e ambiental, Malvezzi pensa que a campanha eleitoral em São Paulo travou um debate mais aprofundado sobre a crise hídrica:

Roberto Malvezzi, da equipe do rio São Francisco, critica a gestão pública da crise da água em São Paulo. (Foto:DR)

“Em primeiro lugar, temos uma realidade científica. O Brasil passou por vários processos de destruição do seu cerrado, muitos cientistas pensam, inclusive, que o cerrado está extinto. Com isso, começamos a ter problemas das chuvas que caem na região escoarem rapidamente pelas superfícies. Estamos com o enfraquecimento de vários aquíferos*. E uma das regiões que está sofrendo com isso é a região do Cantareira. Não é uma questão momentânea, é mais profunda e para muita gente não tem mais retorno”, observa Malvezzi.

Outro ponto relevante que preocupa o entrevistado é a média per capita de água em São Paulo, pouco mais de 260m³ por ano, sendo que o padrão da ONU é 1000m³por pessoa. “Isso mostra que cada vez que houver crise – e tudo indica que no futuro elas serão mais constantes e severas – e que se esta estiagem se prolongar até fevereiro ou março, teremos uma catástrofe social em São Paulo”, prevê Malvezzi, lembrando que não existe um Plano B do governo, que continua apostando na vinda de chuvas como solução maior.

Mesmo se geólogos estão reunidos para analisar a possibilidade de se recorrer às águas dos poços, o especialista teme que esse tipo de medida, “a toque de caixa”, não baste para resolver os problemas de São Paulo, pelo menos neste momento emergencial.

Reaprender a viver com pouca água

Roberto Malvezzi acredita que se nada fôr resolvido nos próximos meses, a possibilidade de uma saída em massa da população paulistana não é uma fantasia. “Vai depender de ter água”, ele diz, citando um exemplo que considera sintomático: “Os jornais estão dizendo que algumas empresas que precisam de muita água já estão deixando São Paulo, por falta de garantia hídrica”.

O entrevistado acredita que São Paulo já está no fio da navalha com esta pouca disponibilidadeper capita. “E quando falamos nisso, não falamos apenas do uso doméstico, estamos falando também do uso industrial, dos serviços, da área da educação, saúde, comércio, estamos incluindo todos os usos, então, o problema está posto: as autoridades estão contando com as chuvas”.

O especialista lembra que o Nordeste, diante da falta de água, contou com as chuvas por quase um século e depois de perceber que isto era inviável, partiu para a prevenção. “Hoje a região está saindo de uma estiagem de quase três anos, sofrida, mas ao mesmo tempo não precisa mais de migração pois foi criada uma infraestrutura, uma estrutura e uma cultura de você conviver com pouca água e depois manejá-la” , explica Malvezzi, lembrando que São Paulo não tem essa cultura, essa tradição, que está enfrentando isso pela primeira vez e está se perdendo.

* Nota da redação: Aquífero é uma formação geológica subterrânea com capacidade de armazenar água e com permeabilidade para permitir que a água armazenada se movimente.

http://www.paraibaurgente.com.br/s/mundo/evacuacao-de-sao-paulo-nao-e-uma-hipotese-impossivel

Ameaça do espaço

 

Um asteroide que se aproxima da Terra pode destruir a Europa


Será?

O asteroide 2014 UR116, que foi descoberto por cientistas russos, pode destruir toda a Europa, informa 'Izvestia' . "Se ele atinge a superfície do mar, como o mar, causará grandes tsunamis que poderiam demolir as cidades costeiras. Se cair em uma estação nuclear, todo o continente europeu estarão sob ameaça de extinção ", disse o gerente da rede de telescópios robóticos Mestre Vladimir Lipunov. O tamanho do asteroide que se aproxima da Terra é de 370 metros, ou seja, é 20 vezes maior do que o de meteoritos Chelyabinsk , que serão incluídas na lista de potencialmente perigosos, diz o cientista.
Até agora, é impossível determinar a data exata de sua possível colisão com a Terra, uma vez que tem sido um pouco desde que o objeto está sendo observado pelos cientistas. Além disso, as órbitas dos asteroides muitas vezes mudam. No entanto, nos próximos dois anos, o corpo não vai atingir a superfície da Terra, confirma Lipunov. Este é o terceiro objeto desse tipo é descoberto pela rede russa de robótica telescópios Mestre, que opera desde 2010. A dois asteroides, 2013 e 2013 UG1 SW24, tendo tamanhos de 250 e 125 metros, respectivamente.

http://www.libertar.in/2014/11/um-asteroide-que-se-aproxima-da-terra.html

http://odespertarnews.blogspot.com.br/

PRF pune 1,5 mil motoristas no primeiro fim de semana com multas mais altas

 

Da Agência BrasilEdição: Armando Cardoso

PRF

Polícia Rodoviária Federal multou 1,5 mil motoristas no primeiro dia das novas multas Arquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Aproximadamente 1,5 mil motoristas foram punidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no primeiro fim de semana de vigência dos novos valores de multas de trânsito. Desde sábado (1º), as multas para condutores flagrados em ultrapassagens forçadas, em local proibido, ou disputando “racha” e fazendo manobras perigosas estão até dez vezes mais altas.

A maior parte – 1,39 mil – foi aplicada a motoristas ultrapassando em situações perigosas ou em locais proibidos. Nesses casos, como faixas contínuas, curvas, trevos, túneis, pontes e acostamentos, a multa aumentou de R$ 127,69 para R$ 957,70. Em caso de reincidência no período de um ano, o valor da punição dobrará.

Saiba Mais

Conforme a PRF, a infração mais comum é a ultrapassagem pela contramão, em pista com faixa contínua. O chefe da Divisão de Planejamento Operacional da PRF, Edson Nunes Souza, explicou que as ações de fiscalização são planejadas de acordo com o número de acidentes registrados nas vias.

“Temos um banco de dados com os locais onde ocorrem mais acidentes. Então, direcionamos as fiscalizações para esses lugares. Dessa forma, conseguimos reduzir infrações e evitar acidentes.”

No sábado e domingo (2), 43 motoristas foram flagrados pela PRF forçando passagem em pistas simples. Esta é infração cuja multa sofreu maior reajuste, passando de R$ 191,54 para R$ 1.915,40. O valor será dobrado em caso de reincidência em 12 meses.

Seis motoristas foram multados pela PRF por praticar "racha" ou fazer manobras perigosas, infrações que também ficaram mais duras. “O número baixo deve-se, principalmente, ao fato de a maioria dos ‘rachas’ ocorrer dentro das cidades e não nas rodovias federais”, explicou Edson Nunes.

Segundo ele, o aumento no valor das multas faz parte de um pacote de alterações nas leis. "A proposta é diminuir as mortes no trânsito em 50% até 2020", salientou Nunes. Acrescentou que as colisões frontais, a maioria causada por ultrapassagens indevidas, são responsáveis por cerca de 34% das mortes em rodovias federais.

