quarta-feira, 10 de abril de 2013

Acelerador convencional contribui para a corrida nuclear

 

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Evguenia Moiseeva

armamentos, segurança nuclear, guerra, drone (VANT), Sistema de defesa antimíssil (DAM), EUA

© Flickr.com/tj.blackwell/cc-by-nc

O rápido progresso na área de criação de armas convencionais de alta precisão e de armas hipersônicas, robôs e drones de combate, desenvolvidos nos EUA no âmbito do conceito de golpe global rápido, permitiu a Washington alcançar o domínio absoluto no campo militar.

Poderia parecer que armamentos convencionais de alta precisão desempenham um papel positivo ajudando a reduzir o papel das armas nucleares e, consequentemente, a reduzi-las. No entanto, nota-se também a tendência oposta. A esmagadora vantagem em forças convencionais de alguns estados estimula o desejo de outros estados de adquirirem armas nucleares, nota o perito do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Estadual de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO na sigla russa) Andrei Ivanov:

"A experiência de intervenções norte-americanas nos últimos 25 anos do século XX e no início do século XXI mostrou que os países que não possuem sistemas de armas modernos não são capazes de resistir a invasões estrangeiras por meios convencionais. Portanto, a posse de armas nucleares se torna para eles quase a única garantia da preservação da soberania e integridade territorial. Assim, a criação de armas de alta precisão se tornou um dos fatores que debilitam o regime de não-proliferação nuclear".

Os armamentos não-nucleares de alta precisão, tais como mísseis de cruzeiro, aviões hipersônicos e VANTs já estão sendo produzidos em massa, e não só nos EUA. De fato, armas de alta precisão já se tornaram parte integrante do potencial estratégico ofensivo. Em combinação com o sistema de defesa antimísseis (DAM), elas podem mudar radicalmente o equilíbrio político-militar no planeta.

O sistema de defesa antimísseis, em certa medida desvaloriza o existente potencial nuclear de dissuasão. Ele pode dar a impressão de que, no caso de um primeiro ataque, o país iniciador pode seguramente proteger o seu território contra uma retaliação. Isso aumenta significativamente a probabilidade de surgimento de um conflito envolvendo armas nucleares.

É por isso que a implantação do sistema de defesa antimísseis dos EUA causa sérias preocupações não só na Rússia, diz Andrei Ivanov:

"A Rússia e a China estão preocupadas com a atividade dos EUA e seus aliados no desenvolvimento da DAM na região asiática. Esta preocupação é causada, entre outros, pelos progressos no desenvolvimento de sistemas que, à primeira vista, não têm nada a ver com a DAM: armas de alta precisão e armas hipersônicas, robôs e drones de combate, criados nos EUA no âmbito do chamado conceito de rápido golpe global. Moscou e Pequim concordaram em aprofundar a cooperação na área de DAM e apelaram à comunidade internacional que se abstenha da possível implantação de tais sistemas".

A emergente desvalorização das funções de dissuasão nuclear é um motivo de preocupação para Moscou e Pequim. Isso faz com que eles se juntem à corrida armamentista na área de armas de alta precisão. E os países que ainda não possuem tais capacidades científicas e tecnológicas, como a Coreia do Norte, concentraram-se na aceleração da criação de armas nucleares "clássicas".

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