Agência Brasil

Suécia reconhece o Estado da Palestina

 

O governo sueco se torna o primeiro ocidental da União Europeia a tomar a decisão

por AFP—publicado30/10/2014 09:24

O presidente palestino Mahmud Abbas

O presidente palestino Mahmud Abbas elogiou a decisão da Suécia

O governo sueco reconheceu o Estado da Palestina nesta quinta-feira 30, por decreto. A Suécia se torna assim o primeiro país ocidental da União Europeia (UE) a tomar esta decisão. "Hoje, o governo toma a decisão de reconhecer o Estado da Palestina. É um passo importante que confirma o direito dos palestinos à autodeterminação", afirma a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallström, em um artigo publicado no jornal Dagens Nyheter.

"O governo considera que estão reunidos os critérios do direito internacional para um reconhecimento do Estado da Palestina: um território, mesmo sem fronteiras fixas, uma população e um governo", destaca o texto. "Esperamos que isto mostre o caminho a outros", completa a ministra.

A reação dos palestinos foi rápida. O presidente palestino, Mahmud Abbas, "comemora a decisão da Suécia" e pede a outros países que sigam o exemplo, afirmou o porta-voz Nabil Abu Rudeina.

De acordo com uma contagem da AFP, pelo menos 112 países reconhecem o Estado da Palestina. A Autoridade Palestina afirma que são 134, incluindo sete membros da União Europeia que teriam feito o reconhecimento antes de entrar para o bloco: República Tcheca, Hungria, Polônia, Bulgária, Romênia, Malta e Chipre.

No início de outubro, o primeiro-ministro Stefan Löfven anunciou que a Suécia reconheceria o Estado da Palestina, o que provocou muitas críticas de Israel e dos Estados Unidos.

Leia mais em AFP Móvel

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Morre americana com câncer terminal que lutou por suicídio assistido

 

AFPAFP – 5 horas atrás

Brittany Maynard é vista em foto de 2013, obtida em 30 de outubro de 2014.Brittany Maynard é vista em foto de 2013, obtida em 30 de outubro de 2014.Brittany Maynard, uma americana de 27 anos que tinha câncer terminal, cumpriu a decisão de morrer voluntariamente, com base nas leis do estado do Oregon, o que provocou uma onda de debates sobre o direito à morte com dignidade.

Brittany dominou as manchetes da imprensa em outubro, depois que anunciou sua intenção, em um vídeo que se tornou viral na internet.

"Adeus a todos os meus queridos amigos e parentes que amo. Hoje é o dia que escolhi partir com dignidade diante de minha doença terminal, este terrível câncer cerebral que tirou tanto de mim ... mas que poderia ter tomado muito mais", escreveu em uma mensagem divulgada nas redes sociais e que foi compartilhada por milhões de internautas.

"O mundo é um lugar bonito, viajar foi meu melhor professor, meus amigos próximos e meus pais são os maiores doadores. Tenho inclusive um círculo de apoio ao redor da minha cama enquanto escrevo ... Adeus mundo. Espalhem boa energia. Vale la pena!".

Sean Crowley, porta-voz do grupo 'Compassion & Choices', que luta pelo direito à morte com dignidade e que apoiou Maynard, informou que ela morreu no sábado, dia 1º de novembro.

"Brittany faleceu, mas seu amor pela vida e a natureza, sua paixão e seu espírito perduram", disse a presidente da organização, Barbara Coombs Lee.

"Em memória de Brittany, faça o que mais importa. E diga às pessoas importantes para você o quanto as ama. Vamos trabalhar para continuar com seu legado, oferecendo a todos os americanos a oportunidade de finalizar sua vida", completou.

- Planejar uma morte digna -

Brittany Maynard havia anunciado em um vídeo que terminaria com sua vida em 1º de novembro para não sofrer os danos de seu tumor cerebral.

Mas na terça-feira passada declarou: "Ainda não chegou o momento adequado para morrer".

"Ainda me sinto suficientemente bem e ainda tenho alegria suficiente, continuo rindo e sorrindo ao lado da minha família e amigos. Parece que ainda não chegou o momento adequado", afirmou em um segundo vídeo divulgado na semana passada.

Uma porta-voz de Maynard informou há algumas semanas que a jovem pretendia falecer com a ingestão de uma combinação letal de barbitúricos, por causa das constantes dores de cabeça e outros efeitos provocados pelo tumor.

Em janeiro, os médicos diagnosticaram a jovem com um glioblastoma, uma forma de câncer no cérebro, agressivo e incurável, e afirmaram que ela teria mais seis meses de vida.

No momento, Brittany e o marido, Daniel Diaz, que estavam recém-casados, tentavam ter um filho.

"Os pensamentos que você tem quando descobre que resta tão pouco tempo é que precisa dizer a todos que os ama", disse em outubro no vídeo em que anunciou ao mundo a doença e os planos.

O vídeo foi visto quase 10 milhões de vezes no YouTube.

Em junho, Brittany e o marido decidiram se mudar de Oakland (Califórnia) para Portland, no vizinho Oregon, um dos poucos estados americanos que autoriza a eutanásia.

Um médico poderia receitar os medicamentos necessários para a jovem encerrar sua vida, ao lado da família, na cama que dividia com o marido.

O caso chamou a atenção em todo o mundo e foi capa da revista People nos Estados Unidos na semana passada.

A pobreza infantil espanhola pelos olhos de Encarni

 

por Inés Benítez, da IPS

foto Encarni y su prima en la habitación de su casa 629x472 A pobreza infantil espanhola pelos olhos de Encarni

Estefanía lê na cama enquanto Encarni faz as tarefas escolares sobre uma mesa de seu pequeno quarto. Esta menina de Málaga, de 12 anos, é um dos rostos da pobreza infantil na Espanha, que segundo novo informe do Unicef afeta 36,3% dessa faixa etária da população. Foto: Inés Benítez/Envolverde/IPS

Málaga, Espanha, 3/11/2014 – “Gostaria de ter uma casa grande e que minha família não tivesse que pedir comida nem roupa”, disse à IPS Encarni, de 12 anos completados recentemente, na pequena moradia que compartilha com cinco familiares em um bairro pobre da cidade espanhola de Málaga. De olhos castanhos, fronte grande, cabelo castanho e liso à altura dos ombros, Encarni é um dos rostos da pobreza infantil na Espanha, onde a taxa cresceu 28,5% desde 2008, segundo um informe divulgado, no dia 28 de outubro, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O documento As Crianças da Recessão, que analisa 41 países considerados ricos, afirma que o índice de pobreza infantil na Espanha passou de 28,2% em 2008 para 36,3% em 2013, e inclui este país entre os “mais afetados” pela crise econômica junto com Chipre, Croácia, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal.

Quase todos os dias no meio da tarde, Encarni acompanha sua mãe e sua tia que vão buscar comida no Er Banco Güeno, um restaurante social dirigido pelos moradores do bairro La Palma-Palmilla, que ocupa há dois anos o prédio de um antigo banco e fornece as três refeições a pessoas necessitadas. “Trabalhei na construção até o começo da crise em 2008, quando fui demitido”, contou à IPS o padrasto da menina, Antonio Delgado, que desde então não conseguiu emprego e faz de tudo, “desde recolher sucata até vender em pequenos mercados”.

De rosto enxuto e dentes maltratados, Antônio faz pequenos consertos que lhe rendem alguns poucos euros por dia, valendo-se de uma máquina de soldar e outra para encher pneus, colocadas no corredor de sua casa, um andar que dá acesso à rua e em cuja entrada estão penduradas diversas gaiolas com pássaros. Encarni contou que sua mãe, Inmaculada Rodríguez, trabalhou durante dois meses cuidando de uma pessoa mais velha, mas foi demitida.

Na Espanha, com 47 milhões de habitantes, o desemprego afeta cerca de 23,6% da população ativa, mas na comunidade de Andaluzia, onde fica Málaga, sobe para 35,2%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). “Gosto de ir à escola. Sobretudo para fazer ginástica”, disse a menina com sua voz doce, embora se entristeça por às vezes se sentir rejeitada por seus colegas, porque “me viram entrar no restaurante social e pedir comida. Mas não ligo”, acrescentou esboçando um sorriso.

Há alguns dias sua tia e seus três primos se mudaram para outra moradia próxima, mas, até então, na casa de Encarni conviviam 11 pessoas. Encarni dormia na parte de cima de um beliche com sua prima Estafanía, um ano mais velha do que ela, e na de baixo sua tia Ana María e seu filho Juan José, de nove anos. Ao lado, em um berço dormia seu outro primo, Ismael, de dois anos e meio.

A mãe de Encarni, seu padrasto e outros quatro familiares dividiam o resto da casa, que tem apenas um banheiro pequeno, ao qual se chega depois de se passar por um varal onde a roupa lavada é seca por um ventilador perto da cozinha. Estefanía e Ismael sofrem de epilepsia, contou Ana María, que está desempregada e mostra à IPS a caixa onde guarda vários medicamentos que os filhos devem tomar diariamente.

“Sua casa é grande?”, perguntou Encarni à repórter da IPS, enquanto acariciava seu cão, de pelo negro chamado Gordo. E depois questionou: “De onde os ricos tiram o dinheiro?”.

O informe Iguais: Acabemos com a Desigualdade Extrema. É Hora de Mudar as Regras, lançado no dia 30 de outubro pela organização humanitária Oxfam Intermon, revela que 1% dos espanhóis mais ricos têm tanto quanto 70% de todos os cidadãos. E o que é ainda mais dolorido é que durante a crise os multimilionários mais do que duplicaram no mundo, passando de 793, em 2008, para 1.645 em 2014. Isto, segundo a Oxfam, reflete que a recessão foi benéfica para aqueles que mais riqueza acumulam.

historia de Encarni 3 A pobreza infantil espanhola pelos olhos de Encarni

Um dos blocos de La Palma-Palmilla, bairro pobre de Málaga, no sul da Espanha, onde vivem Encarni e sua família. Foto: Inés Benítez/IPS

A Espanha, em particular, é um dos 34 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) onde mais cresceram as desigualdades entre ricos e pobres durante a crise financeira, segundo seu informe Panorama da Sociedade 2014. Entre 2007 e 2010, a renda de 10% da população espanhola mais pobre caiu 14% ao ano, em média, enquanto em outros países da OCDE diminuiu 5% no México, Grécia, Irlanda, Estônia e Itália, e em nenhum chegou a 10%.

Encarni quer ser juíza quando for adulta, mas agora se conformaria em poder se “vestir bem” e ir comprar mais no supermercado. “Tudo o que tem aqui nos foi dado porque meus pais não têm dinheiro suficiente”, explicou, apontando a roupa dobrada no armário, os pacotes de arroz e lentilha em uma prateleira no quarto e até a mochila que ganhou de uma vizinha para ir à escola, onde almoça diariamente de forma gratuita por causa da falta de renda familiar.

Encarni gosta de pular corda, saltar cama elástica, brincar na gangorra perto de sua casa e que seu padrasto a leve na bicicleta. Também gosta de comer doces, cantar e dançar com sua prima Estefanía, que neste verão desfrutou pela primeira vez de um banho no mar, apesar de viver a poucos quilômetros da praia. “A água tem gosto de sal”, observou a menina à IPS.

De cada cem crianças em risco de pobreza na Espanha, 25 estão na região da Andaluzia, 15 na Catalunha, dez em Valência, dez em Madri e o restante nas demais comunidades autônomas, segundo dados do INE, analisados no informe Meninos e Meninas, os Mais Vulneráveis em Todas as Comunidades Autônomas, da organização Educo. O novo estudo do Unicef alerta que 2,6 milhões de crianças caíram na pobreza por causa da crise econômica nos países mais prósperos, por isso o número total de crianças pobres no Norte industrial subiu para 76,5 milhões.

Com o cabelo solto recém-penteado, sentada em uma cama perto da janela, enquanto a televisão apresenta notícias sobre os últimos escândalos de corrupção neste país, Encarni abraça seu pequeno primo Ismael, que segura um pedaço de pano nas mãos, e espera que caia a noite. Envolverde/IPS

Geólogos estudam meio de usar Aquífero Guarani para aliviar crise do Cantareira

 

por Camila Maciel, da Agência Brasil

represa cantareira 300x150 vale esta Geólogos estudam meio de usar Aquífero Guarani para aliviar crise do Cantareira

O Sistema Cantareira registra no dia 28 de outubro, 12,8% de volume útil. Foto: Divulgação/Sabesp

Geólogos da Universidade de São Paulo (USP) elaboram um estudo para saber se é possível retirar água do Aquífero Guarani para abastecer a região de Piracicaba, aliviando o Sistema Cantareira. A proposta é analisar a viabilidade da construção de 24 poços artesianos no município de Itirapina, região oeste do estado, onde o aquífero pode ser acessado de forma rasa. A análise será apresentada, em aproximadamente um mês, ao comitê criado pelo governo estadual para administrar a crise hídrica no Cantareira. Dia 27, o sistema chegou a 13% da capacidade de armazenamento, após o início da utilização da segunda cota do volume morto.

O professor Reginaldo Bertolo, do Instituto de Geologia, explica que o estudo inclui a simulação, por meio de um modelo matemático, da extração de 150 mil litros de água por hora. “Queremos avaliar se o aquífero suporta essas vazões em longo prazo”, apontou. A análise baseia-se em um artigo publicado em 2004 por um grupo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com o trabalho, a região de Piracicaba fica distante cerca de 60 quilômetros (km) em linha reta, o que diminui os custos de um transporte da água direta para a capital. Outra vantagem é que o desnível geográfico entre as regiões de captação e consumo favorece o deslocamento.

Mesmo em fase de pré-viabilidade técnica, Bertolo acredita que essa pode ser uma alternativa interessante para o abastecimento de parte da região que deveria receber água do Cantareira. Ele destaca, no entanto, que é preciso fazer o uso sustentável dessa água para evitar novas crises. “A gente precisa ter a recarga no aquífero para que ele continue dando água. Se a gente tiver em longo prazo a certeza de que a chuva vai continuar caindo e o aquífero recarregado, uma vazão de 1 metro cúbico por segundo é uma vazão segura”, apontou. O Aquífero Guarani é a maior reserva estratégica de água doce da América Latina.

Atualmente, o aquífero abastece a maior parte das cidades do oeste paulista. “Observe que a crise de abastecimento de água está mais crítica nos municípios do centro-leste do estado”, avaliou. Isso ocorre, segundo Bertolo, porque eles têm maior segurança hídrica com a água oriunda dos aquíferos Bauru e Guarani. Entre os municípios abastecidos dessa forma, o professor destaca Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Bauru, entre outros. Ele explica que a profundidade das águas subterrâneas exige tecnologia complexa de engenharia, similar à utilizada para encontrar petróleo, para cavar os poços profundos.

* Edição: Fábio Massalli

** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

As diversidades do povo brasileiro enriquecem a vida de cada um de nós

 

por Leno F. Silva*

Brasil As diversidades do povo brasileiro enriquecem a vida de cada um de nós

Mesmo antes do resultado que consagrou Dilma Rousseff no processo eleitoral deste ano, as manifestações pelas redes sociais trouxeram à tona os sentimentos submersos dos defensores de uma visão separatista de país: Sul e Sudeste de um lado; e Norte, Nordeste e Centro-Oeste de outro.

Muitas das declarações que no passado eram expostas em pequenas reuniões e sob a proteção de espaços privados, foram escancaradas nessas plataformas digitais que transformaram completamente a dinâmica do embate político.

De “patinho feio” dos protestos de 2013, a política partidária ganhou espaço de destaque nessa que foi uma das mais acirradas disputas desde que os brasileiros reconquistaram o direito de votar.

Nas últimas semanas o pleito ganhou temperatura de final de clássico de futebol, mas o que estava em jogo desde o início do processo eleitoral eram dois projetos de nação. Consagrou-se vencedora a mandatária atual, representante do PT, partido que decidiu, a partir da eleição de Lula, priorizar em suas políticas e investimentos as classes sociais e as regiões menos favorecidas.

Vitória de todo o povo que luta pela construção de um Brasil mais justo, mais inclusivo, e que ofereça oportunidades de desenvolvimento em diversos campos, para que as distâncias dos saberes e das condições de vida sejam diminuídas, beneficiando um maior número de cidadãos.

Passado o calor da decisão, convém refletirmos sobre os aprendizados que podemos extrair desse processo. A presidenta assumirá o segundo mandato mais forte para promover as mudanças já citadas no seu programa de governo, além de agregar outras tantas demandas que vieram à tona nessa caminhada.

Tenho a impressão de que parcela da sociedade está disposta a se articular, agir e a contribuir para que o Brasil avance nas direções certas. No sistema atual, a representatividade por meio dos partidos políticos, é um canal que precisa ser revigorado, estar mais próximo das pessoas, e criar mecanismos democráticos permanentes de diálogos, por meio dos quais os cidadãos participem e sejam, também, agentes das transformações.

Os desafios são grandes, mas com equilíbrio, respeito, e espirito público; teremos condições de construir uma nação livre de preconceitos, do racismo e digna para todos nós. Viva o povo brasileiro, que com as suas diversidades, sotaques e jeitos distintos de ser, enriquece a vida de cada um de nós. Por aqui, fico. Até a próxima.

* Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

http://envolverde.com.br/sociedade/diversidades-povo-brasileiro-enriquecem-vida-de-cada-um-de-nos/

Alô paulistas, Nordeste envia energia ao Sudeste

 

:

Enquanto muitos brasileiros da região Sudeste foram às ruas nesse sábado, 1º, pedir a volta da Ditadura Militar, a saída da presidente Dilma, protestar contra a falta d'água, e de quebra destilar xenofobia e ódio contra nordestinos, o Nordeste respondia enviando energia elétrica para suprir a demanda de consumo da região Sudeste; desde o dia 3 de agosto, a cada domingo vem sendo programada a produção nordestina de energia acima do consumo, para envio ao Sudeste; motivo é a pior crise hídrica que a região mais rica do país vem sofrendo, com reflexos já na economia; com 80,3 milhões de pessoas, a região Sudeste é a maior produtora e consumidora de energia do Brasil; concentra mais de 60% da geração de eletricidade e sempre gerou excedente para o Nordeste, onde a produção é abaixo do consumo; inversão de papéis

2 de Novembro de 2014 às 15:43

Pernambuco 247 - Ironia do destino. Rechaçada com preconceito, xenofobia e ódio por muitos brasileiros que moram na região Sudeste, a região Nordeste do Brasil é quem está garantindo o equilíbrio no consumo de energia elétrica de paulistas, mineiros, cariocas e capixabas. Desde o último dia 3 de agosto, em cada domingo, com exceção do dia 5 de outubro, vem sendo programada a produção nordestina de energia acima do consumo, para envio ao Sudeste.

Com uma população de 80,3 milhões de pessoas, a região Sudeste é ao mesmo tempo a maior produtora e consumidora de energia do Brasil. Concentra mais de 60% da geração de eletricidade e sempre gerou excedente para o Nordeste, onde a produção é abaixo do consumo. Mas a escassez derrubou o nível dos reservatórios do Sudeste a 18%, uma situação crítica e que desde julho derrubou em mais de 10% a geração hidrelétrica. No mesmo período, a produção térmica na região subiu mais de 30%, batendo 42% só no mês passado.

No Nordeste, o recuo médio das hidrelétricas também ficou acima de 10% no ano. A questão é que, para segurar a queda na região e ainda enviar para o Sudeste, as térmicas dispararam tanto que em agosto a alta foi de 142%, um aumento que no mês passado ficou em 62%.

Apesar da ironia, esse novo padrão na troca de energia, com a ajuda nordestina sempre programada para os domingos, não é benéfica para o sistema elétrico nacional. Ele veio por causa do Estado crítico dos reservatórios em Estados como São Paulo, pela falta de água, e tanto o Sudeste quanto o Nordeste compensam a escassez de chuvas com usinas térmicas, uma eletricidade cara e poluente. O custo é mais alto para o Brasil inteiro, não importa onde você mora.

As térmicas geram eletricidade com a queima de gás ou óleo e podem ser ligadas a qualquer momento. Elas se multiplicaram após o racionamento de 2001, causado justamente pela falta de chuvas, para dar segurança ao País. Desde setembro de 2012, contudo, a seca que afeta o Nordeste e o Sudeste motivou o uso regular das usinas.

“A situação hídrica difícil não é do Sudeste ou Nordeste. É do Brasil inteiro”, afirma José Antônio Feijó, do Instituto Ilumina. Ele diz não lembrar de o Nordeste já ter exportado energia. “É um fato bastante inusitado”, comentou ao Jornal do Comercio.

Brasil 247

domingo, 2 de novembro de 2014

Uma discursão muito esclarecedora


Reudson De Souza
compartilhou a foto de Brasil 247.

30 de outubro às 18:05 ·

"Veja fez o melhor panfleto da campanha do Aécio" http://brasil247.com/+ki3eu Em vídeo divulgado hoje, ex-presidente Lula fez uma análise, um desabafo e uma crítica contundente à revista Veja; "Essa revista odeia o PT, odeia os governos do PT, nós temos de entender isso e não ter azia por causa disso", assinalou; "se você lê a Veja achando que ela é uma revista, você fica nervoso, mas se a lê como um panfleto, ai você entende"; ele próprio deu sua posição: "faz muito tempo que eu não leio a revista Veja"; sob risco de ser condenada por crime eleitoral e ter de conceder novo direito de resposta ao PT, publicação de Gianca Civita, dirigida por Fábio Barbosa e Eurípedes Alcântara, está em apuros

Brasil 247

"Veja fez o melhor panfleto da campanha do Aécio" http://brasil247.com/+ki3eu Em vídeo divulgado hoje, ex-presidente Lula fez uma análise, um desabafo e uma crítica contundente à revista Veja; "Essa revista odeia o PT, odeia os governos do PT, nós temos de entender isso e não ter azia por causa disso", assinalou; "se você lê a Veja achando que ela é uma revista, você fica nervoso, mas se a lê como um panfleto, ai você entende"; ele próprio deu sua posição: "faz muito tempo que eu não leio a revista Veja"; sob risco de ser condenada por crime eleitoral e ter de conceder novo direito de resposta ao PT, publicação de Gianca Civita, dirigida por Fábio Barbosa e Eurípedes Alcântara, está em apuros

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  • 6 pessoas curtiram isso.

  • Raimundo Nonato Fernandes REUDSON voce conhece história do Brasil? se conhece então lembra do ex ministro do COLLOR ALCENIR GUERRA QUE A VEJA PUBLICOU MATERIA MENTIROSA SOBRE COMPRA DE BICICLETAS E O pt SE APROVEITOU NA ÉPOCA; LEMBRA DA HISTÓRIA DE IBSEN PINHEIRO QUE PUBLICOU QUE TINHA DESVIADO 1.000.000,00 DE CRUZADOS PUBLICAÇÃO FEITA NA CAPA DE REVISTA, O PT TIROU PROVEITO E ERA TUDO MENTIRA. OU SEJA O PT QUANDO LHE CONVEM FALA BEM DA VEJA. A VERDADE É QUE O PT TORNOU O BRASIL UM CABARÉ DE CORRUPÇÃO. CABARÉ SEM MADAME

    31 de outubro às 01:57 · Curtir

  • Raimundo Nonato Fernandes ACHOQUE POUCOS DOS QUE VOTAM NA DILMA, CONHECE A HISTÓRIA DO BRASIL. SE CONHECESSE DE VERDADE JAMAIS DARIAM VOTO A DILMA. A DILMA ENVERGONHA NOSSO PAÍS COM TANTA BANDALHEIRA E CORRUPÇÃO.

    31 de outubro às 02:00 · Curtir

  • Reudson De Souza Pois é Raimundo Nonato Fernandes já tu és bom de história: O BRASIL NÃO ESQUECERÁ
    45 escândalos que marcaram o governo FHC com apoio do PSDB
    ITINERÁRIO DE UM DESASTRE
    Nenhum governo teve mídia tão favorável quanto o de FHC, o que não deixa de ser surpreendente, visto que em seus dois mandatos ele realizou uma extraordinária obra de demolição, de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan. Vale a pena relembrar algumas das passagens de um governo que deixaou uma pesada herança para seu sucessor.
    1994 e 1998. O dinheiro secreto das campanhas: Denúncias que não puderam ser apuradas graças à providenciais operações abafa apontaram que tanto em 1994 como em 1998 as campanhas de Fernando Henrique Cardoso foram abastecidas por um caudaloso esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.
    A taxa
    média de crescimento da economia brasileira, ao longo da década tucana, foi a pior da história, em torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno de 3,2%. No período, o patrimônio público representado pelas grandes estatais foi liquidado na bacia das almas. No discurso, essa operação serviria para reduzir a dívida pública e para atrair capitais. Na prática assistimos a um crescimento exponencial da dívida pública. A dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para impensáveis R$ 630 bilhões, enquanto a dívida externa teve seu valor dobrado.
    Enquanto isso, o esperado afluxo de capitais não se verificou. Pelo contrário, o que vimos no setor elétrico foi exemplar. Uma parceria entre as elétricas privatizadas e o governo gerou uma aguda crise no setor, provocando um longo racionamento. Para compensar o prejuízo que sua imprevidência deu ao povo, o governo FHC premiou as elétricas com sobretaxas e um esdrúxulo programa de energia emergencial. Ou seja, os capitais internacionais não vieram e a incompetência das privatizadas está sendo financiada pelo povo.
    O texto que segue é um itinerário, em 45 pontos, das ações e omissões levadas a efeito pelo governo FHC e de relatos sobre tentativas fracassadas de impor medidas do receituário neoliberal. Em alguns casos, a oposição, aproveitando-se de rachas na base governista ou recorrendo aos tribunais, bloqueou iniciativas que teriam causado ainda mais dano aos interesses do povo.
    Essa recompilação serve como ajuda à memória e antídoto contra a amnésia. Mostra que a obra de destruição realizada por FHC não pode ser fruto do acaso. Ela só pode ser fruto de um planejamento meticuloso.
    1995. Extinção da Comissão Especial de Investigação. Assim que assumiu a presidência da república, em 1995, Fernando Henrique Cardoso baixou um decreto extinguindo a chamada Comissão Especial de Investigação, instituída pelo antecessor, presidente Itamar Franco, que, composta por representantes da sociedade civil, tinha o objetivo combater a corrupção. Seis anos mais tarde, em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, o presidente Cardoso conseguiu desviar a atenção da sociedade criando uma tal Controladoria-Geral da União, que se notabilizou por abafar as denúncias que motivaram sua criação.
    45 escândalos que marcaram o governo FHC
    1 - Conivência com a corrupção
    O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um
    dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo
    combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias.
    1995. Quebra do monopólio da PETROBRÁS. Pouco se lixando para a crescente importância estratégica do petróleo, Fernando Henrique Cardoso usou seus rolo compressor para forçar o Congresso Nacional a quebrar o monopólio estatal do petróleo, instituído há 42 anos. Na comemoração, Cardoso festejou dizendo que essa era apenas mais uma das "reformas" que o país precisava fazer para se modernizar.
    2 - O escândalo do Sivam
    O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.
    3 - A farra do Proer
    1995. O inesquecível PROER: Em 1995 o ex-presidente Cardoso deu uma amostra pública do seu compromisso com o capital financeiro e, na calada de uma madrugada de um sábado em novembro de 1995, assinou uma medida provisória instituindo o PROER, um programa de salvação dos bancos que injetou 1% do PIB no sistema financeiro – um dinheiro que deixou o sofrido Tesouro Nacional para abastecer cofres privados, começando pelo Banco Nacional, então pertencente a família Magalhães Pinto, da qual um de seus filhos era agregado. Segundo os ex-presidentes do Banco Central, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, a salvação dos bancos engoliu 3% do PIB, um percentual que, segundo economistas da Cepal, chegou a 12,3%.
    O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.
    4 - Caixa-dois de campanhas
    As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.
    1996. Engavetamento da CPI dos Bancos. Disposto a controlar a crise aberta pelas suspeitas sobre o sistema financeiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso ameaçou e "convenceu" as lideranças do Senado a engavetar os requerimentos para instalação de uma CPI sobre os bancos. Em compensação, o ministério da Fazenda se comprometeu (e nunca cumpriu) a prestar contas ao Senado sobre o PROER. Decepcionada, a CNBB distribuiu nota dizendo não ser justo "que se roube o pouco dinheiro de aposentados e trabalhadores para injetar no sistema financeiro, salvando quem já está salvo ou já acumulou riquezas através da fraude e do roubo".
    5 - Propina na privatização
    A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
    1996. Modificação na lei de Patentes. Cedeu em tudo que os EUA queriam e, desdenhando às súplicas da SBPC e universidades, Fernando Henrique Cardoso acionou o rolo compressor no Congresso e alterou a Lei de Patentes, dando-lhe um caráter entreguista e comprometendo o avanço científico e tecnológico do país.
    6 - A emenda da reeleição
    O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.
    1996. Escândalo do SIVAM | : O projeto SIVAM foi associado a um superescândalo que redundou na contratação da empresa norte-americana Raytheon, depois da desqualificação da brasileira Esca (uma empresa que acomodava "amigos dos amigos" e foi extinta por fraudes contra a Previdência). Significativamente, a Raytheon encomendou o gerenciamento do projeto à E-Systems – conhecido braço da CIA. Até chegar a Raytheon, o mondé foi grande. Conversas gravadas apontavam para o Planalto e, preferindo perder os anéis para não perder os dedos, Cardoso demitiu o brigadeiro Mauro Gandra do ministério da aeronáutica e o embaixador Júlio César dos Santos da chefia do seu cerimonial. Depois, como prêmio pela firmeza como guardou o omertá, Júlio César foi nomeado embaixador do país no México.
    7 - Grampos telefônicos
    Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
    1997. A emenda da reeleição: O instituto da reeleição foi comprado pelo presidente Cardoso a um preço estratosférico para o tesouro nacional. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.
    8 - TRT paulista
    A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.
    Subserviência internacional: Um único exemplo: ao visitar a embaixada norte-americana, em Brasília, para apresentar a solidariedade do povo brasileiro aos EUA por ocasião dos atentados de 11 de setembro de 2001, Cardoso e seu ministro do exterior, Celso Lafer, levaram um chá de cadeira de 40 minutos e só foram recebidos após passarem por uma revista que lhes fez até tirar os sapatos.
    9 - Os ralos do DNER
    O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo.
    1998. O escândalo da privatização (1): A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. O ex-caixa de campanha de Fernando Henrique Cardoso e de José Serra, um tal Ricardo Sérgio de Oliveira, que depois foi agraciado com a diretoria da Área Internacional do Banco do Brasil, não conseguiu se defender das acusações de pedir propinas para beneficiar grupos interessados no programa de privatização. O mala-preta de Cardoso teria pedido R$ 15 milhões a Benjamin Steinbruch para conseguir o apoio financeiro de fundos de pensão para a formação de um consórcio para arrematar a cia. Vale do Rio Doce e R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
    10 - O "caladão"
    O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo
    FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD).Uma panegeral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistemahaviam sido recém-privatizadas. O "caladão" provocou prejuízo aos consumidores,às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo.
    1998. O escândalo da privatização (2): Grampos instalados no BNDES pescaram conversas entre Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende, nos leilões que se seguiram ao esquartejamento da TELEBRÁS. O grampo detectou a voz do ex-presidente Cardoso autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
    11 -Desvalorização do real
    FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial
    e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.
    1999. O caso Marka/FonteCindam: Durante a desvalorização do real, em janeiro de 1999, os bancos Marka e FonteCindam foram graciosamente socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão, sob o pretexto de que sua quebra criaria um "risco sistêmico" para a economia. Enquanto isso, faltava dinheiro para saúde, educação, desenvolvimento científico e tecnológico
    12 - O caso Marka/FonteCindam
    Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.
    2000. O fiasco dos 500 anos: O Brasil completou seu 500º aniversário sem uma festa decente. Em nome da contenção de gastos determinado pelo FMI, Cardoso proibiu as comemorações, que ficaram reduzidas às armações do então ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. O fiasco foi total. Índios e sem-terra foram agredidos pela polícia porque tentaram festejar a data em Porto Seguro. De concreto mesmo, ficou uma caravela que passou mais tempo viajando do Rio de Janeiro até a Bahia do que a nau que trouxe Pedro Álvares Cabral de Portugal até o Brasil em 1500 e um stand superfaturado na Feira de Hannover. A caravela deve estar encostada em algum lugar por aí e Paulo Henrique Cardoso, filho do presidente, está respondendo inquérito pelo superfaturamento da construção do stand da Feira de Hannover.
    13 - Base de Alcântara
    O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo são lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
    2001. Racionamento de energia: A imprevidência do governo Cardoso, completamente submisso às exigências do FMI, suspendeu os investimentos na produção de energia e o resultado foi o apagão no setor elétrico. O povo atendeu a campanha de economizar energia e, como "prêmio", teve as tarifas aumentadas para compensar as perdas de faturamento das multinacionais que compraram as distribuidoras de energia nos leilões de desnacionalização do setor. Uma medida provisória do governo Cardoso transferiu o prejuízo das distribuidoras para os consumidores, que lhes repassaram R$ 22,5 bilhões.
    14 - Biopirataria oficial
    Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras preciosas. Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC teve de rever o contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia e a Novartis, que possibilitaria a coleta e transferência de 10 mil microorganismos diferentes e o envio de cepas para o exterior, por 4 milhões de dólares. Sem direito ao recebimento de royalties. Como um único fungo pode render bilhões de dólares aos laboratórios farmacêuticos, o contrato não fazia sentido. Apenas oficializava a biopirataria.
    2001. Acordo de Alcântara: Em abril de 2001, à revelia do Congresso Nacional, o governo Cardoso assinou um "acordo de cooperação internacional" que, na prática, transfere o Centro de Lançamento de Alcântara para os EUA. O acordo ainda não foi homologado pelo Congresso graças à resistência da sociedade civil organizada.
    Acordos com FMI: Em seus oito anos de mandato, Fernando Henrique Cardoso enterrou a economia do país. Para honrar os compromissos financeiros, precisou fazer três acordos com o FMI, hipotecando o futuro aos banqueiros. Por trás de cada um desses acordos, compromissos que, na prática, transferiram parte da administração pública federal para o FMI. Como resultado, o desemprego, o arrocho salarial, a contenção dos investimentos públicos, o sucateamento da educação e saúde, a crise social, a explosão da criminalidade.
    15 - O fiasco dos 500 anos
    As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e sem-terra apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto Seguro (BA), palco das comemorações. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, é um dos denunciados pelo Ministério Público de participação no epísódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000.
    Planalto, TRT de São Paulo e cercanias: O famoso Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, um dos mais eficazes "gerentes financeiros" da campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso, se empenhou vivamente no esquema de liberação de verbas para o TRT paulista. As maus línguas ainda falam em superfaturamento no Serpro, lobby para empresas de informática, ajuda irregular à Encol e manipulação de recursos dos fundos de pensão na festa das privatizações.
    16 - Eduardo Jorge, um personagem suspeito
    Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um
    dos personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do Planalto na era FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no esquema de liberação de verbas para o TRT paulista e em superfaturamento no Serpro, de montar o caixa-dois para a reeleição de FHC, de ter feito lobby para empresas de informática, e de manipular recursos dos fundos de pensão nas privatizações. Também teria tentado impedir a falência da Encol.
    Autoritarismo: Passando por cima do Congresso Nacional, Fernando Henrique Cardoso burlou o espírito da constituição e administrou o país com base em medidas provisórias, editadas e reeditadas sucessivamente. Enquanto os presidentes José Sarney e Fernando Collor, juntos, editaram e reeditaram 298 MP’s, Cardoso exerceu o poder de forma autoritária, editando mais de 6.000 medidas provisórias.
    17 - Drible na reforma tributária
    O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as bancadas com representação no Congresso Nacional, em torno de uma reforma tributária destinada a tornar o sistema mais justo, progressivo e simples. A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa Demes (PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio do Planalto impediram a tramitação.
    O escândalo dos computadores: A idéia de equipar as escolas públicas com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata com a completa ignorância da Lei de Licitações. Não satisfeito, o governo Cardoso fez mega-contrato com a Microsoft para adoção do sistema Windows, uma manobra que daria a Bill Gates o monopólio do sistema operacional das máquinas. A Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa.
    18 - Rombo transamazônico na Sudam
    O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no período de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias de desvios de recursos na Sudam levaram o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) a renunciar ao mandato. Ao invés de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.
    Mudanças na CLT: Fernando Henrique Cardoso usou seu rolo compressor na antiga Câmara dos Deputados para aprovar um projeto que "flexibiliza" a CLT, ameaçando direitos consagrados como férias, décimo terceiro salário e licença maternidade. Graças à pressão da sociedade civil o projeto estancou no senado.
    19 - Os desvios na Sudene
    Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da
    Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A fraude consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como no caso da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão. O PT também questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.
    Explosão da dívida pública: Quando Cardoso assumiu a presidência da República, em janeiro de 1995, a dívida pública interna e externa era de R$ 153,4 bilhões. Outro dia, em abril de 2002, essa dívida já era de R$ 684,6 bilhões. Hoje, a dívida alcança 61% do PIB.
    20 - Calote no Fundef
    O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o valor mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª séries e de R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e da educação especial. Mas os valoresestabelecidos ficaram abaixo: R$ 418,00 e R$ 438,90, respectivamente. O calote aos estados mais pobres soma R$ 11,1 bilhões desde 1998.
    Violação aos direitos humanos: Exemplo: em 1996, o Brasil ganhou as manchetes mundiais pelo chamado "Massacre Eldorado do Carajás", no qual 19 sem-terra foram assassinados no sul do Pará.
    21 - Abuso de MPs
    Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições e reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e Fernando Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs. Como presidente, FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e reeditou, em seus dois mandatos, 5.491medidas.
    Explosão da violência:Fernando Henrique Cardoso transformou o Brasil num país super violento. Na última década, o número de assassinatos subiu quase 50%. Pesquisa feita pela Unesco em 60 nações colocou o Brasil no 3º lugar no ranking dos países mais violentos. Ao final do mandato do presidente Cardoso, cerca de 45 mil pessoas são assassinadas anualmente no Brasil.
    22 - Acidentes na Petrobras
    Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras
    protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC que viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável pelos maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos anos. Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná. Uma das maiores plataformas da empresa, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. A Petrobras também ganhou manchetes com os acidentes de trabalho em suas plataformas e refinarias que ceifaram a vida de centenas de empregados.
    Renda em queda e desemprego em alta: A Era FHC foi marcada pelos altos índices de desemprego e baixos salários.
    23 - Apoio a Fujimori
    O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do corrupto ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca deu valor à democracia e que fugiu do País para não viver os restos de seus dias na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a Fujimori a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, o principal título honorário brasileiro. O Senado, numa atitude correta, acatou sugestão apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e cassou a homenagem.
    Desenvolvimento Humano. Segundo o Human Development Report 2001 (ONU), o Brasil ficou na 69ª posição, atrás de países como Eslovênia (29º posição), Argentina (34º posição), Uruguai (37º posição), Kuwait (43º posição), Estônia (44º posição), Venezuela (61º posição) e Colômbia (62º posição).
    24 -Desmatamento na Amazônia
    Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC desmontou a legislação ambiental existente no País. As mudanças na legislação ambiental debilitaram a proteção às florestas e ao cerrado e fizeram crescer o desmatamento e a exploração descontrolada de madeiras na Amazônia. Houve aumento dos focos de queimadas. A Lei de Crimes Ambientais foi modificada para pior.
    25 – Os computadores do FUST
    A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata. Os recursos para a compra viriam do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações, a8.666. Além disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com o Windows, o monopólio do sistema operacional das máquinas, quando há softwares que poderiam ser usados gratuitamente. A Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa.
    26 - Arapongagem
    O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para vasculhar a vida de seus adversários e monitorar os passos dos movimentos sociais. Essa máquina de destruir reputações é constituída por ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de fachada. Os arapongas tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à propriedade do presidente em Buritis, em março deste ano, e o governo nada fez para evitar a operação. Eles foram responsáveis também pela espionagem contra Roseana Sarney.
    27 - O esquema do FAT
    A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do PSDB, senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como conselheiro o presidente FHC, foi acusada de envolvimento em desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Descobriu-se que boa parte do dinheiro, que deveria ser usado para treinamento de 54 mil trabalhadores do Distrito Federal, sumiu. As fraudes no financiamento de programas de formação profissional ocorreram em 17 unidades da federação e estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público.
    28 - Mudanças na CLT
    A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o voto da bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando direitos consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo terceiro e licença maternidade. O projeto esvazia o poder de negociação dos sindicatos. No Senado, o governo FHC não teve forças para levar adiante essa medida anti-social.
    29 - Obras irregulares
    Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001, indicou a existência de 121 obras federais com indícios de irregularidades graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos como o extinto DNER, os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Uma dessas obras, a hidrelétrica de Serra da Mesa, interior de Goiás, deveria ter custado 1,3 bilhão de dólares. Consumiu o dobro.
    30 - Explosão da dívida pública
    Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de 1995, a dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões. Entretanto, a política de juros altos de seu governo, que pratica as maiores taxas do planeta, elevou essa dívida para R$ 684,6 bilhões em abril de 2002, um aumento de 346%. A dívida já equivalia em 2001, preocupantes 54,5% do PIB.
    31 - Avanço da dengue
    A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal causa da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte.
    32 – Verbas do BNDES
    Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
    33 - Crescimento pífio do PIB
    Na "Era FHC", a média anual de crescimento da economia brasileira estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos que o País necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos fatores responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit em conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos 12 meses. Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais caro.
    34 – Renúncias no Senado
    A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães
    (PFL-BA) e o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência do Senado expôs publicamente as divergências da base de sustentação do governo. ACM renunciou ao mandato, sob a acusação de violar o painel eletrônico do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também acabou por renunciar ao mandato, para evitar a cassação. Pesavam contra ele denúncias de desvio de verbas da Sudam.
    35 - Racionamento de energia
    A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento de energia. Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos das empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a conta do racionamento aos consumidores, que são obrigados a pagar duas novas tarifas em
    sua conta de luz. O pacote de ajuda às empresas soma R$ 22,5 bilhões.
    36- Assalto ao bolso do consumidor
    FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu proteção social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a elevação das tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o início do plano real até agora, o preço das tarifas telefônicas foi reajustado acima de 580%. Os planos de saúde subiram 460%, o gás de cozinha 390%, os combustíveis 165%, a conta de luz 170% e a tarifa de água 135%. Neste período, a inflação acumulada ficou em 80%.
    37 – Explosão da violência
    O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na maioria dos casos, são os jovens. Na última década, o número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco coloca o País em terceiro lugar no ranking dos mais violentos, entre 60 nações pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, na população geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil pessoas são assassinadas anualmente. FHC pouco ou nada fez para dar mais segurança aos brasileiros.
    38 – A falácia da Reforma agrária
    O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos sobre a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter assentado 600 mil famílias durante oito anos de reinado. Os números estavam inflados. O governo considerou assentadas famílias que haviam apenas sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só existiam no papel. Em vez de reparar a fraude, baixou decreto para oficializar o engodo.
    39 - Subserviência internacional
    A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início deste ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de aeroportos.
    40 – Renda em queda e desemprego em alta
    Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater recordes no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de desemprego chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9 milhão de pessoas estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a precarização das condições de trabalho. O rendimento médio dos trabalhadores encolheu nos últimos três anos.
    41 - Relações perigosas
    Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um pouco as relações suspeitas do presidenciável tucano José Serra com três figuras que estiveram na berlinda nos últimos dias. O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização. Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman - paraíso fiscal do Caribe.
    42 –Violação aos direitos humanos
    Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde 19 sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo do PSDB em 1996, figuram nos relatórios da Anistia Internacional, que recentemente denunciou o governo FHC de violação aos direitos humanos. A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e esquadrões da morte vinculados a forças de segurança cometeram numerosos homicídios de civis, inclusive crianças, durante o ano de 2001. A entidade afirma ainda que as práticas generalizadas e sistemáticas de tortura e maus-tratos prevalecem nas prisões.
    43 –Correção da tabela do IR
    Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do Imposto de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação do imposto, pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam isentos e não tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados. FHC só corrigiu a tabela em 17,5% depois de muita pressão da opinião pública e após aprovação de projeto pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, após vetar o projeto e editar uma Medida Provisória que incorporava parte do que fora aprovado pelo Congresso, aproveitou a oportunidade e aumentou alíquotas de outros tributos.
    44 – Intervençãona Previ
    FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de
    2002 para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões e participação em dezenas de empresas. Com este gesto, afastou seis diretores, inclusive os três eleitos democraticamente pelos funcionários do BB. O ato truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu Dantas no Palácio Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar dossiês comprometedores sobre o processo de privatização, trava queda-de-braço com a Previ para continuar dando as cartas na Brasil Telecom e outras empresas nas quais são sócios.
    45 – Barbeiragens do Banco Central
    O Banco Central – e não o crescimento de Lula nas pesquisas – foi naquele ano o principal causador de turbulências no mercado financeiro. Ao antecipar de setembro para junho o ajuste nas regras dos fundos de investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o BC deixou o mercado em polvorosa. Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte da dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto prazo e a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez subir de R$ 17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração de vencimentos da dívida nos primeiros meses de 2003. O dólar e o risco Brasil dispararam. Combinado com os especuladores e o comando da campanha de José Serra, Armínio Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas eleições.

    31 de outubro às 02:08 · Editado · Curtir

  • Petrralha Edilane Sousa É um livro? Reudson De Souza. Não adianta.....

    31 de outubro às 02:13 · Curtir

  • Benúzia Alves Muito bem Reudson, com essa aula de história explicita talvez esse defensor dos inocentes, aprenda alguma coisa, ele é mesmo Brasileiro?

 

Retirada do Face book

A falácia da Guerra pela água

 

A falácia da Guerra pela água

Cachoeira no Paraíba do Sul, pivô de disputa recente entre Rio e SP

 

Atribuir conflitos a uma eventual escassez atende 
apenas a interesses midiáticos, políticos e ideológicos

Por Luiz Antônio Bittar Venturi*

Internacionalmente, não existem registros de conflitos por disputa de recursos hídricos, apenas algumas tensões políticas ou diplomáticas em alguns casos específicos. A maior parte das 261 bacias internacionais existentes no mundo é gerida por meio de acordos que asseguram o compartilhamento de suas águas.

É o caso do Tratado de Cooperação da Bacia Amazônica, o Tratado da Bacia do Prata, a Comissão Internacional para Proteção do Rio Danúbio (Europa), a Iniciativa da Bacia do Nilo (África), o Protocolo de Damasco, assegurando o compartilhamento das águas do Rio Eufrates (Oriente Médio), Tratado de Paz entre Israel e Jordânia acerca do compartilhamento do Rio Jordão, entre outros. O mundo já entende que uma bacia hidrográfica deve ser gerida enquanto sistema integrado, independentemente das fronteiras políticas que possa abranger. Observe que, mesmo em áreas onde o recurso hídrico é mais escasso, nunca houve a chamada guerra pela água, nem há perspectiva de que haja, já que as soluções técnicas e de planejamento estão se tornando mais eficientes e mais baratas, sobretudo se comparadas aos custos de uma guerra. Paula Duarte Lopes, em Água no Século XXI: Desafios e oportunidades, afirma: “No que diz respeito à água, a última guerra – no sentido clássico do termo – registrada teve lugar entre duas cidades-Estado na Suméria antiga (Umma e Lagash), em 2500 a.C. Não existe qualquer registro histórico de outra guerra entre entidades políticas autônomas ou explicada por motivos hídricos”.

O especialista turco em hidropolítica Dursun Yildiz converge com essa opinião ao afirmar que, “quando olhamos para os trabalhos acadêmicos, podemos ver claramente que a tese da realização da guerra da água parece quase impossível. Esse conceito é mais publicado em revistas e jornais populares”. Afirmar que a água vai acabar, como já vimos, é uma insensatez malthusiana, e atribuir conflitos a uma eventual escassez atende apenas a interesses midiáticos, políticos e ideológicos, pois não se assenta em base científica, mas a uma perspectiva fatalista que talvez tenha maior valor 
de mercado.

No Brasil, porém, a recente disputa entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro reveste-se de desconhecimento técnico e de interesses políticos. Desconhecimento de que uma bacia deve ser gerida como um conjunto sistêmico, cujo potencial hídrico pode ser medido em relação à demanda e, dessa forma, ter as águas compartilhadas pelos estados. Essa disputa é também revestida de interesses políticos, pois, alimentar o discurso de que “estão roubando nossa água e não vamos permitir que isso aconteça”, tem uma forte conotação emocional que pode facilmente ser revertida em benefícios eleitorais. Não há o menor problema em compartilhar as águas da Bacia do Rio Paraíba do Sul, como já se faz há milênios em outras bacias, e como se está fazendo com o São Francisco.

*Professor livre-docente do departamento de geografia da USP

VEJA NA EDIÇÃO IMPRESSA E NA EDIÇÃO DIGITAL: SUGESTÕES DIDÁTICAS, INFOGRÁFICOS E ARTES EXCLUSVAS.

Publicado na edição 91, de outubro de 2014

http://www.cartanaescola.com.br/single/show/456